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Cinema digital decodificado

Por Guilherme Whitaker em 29/05/2006 19:18


Cinema digital decodificado

O IDIFF, em sua quarta edição, ocorreu em Cannes e conseguiu dar mostras de ter atingido uma consolidação, tanto em termos de visitantes quanto de expositores 

Num momento em que a projeção digital está aos poucos se tornando, pelo menos em nível internacional, uma oportunidade comercial, o International Digital Film Forum (IDIFF) é um evento que continua a dar sinais de crescimento, num processo que se pode afirmar como paralelo ao do próprio cinema digital.

Essa é uma fase de desenvolvimento industrial para o setor do cinema digital, materializado numa maior oferta de câmeras e em muitos projetos de equipamento digital a serem desenvolvidos e, devido a essas inovações, o IDIFF presta especial atenção aos distribuidores e profissionais do setor da exibição em salas de cinema.

Para os que ainda não conhecem, o IDIFF assume-se como o único evento, exclusivo para profissionais, totalmente dedicado à reflexão sobre o cinema digital e focado nas transformações técnicas em toda a sua cadeia de produção, principalmente na captura, pós-produção e transmissão. Como nos anos anteriores, o IDIFF 2006 aconteceu no magnífico Palais des Festivals, em Cannes, entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. O número de expositores continua a aumentar, bem como o de visitantes, e tudo indica que esse será um pólo crescente de interesse dos profissionais, à medida que a produção em suporte digital ganha espaço e adeptos. Prova disso é que, segundo dados da organização, de apenas 60 visitantes e seis expositores em 2003, passou para 300 visitantes e 12 expositores em 2004 e 480 visitantes e 20 expositores em 2005. Em 2006, foram 690 os profissionais presentes, crescimento de 50% comparativamente ao ano anterior, e mais de 30 expositores, sendo que as principais marcas desse setor já confirmaram presença para a edição de 2007.

Mercado digital

Foram seis as áreas à volta das quais se desenrolou o IDIFF deste ano: a própria feira, workshops, conferências, as visualizações, o mercado e a formação, apesar de essa última faceta ser apenas proporcionada em francês.

Uma das novidades foi o novo Digital Film Market (DIFIM), um mercado que possibilitou a compilação dos conteúdos digitais que estão disponíveis para a grande tela, que resultou numa listagem que pode ser consultada no site do IDIFF.

Outras das iniciativas que se realizaram pela primeira vez nessa edição foram os prêmios de cinema digital, que reconheceram os pioneiros do cinema digital, atribuindo o troféu de realizador do ano a Georges Lucas por Star Wars III, o de produtor do ano a Rick McCallum também por Star Wars III, o de distribuidor do ano a Jean-Michel Rey, cuja empresa, Rezo Films, distribuiu o filme Saraband, de Ingmar Bergman, em formato digital, e o de exibidor do ano a Eberhard Mertz, proprietário de quatro salas com projeção digital na Alemanha.

Houve também a oportunidade para assistir à projeção dos filmes Burt Munro, Silence Becomes You, Le Grand Charles and Les Bronzés 3 e Amis pour la Vie, esse último uma produção que foi integralmente processada, pela primeira vez na Europa, em JPEG 2000.

Onde o futuro do cinema é antecipado

Um aspecto-chave do IDIFF são as conferências, que geralmente contam com a presença de oradores reconhecidos no setor e de nível internacional, numa atitude de partilha de informação com os profissionais presentes, sobre as transformações tecnológicas que ocorrem em toda a cadeia de produção de cinema. Os temas de 2006 foram direcionados para captura de imagem, efeitos especiais, gradação digital de cor e projeção e foram focados assuntos como os modelos de financiamento do cinema digital, a durabilidade dos equipamentos de projeção digital e sua renovação, entre outros. E, como aconteceu em edições anteriores, o município de Cannes organizou em 2 de fevereiro uma conferência, que neste ano foi dedicada ao modo como a masterização e a exibição estão relacionadas com a evolução do cinema digital.

Destaque também para o case-study apresentado por Keefe Boerner, dos Troublemaker Studios, e por William Feightner, da Efilm, sobre Sin City, um filme que é bem representativo de como as tecnologias digitais podem ser utilizadas no cinema.

Por outro lado, os workshops são uma oportunidade para os realizadores testarem, em condições reais, as câmeras digitais que estão disponíveis no mercado, como a D-20 (Arri), a Genesis (Sony/Panavision), a HDWF950 (Sony), a Viper (Grass Valley) e a Varicam (Panasonic). A instalação de duas suítes de gradação de cor também proporcionou a visualização e a pós-produção dessas imagens em 2K. As grandes marcas contribuíram igualmente com apresentações, como foi o caso da Arri (que mostrou imagens filmadas com a D-20), a Panasonic, a Sony e a Dolby, entre muitas outras. O IDIFF, cada vez mais, é um evento a que vale a pena prestar atenção. PP 

Fonte: www.producaoprofissional.com.br
Postado por: Pedro Lobito - www.pedrolobito.com



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