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CIRCUITO EM CONSTRUÇÃO

Por Guilherme Whitaker em 25/07/2008 12:49


Nos dias 10, 11, 12 de Julho, o Cineclube Tela Brasilis promoveu, no SESC Copacabana, a primeira fase do projeto CIRCUITO EM CONSTRUÇÃO – Seminários Estaduais Para a Auto-Sustentabilidade Cineclubista, sob os auspícios do Fundo Nacional de Cultura da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, com o apoio do o Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC) e da Programadora Brasil.

Aqui no Rio de Janeiro, o Seminário teve caráter nacional. Foram convocados 1 ponto de exibição de cada estado brasileiro, num total de 25 (Acre e Pernambuco não puderam comparecer). Estes participaram de oficinas, palestras e grupos de trabalho orientados por profissionais de cada área, que também escreveram textos inéditos exclusivamente concebidos para uma cartilha distribuída gratuitamente para os participantes.    

Oficina: Leis de Incentivo / 10 de Julho / 09hs às 12hs
Antonio Leal, Consultor de projetos culturais incentivados

Debate: Auto-Sustentabilidade / 10 de Julho / 14hs às 17hs
Eduardo Ades, Diretor Associação Cultural Tela Brasilis / Cineclube Tela Brasilis
Josinaldo Medeiros, Presidente Cidadela – Arte, Cultura e Cidadania / Cineclube Beco do Rato
Daniela Araújo, Coordenação do Núcleo de Produção Audiovisual da Bem Tv – Educação e Comunicação
Marlon Amaro, Produtor Cineclube Nós na Fita
Adaílton Medeiros, Diretor-executivo da PontoCine


Oficina: Direitos Autorais / 11 de Julho / 09hs às 12hs
Leandro Mendonça, Professor e pesquisador em cinema, advogado especialista em direitos autorais



Debate: Programação / Distribuidores de Conteúdo / 11 de Julho / 14hs às 17hs
Felipe Macedo, Cineclubista, coordenador do projeto PopCine, assessor em relações internacionais e projetos especiais do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC)
Germana Lucia de Araújo, Gerente de Projetos Especiais da RIOFILME
Frederico Cardoso, Coordenador Institucional Programadora Brasil
Guilherme Whitaker, Diretor/produtor de curtas, curador/organizador de eventos (Mostra do Filme Livre, Feira Audiovisual do Rio, entre outros), cineclubista, e vice-presidente da ABDNacional (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas)


Debate: Formação de Redes Locais / Constituição de Federações Estaduais / 12 de Julho / 09hs às 12hs
Luiz Alberto Cassol, Vice-Presidente CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros)
João Baptista Pimentel Neto, Secretário Geral CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros), Presidente da Federação de Cineclubes do Estado de São Paulo e Assessor de Relações Institucionais do FAIA (Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual)
Rodrigo Bouillet, Diretor Geral ASCINE-RJ (Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro)
Marcio Blanco, Coordenador do FEPA (Fórum de Experiências Populares em Audiovisual), Diretor Institucional da ABDNacional (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas), Diretor da Associação Imaginário Digital, educador e cineasta
Sáskia Sá, Presidente da ABD Capixaba, Diretora Interina Administrativa ABDNacional (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas)
Nádia Moreno, Assessora da Gerência de Cultura para área de Cinema - Divisão de Programas Sociais do Departamento Nacional do SESC


Grupos de Trabalho: Avaliação Geral / Preparação dos Seminários Estaduais / 12 de Julho / 14hs às 17hs
Todos os participantes + organizadores do seminário


O CIRCUITO EM CONSTRUÇÃO irá percorrer o Brasil. Para a segunda etapa do projeto, serão realizados, em todos os Estados, Seminários multiplicadores da experiência do Seminário Nacional realizado no Rio de Janeiro guiados pelo cineclubista participante do Seminário Nacional e um membro do Tela Brasilis. Haverá a publicação de uma nova cartilha a partir da transcrição dos debates do Seminário no Rio de Janeiro para distribuição gratuita nos estados.


