"Sambatown" representará Ribeirão Preto no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

Por Guilherme Whitaker em 04/01/2012 09:14


A notícia veio em meados de dezembro, quando os produtores da Usinanimada, de Ribeirão Preto, souberam da indicação para um dos eventos mais importantes do cinema nacional. O curta de animação “Sambatown”, não bastassem as conquistas desde sua estreia em Cuba, em 2010, foi selecionado para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2012, no Rio de Janeiro.

“É completamente diferente de um festival, não tem exibição de filmes”, diz o diretor de arte Rogério Shareid, 34 anos, que compara o encontro da Academia Brasileira de Cinema a uma celebração com requinte de Oscar norte-americano.

Shareid considera que a trama em torno de um triângulo amoroso, em um canto qualquer da América Negra, está no páreo, fato evidente na vitória do 32º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericana e na indicação para a mineira Mostra Internacional de Tiradentes, no final de janeiro. Na região, o curta de quase seis minutos circulou por mostras competitivas de São Simão, dos Estúdios Kaiser, além de ter feito parte da programação do Dia Internacional da Animação.

Mas o nível dos outros postulantes ao prêmio na categoria de animação é alto, reconhece, citando “Céu Inferno e Outras Partes do Corpo”, de Rodrigo John, como um dos favoritos. “Bomtempo”, “Caixa”, ”Engolelogoumajacaentão”, “Fátima”, “Furicó e Fiofó”, “Izamara” e “O Céu no Andar de Baixo” fecham a lista de candidatos ao primeiro lugar no segmento de curta de animação.

Em outros gêneros, como ficção e estrangeiro, concorrem sucessos de público como por exemplo “Bruna Surfistinha”, “As Mãos de Chico Xavier”, “Meu País” e “A Árvore da Vida”. Ter o nome associado ao “Grande Prêmio”, algo inédito em dez anos desde a fundação da “Usina”, tem sabor especial, mesmo para quem já foi laureado fora do país. “A visibilidade do prêmio é muito grande”, diz.

Embora outra produção do grupo, a sátira “Rai Sossaith”, já tenha conquistado mais prêmios Brasil afora, Shareid reconhece em “Sambatown” uma conjunção de esforços, especialmente a pesquisa em torno da cultura africana e de seu impacto na América Latina. “Considero uma obra de arte, o Cadu foi muito feliz, tem uma contribuição artística muito forte”, afirma, citando o diretor geral e autor da película, Cadu Macedo.

Série infantil
A única certeza após listar na célebre lista dos indicados no Rio de Janeiro, ou quem sabe angariar o mérito maior, é de mais trabalho. De suas fornalhas criativas, a Usinanimada, com profissionais espalhados por Ribeirão Preto, São Paulo e São Carlos, deve retirar em breve o desfecho da série de TV “Laurinha”, voltada para o público infantil. “Consiste no universo de uma menina de 5, 6 anos, e uns personagens, bichinhos de pelúcia, que não interagem com ela, mas que têm relação entre si”, explica.

A estória, ainda sem contrato de exibição, surgiu após a realização de uma pesquisa com crianças, através de entrevistas e atividades lúdicas como oficinas de desenho. “Esses desenhos nos alimentam como referência. A gente capta, grava as vozes e constrói a trama dentro do olhar delas.”

A ascensão de projetos educacionais e artísticos e a decorrente queda nos trabalhos de publicidade – área em que Ribeirão Preto tem vocação - garantem bons ventos para a agência. Shareid, no entanto, acredita que a cidade tem muito ainda a crescer em espaços e eventos de difusão das produções audiovisuais de arte. “Pelo porte da nossa cidade, acho um pouco pequena essa difusão nessa área. Tem muito potencial pra se desenvolver, e está se desenvolvendo. (...) Tem muita gente boa, mas acaba indo mais para publicidade.”

 

Por Rodolfo Tiengo

http://eptv.globo.com/ribeiraopreto/variedades


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