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Cactos Intactos lança DVD no Beco do Rato - Na Lapa, Grátis

Por Guilherme Whitaker em 13/12/2005 17:22


Cactos Intactos no Beco do Rato
Nesta 5a. a partir das 19:30, grátis, na Lapa carioca


É com alegria que venho informar que as sessões de curtas e documentários brasileiros no Beco do Rato estão agradando e agitando esse cantinho quase esquecido da Lapa, fronteira com a Glória.

Teremos para a nossa última sessão do ano algo que causará inquietação e, torcemos, mobilização cada vez mais organizada. Cactos Intactos e sua guerrilha cultural estará na área.

Não percam o pré-lançamento do primeiro DVD do grupo. Serão 10 trabalhos que totalizarão aproximadamente 1 hora de projeção. Será dia 15 de dezembro, com concentração a partir das 19:30. Como sempre, o Receita de Choro abrirá os trabalhos da noite com o melhor do chorinho de todos os tempos e lá pelas 22:00 cinema guerrilha da melhor qualidade.

Com isso ganharemos fôlego para a reabertura do espaço de cinema mais democrático do Rio, dia 12 de janeiro, quando exibiremos os trabalhos da Raça Filmes.

E para a última sessão do ano, redigimos abaixo a "Última Canção do Beco", com objetivo de estimularmos mais uma atividade cultural no Beco, que já conta com samba, cinema e choro. O primeiro que recitar todo o seu conteúdo ganhará um brilhante brinde do Cinemaneiro. com a marca do rato do Beco. Preparem-se e recitem. Quem sabe não teremos em breve uma noite da semana dedicada exclusivamente a poesias? Os frequentadores são quem decidem.

É isso. Até lá e não deixem de comparecer ao Cineclube ABDeC. Todos os sábados, na Casa de Rui Barbosa, sempre às 16:00, um bom programa de curtas. Nesse sábado, dia 17 de dezembro teremos sessão Fora do Eixo, com nossos últimos curtas, inclusive uma estréia.

Abraços a todos,  Frederico Cardoso

Cineclube BECO DO RATO
Rua Morais e Vale, Beco (entre e paralela às Av. Augusto Severo e a Rua da Lapa ou, para quem preferir, entrem pela Joaquim Silva e siga na direção da Glória, até cruzar com o nosso evento).


ÚLTIMA CANÇÃO DO BECO
Manuel Bandeira

Beco que cantei num dístico
Cheio de elipses mentais,
Beco das minhas tristezas,
Das minhas perplexidades
(Mas também dos meus amores,
Dos meus beijos, dos meus sonhos),
Adeus para nunca mais!

Vão demolir esta casa.
Mas meu quarto vai ficar,
Não como forma imperfeita
Neste mundo de aparências:
Vai ficar na eternidade,
Com seus livros, com seus quadros,
Intacto, suspenso no ar!

Beco de sarças de fogo,
De paixões sem amanhãs,
Quanta luz mediterrânea
No esplendor da adolescência
Não recolheu nestas pedras
O orvalho das madrugadas,
A pureza das manhãs!

Beco das minhas tristezas.
Não me envergonhei de ti!
Foste rua de mulheres?
Todas são filhas de Deus!
Dantes foram carmelitas...
E eras só de pobres quando,
Pobre, vim morar aqui.

Lapa-Lapa do Desterro-,
Lapa que tanto pecais!
(Mas quando bate seis horas,
Na primeira voz dos sinos,
Como na voz que anunciava
A conceição de Maria,
Que graças angelicais!)

Nossa Senhora do Carmo,
De lá de cima do altar,
Pede esmolas para os pobres,
Para mulheres tão tristes,
Para mulheres tão negras,
Que vêm nas portas do templo
De noite se agasalhar.

Beco que nasceste à sombra
De paredes conventuais,
És como a vida, que é santa
Pesar de todas as quedas.
Por isso te amei constante
E canto para dizer-te
Adeus para nunca mais!


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