2º MIAU - Mostra Independente do Audiovisual Universitário ::  | Curta o Curta

2º MIAU - Mostra Independente do Audiovisual Universitário

Por Guilherme Whitaker em 06/05/2009 20:37


O MIAU - Mostra Independente do Audiovisual Universitário é espaço garantido de exibição e discussão de filmes e vídeos em curta-metragem realizados por universitários brasileiros, sem distinção de bitolas, e que se destaquem pela ousadia e criatividade na utilização das linguagens cinematográficas.

O festival acontece de 6 a 10 de maio no Cine Goiânia Ouro, em Goiânia/GO, e se apresenta como um evento que contribui para o enriquecimento do cenário cultural goianiense, e promove o cinema universitário nacional trazendo o que ele oferece de mais inovador e criativo a cada edição.

A segunda edição do MIAU conta com apoio institucional da Prefeitura de Goiânia, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, e realização da Estação Filmes.

Dessa maneira, traça um panorama amplo das identidades plurais das produções universitárias, oportuniza o diálogo entre jovens realizadores e constitui uma esfera pública contínua de debates sobre a realização de curtas comprometidos com a experimentação de formas e conteúdos.

Confira AQUI a programação completa!

E aqui a cobertura dia-a-dia:

O primeiro dia da Mostra Sete Vidas do 2º MIAU , por Carlos Cipriano
 

Equipe:

Direção Geral, Produção, Programação e Curadoria: Douglas Pinheiro e Rafael de Almeida
Assistência de produção: Larissa Fernandes
Equipe de produção: Benedito Ferreira, Henrique Bernardes, Jessica Soares, Katerine Furuto, Luanna Beltrão, Mirela Fonseca, Pedro Fonseca, Pedro Caixeta e Wagner Olímpio
Projeção: Léo e Braz
Tráfego de filmes: Aline Nóbrega e Guilherme Gardinni
Fotógrafa: Heloá Fernandes
Apresentadora: Mairá Mendonça
Design Gráfico: Juarez Rodrigues
Website: Marina Duarte
Vinheta: Rafael de Almeida
Prêmios: Fido Nesti
 

Durante os cinco dias de festival estão previstas a exibição da mostra competitiva de curtas e de obras convidadas, debates, realização de oficinas, exposições de fotografia e arte, além de apresentações musicais. Tudo com vistas a incrementar o cenário cultural do Estado, que cada vez mais se destaca como pólo produtor na área de cinema e vídeo, e promover o cinema universitário em todas as suas esferas.

O MIAU é composto pela Mostra Sete Vidas, competitiva nas categorias ficção, documentário e animação, e pela mostra Gato da Vez, competitiva de temática variável a cada ano e que, na edição de 2009, premiará o diretor que melhor tenha conseguido manter uma linguagem autoral ousada e criativa, mesmo após a conclusão de sua graduação.

Confira a programação completa da mostra:

6 DE MAIO - QUARTA

14h30
Mostra Paralela - 2º MIAU
Local: Cine Goiânia Ouro

Feito algodão doce (PE) – fic – 9’20” – Dir.: Natali Assunção
Contos de fada (SP) – fic – 11’10” – Dir.: Gabriel Mendeleh
Boa noite Cinderela (SP) – fic – 17’50” – Dir.: Gabriel Colombo
Sob a luz da vela (PR) – fic – 16’05” – Dir.: Karina de Souza
Enquanto a chuva cai (MG) – fic – 20’ – Dir.: Sérgio Gomes
Zôo (SP) – fic – 8’55” – Dir.: Alexandre Nakahara
Bons sonhos, Maria (SP) – fic – 14’ – Dir.: Ivan Rodrigues
Lavanderia Shermer (PR) – fic – 20’ – Dir.: Wellington Sari

16h45
Debate: Perspectivas para o cinema universitário
Local: Cine Goiânia Ouro
Mediador: Douglas Pinheiro

