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9 filmes indicados ao prêmio Oficinando na MFL 2007

Por Guilherme Whitaker em 31/01/2007 17:59


Indicados ao prêmio Oficinando na MFL 2007

Outro prêmio bem especial que a MFL oferta chama-se Oficinando, focado na produção universitária e escolar. Nos últimos anos tem muito crescido no Brasil as oportunidades para a prática audiovisual, seja em escolas eou oficinas de cinema e (principalmente) vídeo.  Confira mais abaixo os textos que os curadores fizeram para tais indicações. E saiba quase tudo que rolará na MFL em www.mostradofilmelivre.com

O destaque definido pelo júri da MFL receberá de prêmio o seguinte:

Troféu Filme Livre + Fuzo Produções - 03 diárias de aluguel de Engenharia completa de câmera DVCam ou Betacam: (Câmera D30WS, VT DVCam ou Betacam, Tripé, Monitor, Baterias, Ac, Carregador, Cabos, Filtros, Lente, Acessórios); Equipamentos de Áudio (Microfone Direcional Senheiser, Vara Boom, Microfone de Lapela Sony, Microfone de mão Shure, Headphone, Mixer); Equipamento de Iluminação (Mala de Luz Lowel ou Arri). +  TV Zero - 8 h em ilha de edição online e 60 h de edição off line sem operador. + Curta o Curta – pacote de distribuição universitário. +  Apema – Locação de equipamentos de luz.

A sessão especial deste prêmio, quando todos os filmes poderão ser vistos juntos será na Sala de Vídeo do CCBB na Quinta-feira 15/2 as 15h. Confira!

Indicados Oficinando

...     (reticências)
RJ | 2006 | 19’ | Mini-DV/DVD
Direção, Produção e Roteiro: Juliano Gomes
O CURTA DE estréia de Juliano Gomes impressiona por renovar a forma de tratar do tão conhecido tema de um relacionamento amoroso. Como se fosse um filme de Nobuhiro Suwa, a proximidade e a distância entre dois corpos são vistas dentro de um cinema que mergulha numa crise da própria representação em abraçar o mundo, nas impossibilidades da imagem de resgatar uma verdade. O absoluto rigor da mise-en-scène, o trabalho sem concessões com a duração (o plano-seqüência), o avesso do estereótipo da adolescência, a oscilação entre os planos gerais e os planos fechados, assim como entre o movimento e a imobilidade, fazem do denso e melancólico curta de Juliano Gomes uma verdadeira ilha dentro do cinema experimental carioca, dominado pelos cacoetes de linguagem e pelas futilidades da vida urbana  (MARCELO IKEDA)

A Estória da Figueira
SP | 2006 | 18’ | 35mm
De Julia Zakia
REALIZADO PELA ECO-USP, A Estória da Figueira foi um dos melhores curtas universitários realizados em 2006. Valendo-se do gênero infantil e da narrativa dos contos de fada, a diretora acaba construindo um mórbido universo particular para criar um clima de terror. O filme acaba captando o estranho universo das cantigas tradicionais, muito delas cruéis e sangrentas (como a que o filme se baseou) e ganha particularidades únicas. Mas não se trata aqui de uma mera inversão de valores - ou seja, fazer com que uma “história de criança” vire uma algo meramente “malvada”. A própria construção da narrativa, com seus cortes inusitados e uma estranha relação imagem/som, faz com que tudo tenha um tom de pesadelo misturado a um clima de fantasia infantil, que cai no fantasmagórico. Um bom salto na carreira de Júlia Zakia, a mesma diretora de O Chapéu do Meu Avô.  (CHRISTIAN CASELLI)

Estertor
SP | 2006 | 15’ | Mini-DV/Betacam
De Diogo Dias de Andrade, Davi Moori e Victor Reis
ESTE CURIOSO FILME talvez seja um dos mais sui generis surgidos nos festivais de 2006. É uma tarefa ingrata definir seu gênero (o que é ótimo), já que ele mistura, sem a menor cerimônia, o documental, ficção, surrealismo, misticismo, linguagem institucional de TV a cabo, “discussão de relação”, ciência, etc. E sem ser considerado experimental. Apesar dessa mistureba toda, Estertor consegue ter uma coesão orgânica estranhamente peculiar, já que entretém sem contar uma história específica, digo, com começo-meio-e-fim, não tendo nem ao menos um final mais conclusivo. Não temos a menor idéia do que aconteceu, no fim das coisas, com o “homem sem pulmão”. Aliás, o personagem do filme é chamado com esta alcunha pela falsa TV francesa que seus realizadores inventaram. Vê se pode: um “homem sem pulmão”. E muitos espectadores saem do cinema achando que viram um documentário. Mais um ponto pros diretores, que ainda são estudantes da Cásper Líbero (SP).   (CHRISTIAN CASELLI)

