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CINE PE - Primeiro dia dos Curtas: bobagens divertidas e etc.

Por Guilherme Whitaker em 30/04/2009 11:19


Primeiro dia dos Curtas: bobagens divertidas e etc 

Segunda-feira, primeiro dia de festival, não houve uma espécie de solenidade, mas uma homenagem ao Costa-Gavras perto das 21h. Antes disto, às 18h30, rolou a primeira competitivas de curtas, os digitais no início e os de 35mm depois. Começou com a bem bolada animação “A Ilha”, de Alê Camargo, do DF, que tem se destacado na computação 3D fazendo obras para todo o tipo de público. Este, por mais que possa agradar as crianças, contém uma crítica bastante contundente às grandes cidades – a tal “Ilha” do título é situada num mar de carros no meio de uma avenida ultramovimentada, onde um pedestre “náufrago” passa por apertos. A tendência popular desta sessão se confirmou com o seguinte, “Manual para se Defender de Alienígenas, Zumbis e Ninjas”, que, como o próprio nome já anuncia, é uma grande brincadeira. Seu realizador, Andre Moraes, tem se aperfeiçoado em fazer um tipo de cinema bastante específico no Brasil, lembrando um pouco o “terrir” de Ivan Cardoso e o estilo do espanhol Alex de La Iglesia (autor de filmes como “Accion Mutante” e “Crime Perfeito”). Há quem enxergue uma acefalia nas obras de André, mas é inegável seu “time” para o estilo e que sua despretensão pode ser mais bem vinda do que muita sisudez. É uma pena, pois parece que muitas vezes no Brasil “filme de arte” tem que ser confundido com tédio importado da Europa e tristeza afetada.

“Manual etc. etc.” estava conduzindo bem a platéia, mas seu fim meio abrupto esfriou os ânimos. Porém o próximo curta pegou de vez a platéia pelo cangote: “O Troco” (foto acima). Feito pelo paulista André Rolim, é uma vingança contra as operadoras de telemarketing, onde um casal típico de subúrbio paulistano inferniza uma atendente da firma Enganatel (sic). Pra quê. A platéia foi abaixo. Diversos aplausos em cena aberta foram dados. O povão se sentia vingado diante daquela situação já vivida por todos. Poucas vezes vi um curta metragem ser tão ovacionado. Isto prova que uma realização bem feita e bem bolada pode ser muito mais eficiente do que uma obrigação em se fazer algo experimental ou qualquer coisa que o valha.

Falando nisso, o que veio depois foi o mais autoral da noite. O belo documentário “Menino Aranha”, de Mariana Lacerda, acerta em cheio em contar a história do garoto do título, que ficou conhecido por escalar prédios em Recife com apenas 7 anos de idade. O conceito do filme é um grande achado: vozes em off contando a história do Menino, enquanto prédio altos e ricos são belamente filmados em gruas e stadycams. Foi o melhor da noite, seguido por “Ana Beatriz”, de Clarissa Cardoso, outro de Brasília. Com uma história meio classe média e açucarada demais, trata de encontro de uma vendedora de roupas num shopping e um rapazola, que ainda se casal e que talvez viveram felizes para sempre. Trabalho de fim de curso da realizadora, o filme vale um pouco pelas experiências em stop motion com câmera fotográfica, mas não é o suficiente. Mas Clarissa pareceu ser uma pessoa bacana que está “no auge de seu começo de carreira”, então esperemos por sua próxima realização. Por último, o curioso “Blackout”, de Daniel Rezende, encerrou bem a sessão. Pra quem não sabe, o jovem Daniel, de 20 e poucos anos, é simplesmente o montador de “Cidade de Deus” (com o qual concorreu ao Oscar), “Tropa de Elite”, “Ensaio sobre a Cegueira”, mas tinha qualquer pose de ostentação ao conversar no debate. E “Blackout”, sua estréia em um curta 35mm, queria fazer algo totalmente diferente do seu metier, já que se trata de um quase plano-sequência. “Queria experimentar uma coisa sem corte, mas notei que a edição se faz ao vivo”, declarou pra gente. Nas imagens vale a pena ver Wagner Moura, ator do polêmico Capitão Nascimento de “Tropa de Elite”, fumando um baseado.

(Christian Caselli viaja a convite do festival)


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