19h
Mostra Sete Vidas
Local: Cine Goiânia Ouro

Maresia (RS) – fic – 8’57” – Dir.: Christian Schneider e Natália Piva Chim
Fé sem nome (PE) – doc – 11’ – Dir.: Alan Oliveira
Cigano (SP) – fic – 16’08” – Dir.: Eduardo Mattos
32 mastigadas: 16 N e 16 S (DF) – doc – 13’20” – Dir.: Maria Vitória Canesin
O gato preto (MG) – ani – 8’ – Dir.: Cristiane Fariah
Com as próprias mãos (PR) – fic – 15’45” – Dir.: Aly Muritiba
El camino de Roger (GO) – doc – 7’26” – Dir.: Hugo Paiva Ribeiro

Intervalo – 15 min

Até amanhã (SP) – fic – 19’40” – Dir.: André Bomfim
Poeira nos olhos (RJ) – doc – 15’ – Dir.: Gabriel Corrêa e Omar Muro
Darluz (SP) – fic – 17’ – Dir.: Leandro Goddinho
Cárcere (ES) – doc – 20” – Dir.: Edson Ferreira
Maridos, amantes e pisantes (RJ) – fic – 12’36” – Dir.: Ângelo Defanti

22h
Apresentação Musical
Pato com laranja (rock acústico)
Local: Café Cultura (Goiânia Ouro)

7 DE MAIO - QUINTA

9h
Oficina: Fora da Ordem
Ministrante: Marília Rocha - TEIA
Local: Address Hotel (Av. República do Líbano, 2526, St. Oeste) – Sala West

14h30
Mostra Panorama Brasil – Parte 1
Local: Cine Goiânia Ouro

As agruras de um homem-sandwich – fic – 5' – Dir.: Fernando Coimbra
Pobres-diabos no paraíso – fic – 23' – Dir.: Fernando Coimbra
Trópico das cabras – fic – 23' – Dir.: Fernando Coimbra
O prisioneiro – fic – 16' – Dir.: Eric Laurence
Entre paredes – fic – 15' – Dir.: Eric Laurence
No rastro do camaleão – doc – 17' – Dir.: Eric Laurence

16h45
Debate com os realizadores
Exercício de crítica livre sobre os filmes exibidos na Mostra Sete Vidas do dia anterior
Local: Cine Goiânia Ouro
Mediador: Carlos Cipriano

19h
Mostra Sete Vidas
Local: Cine Goiânia Ouro

Cinco minutos (SP) – fic – 10’ – Dir.: Ricky Mastro
Baronesa (SP) – doc – 18’12” – Dir.: Cláudia Afonso
Sobre um dia qualquer (RS) – fic – 18’ – Dir.: Leonardo Remor
546 (SP) – fic – 6’05” – Dir.: Rodrigo Ambrósio
O dia M (SP) – fic – 14’40” – Dir.: Paulo Leierer
Gente heróica (GO) – doc – 9’21” – Dir.: Rodrigo Valle
Eu, Tereza (PR) – fic – 9’19” – Dir.: Nathália Tereza

Intervalo – 15 min

Engano (RJ) – fic – 11’ – Dir.: Cavi Borges
Fance (SC) – doc – 15’01” – Dir.: Flávio Chiarini
Dez elefantes (RJ) – fic – 14’ – Dir.: Eva Randolph
Informe institucional para a educação da nação e formação de cidadãos conscientes nº 37.463/A (SP) – doc – 12’27” – Dir.: Anna Carolina, Bruna Leonardi, Gabriel de Paula, Pedro Machado e Victoria Salles
Romance.38 (SP) – fic – 14’ – Dir.: Vinicius Casimiro e Vitor Brandt

22h
Apresentação Musical
Ultravespa (rock acústico)
Local: Café Cultura (Goiânia Ouro)

8 DE MAIO - SEXTA

9h
Oficina: Fora da Ordem
Ministrante: Marília Rocha - TEIA
Local: Address Hotel (Av. República do Líbano, 2526, St. Oeste) – Sala West

14h
Oficina: Crítica Cinematográfica
Ministrante: Sérgio Rizzo
Local: Address Hotel (Av. República do Líbano, 2526, St. Oeste) – Sala West

14h30
Mostra Karin Ainouz
Local: Cine Goiânia Ouro

Seams – doc – 29’ – Dir.: Karin Aïnouz
Paixão nacional (choque metabólico irreversível) – exp – 9’ – Dir.: Karin Aïnouz
Hic Habitat Felicitas – fic – 19’ – Dir.: Karin Aïnouz
Rifa-me – fic – 28’ – Dir.: Karin Aïnouz