No dia 10 de Julho, a Diretoria do CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros), na figura de Antonio Claudino de Jesus, Luiz Alberto Cassol, João Baptista Pimentel Neto, Rosangela Rocha dos Santos e Débora Butruce conversaram com os cineclubistas dos 25 estados presentes sobre a Jornada Cineclubista deste ano. Foi exposta a inviabilidade de ela ocorrer no Estado do Rio de Janeiro e todos aprovaram por seu adiamento, mas com realização ainda este ano. Alguns cineclubistas manifestaram-se sobre a possibilidade do encontro acontecer em seus estados.

No dia 11 de Julho houve um encontro com Marcello, assessor do Deputado Federal Jorge Bittar. Ele fez um breve retrospecto sobre o Projeto de Lei 29, em tramitação no Congresso Nacional, e falou sobre as forças que agem sobre suas sucessivas alterações e revisões, além de citar o trabalho de deputados que têm sido companheiros das questões culturais.

Antonio Claudino de Jesus, Presidente do CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros), em nome do Seminário, manifestou-se favorável ao substitutivo apresentado pelo relator, e demandou a criação indispensável de uma forma de "empacotamento" dos canais e serviços a serem oferecidos pelos diferentes operadores, que garanta ao público – ao assinante – o inalienável direito de escolher cada canal que deseja subscrever na televisão por assinatura. Além disso, Claudino destacou o trabalho da ASCINE-RJ como referência nacional e devido agraciamento da entidade por dotações orçamentárias para sua sustentação e expansão do cineclubismo fluminense.

No dia 12 de Julho, a Diretoria do CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros), os cineclubistas dos 25 estados presentes e ainda representantes de outras entidades conceberam e assinaram a Carta de Copacabana. Importante documento formulado a partir das questões amplamente debatidas durante todo o decorrer das atividades do Seminário, a Carta versa sobre questões nevrálgicas do cineclubismo brasileiro como a Carta de Tabor do Direitos do Público (tanto por meio da ampla e imediata revisão da legislação de direito autoral quanto pelo Projeto de Lei 29 através do direito de escolha de qual canal deseja-se subscrever); a responsabilidade do Estado, em todos os níveis, de proteger e estimular o cineclubismo; a representação cineclubista na gestão e participação na nomeação dos responsáveis pelo audiovisual em organismos públicos; a reestruturação da Programadora Brasil; o posicionamento público e concreto do Ministério da Cultura quanto aos projetos Pontão Cineclubista, a Filmoteca Carlos Vieira e o Plano Nacional de Formação de Agentes Cineclubistas; e a realização do Seminário Nacional de Cinema e Educação – Cinema-Escola-Comunidade.

Próxima reunião da ASCINE-RJ (Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro), será realizada na terça-feira, dia 29 de JULHO de 2008, às 18h30, no auditório do STIC. Contato: bouillet@telabrasilis.org.br


A Carta de Copacabana

Reuniram-se na sede do SESC Copacabana, entre os dias 10 e 12 de julho de 2008, representantes de cineclubes e outras iniciativas independentes de organização e trabalho cultural audiovisual, em especial pontos de cultura, vindos de 24 estados brasileiros e do Distrito Federal. Este Encontro, que certamente constitui – por sua abrangência e representatividade – um marco histórico no intercâmbio de vivências culturais em âmbito nacional, foi realizado por iniciativa e graças à competência da Associação Cultural Tela Brasilis, tendo contribuído na sua organização o Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, o Serviço Social do Comércio e a Programadora Brasil, com patrocínio do Fundo Nacional de Cultura e Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

Também participaram do Seminário membros da Associação Brasileira de Documentaristas e do Fórum de Experiências Populares em Audiovisual – que em muitas regiões e localidades atuam de maneira integrada com os cineclubes – além de outras instituições do meio audiovisual brasileiro.