Freqüência Hanói
BA | 2006 | 9’ | Mini-DV/DVD
De Daniel Lisboa e Diego Lisboa.
COMO EM A Sentinela (prêmio Oficinando da MFL de 2006), porém com um presidiário (lá era uma mulher presa), o curta narra, via celular, um pouco dos porquês da presença deste homem numa cadeia de Salvador. Aos poucos, vamos conhecendo mais sobre os motivos de sua prisão - não do fato que o prendeu, mas dos atos que fizeram com que, tão jovem, chegasse ali. As imagens não têm relação direta com o que se diz, permitindo associações diversas, tornando o filme um incessante mistério sobre o que virá a seguir. Ruídos variados, imagens em movimento mostrando um céu azul entrecortado por fios, cabos e postes que jamais denunciam onde estão. “Pra não ter que matar meu pai, tive que sair de casa e enfrentar o mundo...” De origem indígena, o protagonista despeja quilos de sabedoria popular que ajudam a entender os motivos de sua revolta: “o povo é governado e não orientado; apanhei muito, ao ponto de pedir pra morrer... levei tiro... o governo tomou do meu povo, por que eu não posso roubar do governo também?... ninguém nasce marginal”. Confinado junto com outros 1.300 detentos num lugar feito para 800, o filme é um recado sobre a famosa hipocrisia tupiniquim, que ignora o que há décadas já se mostrava um ovo de serpente: o estrago causado pela corrupção nos órgãos públicos, do mal e mau uso de verbas públicas para fins privados e coisas do gênero. “Aqui se vem pra se pagar o que se fez à sociedade. Mas ela nunca paga o que fez e o que faz com a gente: desvio de verba, de comida, de remédio, material escolar”, e por aí vamos, ou melhor, íamos, pois a bateria do celular está prestes a acabar, assim como o filme.  (GUIWHI SANTOS)

Saba

SP | 2006, 15’ | Mini-DV/Betacam
De Thereza Menezes e Gregório Graziosi
AO DOCUMENTAR o imóvel cotidiano de dois idosos, Saba poderia cair nas armadilhas de um discurso apelativo ou de vitimização do “inevitável fim de todos nós”, mas, ao contrário, o que confere surpreendente vigor ao curta de Thereza Menezes e Gregório Graziosi é sua extraordinária capacidade de transformar um retrato da decadência física em um olhar humano sobre os limites da natureza da condição humana. Através de planos rigorosos, em geral estáticos, o espaço (a geografia física da casa) e o tempo (a rotina, a dilatação da duração dos planos) tornam-se um só, transcendendo essa dura intimidade da vida dos dois idosos para buscar, a partir da solidão e do silêncio, uma possibilidade de fugir da materialidade da clausura, como sugere seu poético plano final.  (MARCELO IKEDA)

Por Causa do Papai Noel
SC | 2005 | 15’ | 35mm
De Mara Salla
POR CAUSA DO PAPAI NOEL é um curta que corre o risco de ser injustiçado. Afinal, está num incômodo meio-termo entre o gênero infantil e o “tema sério”. Mas se trata de uma obra em que a diretora Mara Salla não teve pudores de mergulhar em um peculiar universo da infância de uma escritora, no caso, Urda Alice Klueger, misturando fantasia de criança e o começo da formação de uma artista. E o start desta formação se dá quando a protagonista quebra a perna - ou seja, o que era pra ser algo castrador para qualquer criança, vira um episódio transformador para sua vida, já que ela passou a ler como nunca. O filme ganha assim uma atmosfera peculiar e mágica, onde os fantasmas e personagens criados pela autora mirim acabam interferindo no seu cotidiano. (CHRISTIAN CASELLI)

Sobre o Suflê
MG | 2006 | 10’ | 16mm/DVD
De Daniel Van, João Toledo, Marco Túlio Gontijo e Silva
UM EXERCÍCIO sobre quase nada, o que pode ser muito. Um imenso plano seqüência tem início até chegar, via travelling, num bar onde três amigos jogam conversa fora enquanto bebem. Importante a sutil presença da edição de som, ajudando a trama a ser tão auditiva quando visual, coisa rara nos curtas em geral, e que aqui faz a diferença. Sobre o que o trio conversa? Sobre suas relações amorosas; mas isso é o que menos importa: trata-se apenas de um pretexto para se brincar de se fazer cinema. Só que a brincadeira vai além, cumprindo seu papel de deixar em aberto as possibilidades de desfecho – o qual, enfim, é conduzido de forma contrária ao início do filme. Se o filme começa com um plano movimento, termina num imenso plano geral e estático, colocando-nos visualmente longe da ação e indicando um final em aberto, onde cada espectador vai por um caminho, assim como as personagens.  (GUIWHI SANTOS)

Anfitriões
RJ | 2006 | 9’ | 35mm
De Bruno Tinoco Garotti
DESDE A PRIMEIRA vez que vi Anfitriões, no Festival de São Paulo, fiquei impressionado com o clima soturno e enigmático que o curta alcança, sobretudo quando vi a sonâmbula soprano costureira (veja o filme...). Mas o que faz Anfitriões ser mais do que um mero filme de terror é uma inversão muito bem feita, uma espécie de surrealismo às avessas. Afinal, o absurdo aqui não são pesadelos nem delírios do inconsciente, mas sim um “herói” vítima do fruto dos sonhos de pessoas aparentemente inofensivas. Vítima também dos desejos escondidos aflorados no escuridão do sono. O horror aqui é bastante concreto, mas tão ou mais bizarro do que qualquer evento sobrenatural. (CHRISTIAN CASELLI)

Material Bruto
MG | 2006 | 19’ | Mini-DV/DVD
De Ricardo Alves Junior.
POUCOS FILMES são tão simples e impactantes como este. Poucos planos, poucos cortes e/ou movimentos de câmera. Um cinema transtornado, de personagens que quase só precisam de seus corpos para fazerem sentidos na trama que, em si, nem existe, não passando de “performances” dos freqüentadores de centros de convivência da rede pública de saúde de BH. A captação e edição de som se destacam, assim como a fotografia em P&B, bem como os cortes por vezes não convencionais deste estranho filme. “Treme-treme”, “mulher náusea” ou outra que fala uma língua desconhecida, mas tatuada em sua pele, pessoas/sintomas de uma decadente sociedade esquizofrênica. Mesmo assim, neste melancólico filme, “o sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações”...   (GUIWHI SANTOS)

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