Mostra Panorama Brasil – Parte 2
Local: Cine Goiânia Ouro

Artifícios – fic – 23' – Dir.: Rafael Primo
Produto descartável – fic – 16' – Dir.: Rafael Primo
Manual para atropelar cachorro – fic – 18' – Dir.: Rafael Primo

16h45
Debate com os realizadores
Exercício de crítica livre sobre os filmes exibidos na Mostra Sete Vidas do dia anterior
Local: Cine Goiânia Ouro
Mediador: Carlos Cipriano

19h
Mostra Sete Vidas
Local: Cine Goiânia Ouro

Cedro do Líbano (SP) – fic – 11’13” – Dir.: Conrado Krainer
Teteco (RJ) – fic – 4’28” – Dir.: Glauco Kuhnert
Diante da lei (CE) – fic – 20’ – Dir.: Alyson Lacerda
A vermelha luz do bandido (SP) – doc – 16’49” – Dir.: Pedro Jorge
Bicho (SP) – fic – 14’ – Dir.: Vitor Brandt
Vidigal (RJ) – doc – 5’ – Dir.: Cavi Borges
Lágrimas de Ogum (RJ) – fic – 9’ – Dir.: Renan Brandão
Depois de tudo (RJ) – fic – 12’ – Dir.: Rafael Saar

Intervalo – 15 min

Cru (PR) – fic – 3’30” – Dir.: Fábio Allon
Encanto (RJ) – doc – 16’54” – Dir.: Júlia de Simone
Eu vejo (RS) – fic – 9’37” – Dir.: Tomaz Borges
Vazio agudo (MG) – ani – 1’30” – Dir.: Cristiane Fariah
Os boçais (RS) – fic – 17’ – Dir.: Lufe Bollini
Depois de sábado (RS) – doc – 4’ – Dir.: Anmer Pozzobon
Como ser um grande escritor (RS) – fic – 4’45” – Dir.: Guilherme Petry

22h
Apresentação Musical
Marcelo Maia, Dejan Cosic e Fred Valle (jazz)
Local: Café Cultura (Goiânia Ouro)

9 DE MAIO - SÁBADO

9h
Oficina: Fora da Ordem
Ministrante: Marília Rocha - TEIA
Local: Address Hotel (Av. República do Líbano, 2526, St. Oeste) – Sala West

14h
Oficina: Crítica Cinematográfica
Ministrante: Sérgio Rizzo
Local: Address Hotel (Av. República do Líbano, 2526, St. Oeste) – Sala West

14h30
Mostra Gato da Vez
Local: Cine Goiânia Ouro

Por causa do Papai Noel (SC) – fic – 14’57” – Dir.: Mara Salla
Malabares – os filhos dos outros (SC) – fic – 14’53” – Dir.: Mara Salla

O brilho dos meus olhos (RJ) – fic – 11’ – Dir.: Allan Ribeiro
Depois das nove (RJ) – fic – 15’ – Dir.: Allan Ribeiro

Rio metrópole (RJ) – doc – 8’ – Dir.: Bernardo Jacob, Mikael Santiago e Pedro França
Pontapé inicial (RJ) – fic – 2’30” – Dir.: Mikael Santiago

Sexo explícito 1 e 2 (SP) – fic – 2’ – Dir.: Paula Kim
ChuMar (Weekend) (SP) – fic – 8’30” – Dir.: Paula Kim

16h45
Debate com os realizadores
Exercício de crítica livre sobre os filmes exibidos na Mostra Sete Vidas do dia anterior e na Mostra Gato da Vez
Local: Cine Goiânia Ouro
Mediador: Carlos Cipriano

19h
Mostra TEIA
Local: Cine Goiânia Ouro

Outono – 22’ | 16mm | 2007 – Dir.: Pablo Lobato
Trecho – 16’ | 35 mm | 2006 – Dir.: Clarissa Campolina, Helvécio Marins Jr.
Nacos de Pele – 14’ | HD | 2008 – Dir.: Leonardo Barcelos, Hélio Lauar
Jardim Invisível – 15’ | HD | 2008 – Dir.: Roberto Bellini
Silêncio – 18’ | 35 mm | 2006 – Dir.: Sérgio Borges

