16mm ganha mostra quinzenal em Niterói ::  | Curta o Curta

16mm ganha mostra quinzenal em Niterói

Por Guilherme Whitaker em 18/07/2001 15:49


Entrevista com Marco Aurélio Brandt sobre o projeto "Cine-olho"


CC:Por que ´Cine-olho`?

Marco A. Brandt: A inspiração vem dos russos das primeiras décadas do século XX, que iniciaram um dos movimentos mais contundentes da história do cinema, de onde surgiu entre outros o mais famoso, Eisenstein, e Dziga Vertov, o qual cunhou a expressão "Cine-olho" (Kino-Glaz) denominando uma série de documentários fabulosos ligados ao movimento operário em ebulição na época. Neste período estava em curso uma revolução também na prática cinematográfica, principalmente no que tange à montagem e a fotografia, que foram catapultados em anos-luz pelas mentes brilhantes surgidas em meio às efervecências políticas e sociais. É isso aí, vamos à luta, pois a revolução já começou!

CC: Como surgiu a idéia da mostra?

MAB: A idéia partiu do Davy Alexandriski, que é o diretor/agitador do Condomínio Cultural, e convidou o Alexandre Gwazz para coordenar o cineclube,que me chamou também (fiz cinema na UFF). Fizemos um evento há cerca de 2 meses com música e projeção de vídeos e slides que fez muito sucesso e funcionou como um ensaio para o que se concretiza agora. Aí o espaço cultural do Davy recebeu a doação de dois projetores Bauer do dono do ASA 1000, loja de fotografia aqui de Niterói. Então foi convocar os amigos e botar em prática o que na verdade vem sendo uma vontade crescente de várias pessoas, acostumadas a remar contra a maré e padecer com a falta de espaço e opções culturais paralelas ao esquemão. Afinal o cinema é mais que as comediazinhas de amor ou os chavões de brasilidade que andam pasando por aí, a produção em 16mm algumas vezes supera a de longas, o cinema vive uma
crise que parece eterna, enquanto isso a gente faz o que pode, produz do jeito que (não) dá e às vezes acerta. E erra também. O importante é seguir em frente, como uma tropa, dando trabalho para o inimigo.

CC: Qual a proposta geral da mostra?

MAB: A proposta inicialmente é de sessões quinzenais. Quem faz a coisa acontecer na verdade são os amigos, produtores de imagens, comparsas em geral. Quando se quer algo com intensidade, desapegado de interesses obscuros, se alia à idéia quem tem afinidade com a matéria e quer também fazer acontecer. Na coordenação e ’curadoria’ estamos eu e Alexandre Gwazz. O fato dos filmes desta primeira sessão serem de alunos ou ex-alunos da uff (o Pedro é a exceção) é porque estudei lá, moro em Niterói e esbarramos nas pessoas responsáveis, além, é claro, dos filmes serem bons na nossa opinião. No futuro procuraremos expandir e diversificar os critérios, além de tentar estabelecer temas pertinentes, mostras de clássicos não só brasileiros, enfim, o universo será bem diversificado. Outra circunstância que faz da uff um nome sempre presente em cinema 16, é que trata-se de um curso com uma história longa, produz bastante material, e consegue destaque nos festivais aqui e no exterior.


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