ALEX FERREIRA É FINALISTA DO RNA 2015 DOCUMENTARIES CONTEST. ::  | Curta o Curta

ALEX FERREIRA É FINALISTA DO RNA 2015 DOCUMENTARIES CONTEST.

Por Cristina Reis em 03/08/2015 15:26


O documentarista curitibano Alex Ferreira é finalista do RNA 2015 Documentaries Contest. Em sua 66ª edição este é um dos cinco mais tradicionais concursos do gênero dos EUA. A parada não será fácil, pois o curta documentário “O Excomungado” do brasileiro concorrerá contra trabalhos da CNN e da Reuters. Em janeiro o documentarista já havia sido semifinalista no Festival de Sundance – Screenwriters Lab 2015 -, o mais prestigiado do cinema independente americano.  A grande final do RNA acontece dia 29 de agosto, na Filadélfia, nos EUA, para onde o brasileiro segue para participar do banquete de premiação.

 

O filme foi gravado no interior de São Paulo, em Bauru, em 2013, e foi produzido pela DOCSFILMS de Curitiba, produtora de documentários brasileira voltada ao mercado internacional. O curta tem 30 minutos e conta a história de Padre Beto, excomungado pelo Vaticano em 2014 por pregar idéias humanistas. Embora querido por milhares de adeptos em todo o país e com missas lotadas, sua excomunhão foi assinada pelo Papa Francisco o que o tornou mundialmente conhecido por ser o primeiro padre excomungado por pregar ideias humanistas desde Giordano Bruno, em 1600, 414 anos depois.

 

Aproveitando sua estadia nos EUA, Alex Ferreira vai gravar cenas para o seu próximo documentário As Vozes de Deus, que tem o apoio institucional da IHEU, organização Britânica, filiada à ONU, com 63 anos de atendimento à populações vítimas de conflitos religiosos no mundo. York é uma delas. Veja um trailer do Documentário: http://docs-films.com/portfolio-view/evento-10/

  

Confira entrevista com Alex Ferreira.

 

Coc – Alex, você tem um currículo extenso, uma dedicação extensa, como é pra você estar ampliando mais o nossa linguagem cinematográfica internacionalmente?

Foi com muita alegria que recebi a notícia de que meu filme estava entre os dez finalistas e que iria concorrer ao prêmio principal. Mas vi, também, com muita seriedade. Afinal, está é a 66ª edição do concurso. É uma tradição enorme. E sou o primeiro brasileiro entre os finalistas. Valorizo intercâmbios com os EUA e Europa, pois eles valorizam quem produz filmes com conteúdo e, ao mesmo tempo, em formato comercial. No meu ponto de vista, o Brasil deveria aprender com isto. Somos muito fechados na ideia de que um documentário tem que trazer uma verdade. É uma influência da esquerda. Quem é quem tem a verdade? Contar uma história bem contada já é, em si, um feito e tanto.

 

COC – Como está sendo pra você essa receptividade com tantas honrarias para com o seu trabalho? merecidas, claro.

Um dos maiores prazeres que alguém pode ter na vida é fazer o que gosta. Obter reconhecimento por isso, então, é a coroação de muita luta.

 

COC – Como é ser um documentarista brasileiro?

Se você quiser viver disto, não deve pensar nem agir como brasileiro. Tem que olhar para o mundo, para quem compra, produz e vende documentários, isto é, Europa e EUA. Fazer documentários contando com a decisão burocratas é digno dos tempos da URSS. Depois, quem compra documentários aqui? Isto é brincar de fazer documentário. Eu queria viver disto. Demorei muito para abrir este espaço e este reconhecimento lá fora. O resultado sempre aparece.

 

COC - O Excomungado? Foi com intuito de libertar a verdadeira imagem do Padre Beto? Ou pra constatar fatos que geraram polêmica? OU nada disso? Pode me falar  desse encontro com esse trabalho? Como surgiu? Por que?

Quando correu o mundo a notícia de que um padre foi excomungado por pregar idéias humanistas, 414 depois de Giordano Bruno, uma luz amarela se acendeu nas sociedades desenvolvidas. Organizações internacionais voltadas a vigiar a liberdade soaram o alarme. As pessoas se interessaram em saber o que aconteceu. Por que a liberdade de expressão estava sendo cerceada? A repercussão foi enorme. Então, esta era uma pauta internacional. A mim coube apenas contar a história.

 

COC – Está ansioso aguardando o resultado do prêmio? Frio na barriga? Existe uma emoção?

Sim. Muito! Quem produz e inscreve um documentário em um concurso, sempre sonha com o sucesso do seu trabalho. Posso afirmar, a realidade está sendo muito melhor. O paradoxo é que eu que produzo filmes me vejo, agora, como que vivendo um filme. Estou curtindo o momento. E trabalhando muito também, pois a agenda para quem vai concorrer é grande. São vários encontros com jornalistas e eventos paralelos.

 

COC – E o doc. Brasileiro? Sua opinião sobre o documentário brasileiro.

Acho que a produção brasileira de documentários é muito influenciada pela ideologia de esquerda. Certa vez, certo canal cultural na TV aberta lançou um pitching cujo tema era “pobreza”. A produção cultural brasileira é muito vermelha. Um filme meio rosado tem poucas chances em festivais daqui. Meu filme tem outra cor. Espero que intercâmbios assim ajudem a arejar o ambiente e traga outras cores à nossa produção. O Brasil é um dos países mais fechados do ocidente.

 

COC – Poderia citar algum grande documentarista brasileiro que você admira? Por que?

Muitos. Tem muita gente boa. Não vou citar ninguém, pois posso esquecer de alguém.

 

COC – Pode falar um pouco sobre Vozes de Deus?

As Vozes de Deus é um documentário que é uma pesquisa sociológica sobre Deus. É multiplataforma, pois pessoas do mundo todo podem participar postando suas respostas na página do filme no Facebook e/ou no site deste na internet. Já que Deus é o personagem principal em 10 dos 10 maiores conflitos sangrentos no mundo hoje, a ideia é perguntar às pessoas, então, como é, afinal, em detalhes Deus? Então, pela primeira vez 7 perguntas sobre Deus estão sendo feitas para pessoas de todos os credos, raças, sexos, e de diferentes classes sociais, do rico ao pobre, do servente ao cientista, do técnico ao Prêmio Nobel, e para diversas estrelas do mundo pop, dos esportes, da política e das artes. A produção vai entrevistar as pessoas em 7 cidades cosmopolitas, e Nova Iorque é uma delas. O resultado e uma enorme colcha de retalhos formada por centenas de diferentes opiniões sobre como é Deus. O filme traz uma mensagem positiva de tolerância religiosa, liberdade e democracia.

 

COC – Quer muito o RNA 2015 Documentaries Contest? Ou tanto faz?

Quero muito! É uma honra poder estar participando de um concurso tão tradicional e tão concorrido. Meu documentário está concorrendo com trabalhos de profissionais que vem da CNN, da Reuters entre outros. É uma honra.

 

 

 


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