22h
Premiação
Local: Cine Goiânia Ouro

10 DE MAIO – DOMINGO

9h
Oficina: Crítica Cinematográfica
Ministrante: Sérgio Rizzo
Local: Address Hotel (Av. República do Líbano, 2526, St. Oeste) – Sala West

14h30

Mostra Premiados 2º MIAU
Local: Cine Goiânia Ouro

19h
Mostra Premiados 2º MIAU
Local: Cine Goiânia Ouro

Mediador do debate com os realizadores / exercício de crítica livre do MIAU.

Por Carlos Cipriano 

A Mostra Sete Vidas teve início com a exibição do curta “Maresia”, de Christian Schneider e Natália Piva, realizado como trabalho de conclusão do curso de Tecnologia em Produção Audiovisual - Cinema e Vídeo da Faculdade de Comunicação (Famecos / PUCRS). Schneider esteve no MIAU do ano passado, com os filmes “Revés”, “DOC.8” e “Outono”, este último concorrendo nas duas categorias (Sete Vidas e Gato da Vez). “Maresia”, cuja estréia no circuito dos festivais aconteceu na noite de ontem, em Goiânia, apresenta os silenciosos momentos de uma bailarina que foi vítima de abuso sexual da parte de um colega de profissão. O filme prima pela economia de gestos e elementos dispersivos, concentrando-se na hesitação da mulher quanto ao destino de sua gravidez. Um telefone toca e é tirado do gancho (será o agressor? O que ele quer?). Em poucos minutos, todo o conflito é expresso em imagens: o reflexo dela no café da xícara, a escovar as paredes e lavar as lembranças (belíssimo plano); ela e seu reflexo no espelho recorrente; uma meia de bebê que é feita e desfeita no crochê... Uma mulher cindida. A cena que antecede os créditos de abertura (garotinha correndo na praia) sinaliza a escolha da bailarina, confirmada pela seqüência final, quando tomamos conhecimento de se tratar do ponto de vista da mãe a filmar sua filha, alguns anos depois. Como em “Revés”, nenhuma palavra é dita: ouvimos o piano de Jean Presser, que nos conduz pelas imagens sensíveis e bem construídas, fotografadas pelo próprio diretor.

Na seqüência, foi exibido o curta “Fé sem nome”, documentário de Alan Oliveira (UFPE), que apresenta a história de outra vítima de estupro - desta vez uma menina, violentada e morta na praia aos oito anos de idade e sepultada como indigente, no início dos anos 1970, em Recife. Para tentar apreender o mito da “Menina Sem Nome”, o vídeo foi gravado num dia de finados, no cemitério de Santo Amaro. Pessoas de toda parte visitam o túmulo da menina, um dos mais disputados, abarrotado de flores, velas e brinquedos trazidos pelos fiéis à criança morta, que é considerada santa. Os relatos de milagres e promessas alcançadas se alternam com as sucessivas versões sobre o trágico incidente, versões por vezes contraditórias, mas o diretor não está preocupado em obter verdades conclusivas. Em dado momento, uma das entrevistadas se atreve a desmentir o que outro devoto diz sobre a menina, arrogando-se o direito de entender mais do assunto por ter conhecido a “santinha” pessoalmente, quando ela era viva. “Acho que ela já era santa antes de morrer”, conclui. O grande mérito deste documentário, além de registrar uma crença popular que teve origem num crime brutal, está em não se delongar no tempo mais do que o assunto parece exigir e render.

“Darluz”, dirigido por Leandro Goddinho (Anhembi-Morumbi - SP), é o tipo de narrativa audiovisual que merece ser assistida mais de uma vez, pela riqueza de detalhes ordenados por uma montagem de ritmo frenético. O filme se apropria de diferentes formatos de programas televisivos para contar a história de Darluz da Conceição, uma mulher negra e pobre que se recusa a criar os filhos, todos nascidos do relacionamento frustrante que manteve com seus diferentes maridos. Sem grandes remorsos ou papas na língua, Darluz admite: “dei, daria e dou, não posso criar”... “Eu salvo os meninos, eu salvei todos os meus filhos”... “Eu vendi a Beatriz no farol”... Os formatos televisivos não são o único dado estrutural da narrativa: três atores e três atrizes assumem a função de uma espécie de coro teatral (além de se revezarem nos papéis secundários, ao longo do filme), coro esse que dá voz ao julgamento moral dos atos de Darluz. É, sem dúvida, um curta que se destaca no panorama atual da produção universitária brasileira, pela competência e originalidade na abordagem do tema.

