"Aruanda" no TELA BRASILIS desta quinta no MAM

Por Guilherme Whitaker em 24/04/2005 14:34


tela brasilis
cineclube


Sessão de Abril - 28/04/05
Aruanda + O Grande Momento 


A sessão Tela Brasilis do dia 28 de Abril traz como tema o Cinema Novo. O movimento não vem propriamente representado pelos filmes, mas na forma de filmes tidos como seus deflagadores.

Em 1957, Roberto Santos lança O Grande Momento, com um tratamento próximo das personagens, retratadas com humor leve, com marcada inspiração neo-realista. O filme foi muito bem recebido pela crítica e elogiado por Alex Viany em sua Introdução ao Cinema Brasileiro (1959), que via no filme uma nova forma de se fazer filmes, inaugural de uma nova estética no cinema brasileiro. Em 1960, Linduarte Noronha lança seu Aruanda, totalmente novo na estética documental, trazendo as falas e os rostos do povo do interior do Nordeste, com um tratamento fotográfico de muito impacto. Em sua Revisão Crítica do Cinema Brasileiro (1963), Glauber afirmou que Aruanda "inaugura o documentário brasileiro nesta fase de renascimento que atravessamos." Um filme de São Paulo, outro da Paraíba. Um longa, um curta. Um filme ficcional, outro documental. Dois filmes que guardam grandes diferenças entre si, mas que podem ser unidos numa visão retrospectiva do Cinema Novo, como precursores do movimento essencialmente carioca.

Seria o Cinema Novo um movimento artística de estética única, marcada e reconhecível? Os críticos e teóricos apontam que o Cinema Novo é muito mais um movimento político de um certo grupo, uma certa geração, do que uma escola estética. Então que características deve ostentar um filme para que seja considerado precursor deste movimento?

Após a sessão haverá um debate com a platéia conduzido por Vladimir Carvalho. Nascido na Paraíba, Vladimir iniciou sua carreira de cineasta justamente com sua participação em Aruanda. O filme, realizado por jovens conterrâneos de Carvalho, logo teve grande repercussão no meio cinematográfico nacional. Anos depois, já tendo realizado o importante documentário O País de São Saruê e tendo trabalhado com grandes nomes do cinema brasileiro, Carvalho se instala em Brasília para trabalhar na UnB. O novo cenário se torna marcante em sua obra - embora o cineasta não tenha abandonado completamente a temática nordestina. Além das obras citadas, Vladimir tem em seu currículos filmes como O homem de areia, Cabra marcado para morrer, Opinião Pública, O Evangelho segundo Teotônio, Brasília, a última das utopias e Conterrâneos velhos de guerra.


Programa da sessão

Tela Brasilis
Quinta-feira, 28 de abril

18:00 - Abertura.
18:30 - Exibição dos filmes, seguida de debate.

Aruanda (1960), de Linduarte Noronha
O Grande Momento (1957), de Roberto Santos

Debate com Vladimir Carvalho, após a sessão.

Local: Cinemateca do MAM - Av Infante Dom Henrique 85 - Parque do Flamengo - Rio

Entrada Franca

Sinopses dos filmes:
Aruanda (1960), de Linduarte Noronha, é um documentário de curta-metragem sobre a Festa do Rosário na pequena comunidade de Olho d’Água, no alto sertão da Paraíba, descrevendo o trabalho cotidiano deste ex-quilombo no cultivo do algodão e na fabricação da cerâmica. P/B, 20 min.

O Grande Momento (1957), de Roberto Santos, conta as histórias de um casal de classe média em busca de dinheiro para realizar sua festa de casamento.  Com: Gianfrancesco Guarnieri, Myriam Pérsia, Paulo Goulart, Milton Gonçalves, Lima Duarte. P/B, 80 min.

O programa Tela Brasilis ocorre todas as últimas quintas do mês. É uma iniciativa de alunos de Cinema da UFF, com apoio da Revista Eletrônica de Cinema Cinestesia www.cinestesia.com.br, e da Cinemateca do MAM, local de sua realização. 


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