Malditos felinos!

Única animação exibida ontem na Mostra Sete Vidas, “O Gato preto” (MG) é uma adaptação do conto homônimo de Edgar Allan Poe, dirigida por Cristiane Fariah. O curta, ao estilo do cinema mudo (com os diálogos nas legendas), conta de forma bem humorada a história de um homem que perde a razão ao beber e desconta suas frustrações na mulher e em seu gato. Num dos surtos de agressividade, ele acaba matando os dois, esquecendo, no entanto, que um gato tem muitas vidas (dizem que são sete...).


Documentários

Começando pelo brevíssimo “Cárcere”, de Edson Ferreira (UFES), filme-interrogação de apenas vinte segundos. Um recuo de câmera, partindo de um passarinho na gaiola para adentrar uma janela com grades - quem de nós não está preso?

“Poeira nos olhos”, de Gabriel Corrêa e Castro e Omar Muro Rodriguez (Estácio de Sá - RJ) é um documentário que entrevista os ex-moradores do Edifício Palace II, prédio residencial que desabou em 1998 no Barra da Tijuca, causando a morte de oito pessoas e deixando 120 famílias sem moradia. A rememoração dos momentos cruciais do desastre traz à tona a dor infringida pelas perdas materiais e sentimentais desses moradores, indignados com os erros dos responsáveis pela obra. Eles também manifestam sua revolta com a morosidade da justiça e a impunidade do ex-deputado Sérgio Naya, dono da Construtora Sersan, falecido no início de 2009, dois dias antes do aniversário de 11 anos de desabamento do Palace II. O vídeo faz um interessante retrato da classe média brasileira, a “lutar pelos seus direitos”, incapaz de refletir sobre o desapego material sem passar por alguma experiência traumática - desapego esse que, ao término do documentário, parece ser o único consolo para quem ainda aguarda uma indenização, depois de tantos anos esperando pela justiça.

“El camino de Roger”, realizado por Hugo Paiva Ribeiro (FaComB / UFG), foi gravado na imponente região dos altiplanos bolivianos e denuncia a situação da educação escolar na zona rural daquele país. Roger é um garoto de 11 anos que vive com seus avós no município de Calacoto. Cinco quilômetros separam sua casa da escola mais próxima e ele percorre esse caminho a pé, uma caminhada de mais de uma hora sob o calor do sol. A vida de Roger não é muito diferente da vida de crianças que moram em regiões isoladas da América Latina e lutam diariamente para ter acesso à educação. No interior de Goiás, por exemplo, passam pelas mesmas dificuldades os filhos dos Calunga - descendentes de quilombolas que vivem em comunidades distantes dos aglomerados urbanos, ao norte da Chapada dos Veadeiros. “El camino de Roger” é bem sucedido na medida em que acompanha o longo trajeto do garoto com tomadas de apurada composição, aproveitando a paisagem e dispensando entrevistas, embora o som tenha sido pouco explorado. As cartelas inseridas para contar a história de Roger e apresentar alguns dados relevantes sobre a educação boliviana, todas em espanhol, bem que poderiam ganhar legendas em português.

Outros curtas exibidos no primeiro dia da Mostra Sete Vidas foram as ficções paulistas “Até amanhã”, de André Bonfim, e “Cigano”, de Eduardo Mattos; o paranaense “Com as próprias mãos”, de Aly Muritiba; o experimental “32 mastigadas: 16 N e 16 S”, de Maria Vitória Canesin (DF); e a divertida história de um corno manso em “Maridos, amantes e pisantes”, de Ângelo Defanti (RJ), uma adaptação de dois contos de Luís Fernando Veríssimo, para encerrar a sessão.


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