A convocatória do cineclube Tela Brasilis chamava para a discussão e levantamento de propostas concretas para a organização de uma ampla rede de cineclubes e pontos de exibição de caráter cultural, sem fins lucrativos, de forma sustentada, visando criar alternativas concretas ao panorama elitista do ponto de vista social, excludente do ponto de vista econômico, e colonizador do ponto de vista cultural, que vigora nos campos da produção, distribuição e exibição do audiovisual em nosso País. Este chamamento à ação solidária e à organização independente da sociedade e do público do audiovisual é questão central dentre os objetivos do movimento cineclubista do Brasil, reiteradamente aprovado nos congressos nacionais e pré-jornadas, desde 2004.

Ao cabo de três dias de intenso trabalho, rica troca de experiências e vivos debates sobre os grandes temas relativos à situação do audiovisual e sua relação com o público, os presentes aprovaram as deliberações que se seguem e, em homenagem ao ambiente acolhedor e para marcar a lembrança desse tempo de convívio no memorável bairro carioca, decidiram unanimemente chamar este conjunto de resoluções de

Carta de Copacabana

Os representantes de 24 estados brasileiros e do Distrito Federal, reunidos no Seminário Circuito em Construção, com o aval do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, da Associação Brasileira de Documentaristas e do Fórum de Experiências Populares em Audiovisual – demonstrando a grande convergência e identidade de propósitos destas três organizações – deliberaram pelos seguintes princípios e proposições, que devem orientar a organização dos seminários estaduais que darão prosseguimento à tarefa de consolidação de uma rede nacional de cineclubes, assim como devem pautar a ação das entidades signatárias, em suas relações com as instituições do audiovisual, com o Estado e com o público brasileiro. Desta forma, resolvem: Reiterar o apoio aos enunciados da Carta de Tabor do Direitos do Público, entendendo que seus princípios gerais traduzem-se na atualidade brasileira em necessidades concretas, exigindo especialmente:

- Ampla e imediata revisão da legislação de direito autoral que, por sua imprecisão e falta de atualidade contribui para a restrição da circulação dos bens culturais e permite que, através de manobras legais e abusos de poder econômico, se limite de forma escandalosa o acesso da quase totalidade da população brasileira ao conhecimento, à informação e à cultura;

- Ampliação dos espaços de manifestação do público, garantindo uma efetiva equidade de oportunidade e direito de acesso aos meios de comunicação, especialmente os audiovisuais;

- Reconhecimento do direito de organização do público e da responsabilidade do Estado, em todos os níveis, de proteger e estimular essa organização através de dotações orçamentárias para a sustentação das entidades representativas do público – em particular os cineclubes e suas entidades representativas locais, regionais, nacionais e internacionais, e

- Abertura de espaço institucional para a representação dos interesses do público do audiovisual, através de sua associação na gestão e sua participação na nomeação dos responsáveis pelos organismos públicos de produção e distribuição de conteúdos audiovisuais, fomento e controle das atividades públicas e privadas no setor.

Concretizando alguns dos pontos acima, que serão aprofundados e ampliados nos subseqüentes seminários estaduais, o Seminário Nacional resolve:

- Demandar a adequação da estrutura da Programadora Brasil às realidades e necessidades dos cineclubes e outros pontos de exibição audiovisual comunitários, que exigem principalmente a distribuição de filmes sem quaisquer ônus – haja vista que a maioria das entidades que se associaram ao sistema estatal é, hoje, de instituições economicamente consolidadas, de caráter não cineclubista, tais como unidades do Serviço Social do Comércio, prefeituras, etc. Outras normas aplicadas pela distribuidora estatal também precisam ser aperfeiçoadas, no sentido de evitar a descaracterização de seu objetivo primordial, qual seja, o da viabilização de um amplo circuito brasileiro de cineclubes. Para tanto, é indispensável a participação do Conselho Nacional de Cineclubes na elaboração de projetos, regras e procedimentos para o estabelecimento de uma política efetivamente pública quanto ao cineclubismo e à auto-formação do público do audiovisual no Brasil

- Reclamar um posicionamento público e concreto do Ministério da Cultura e de suas secretarias com relação aos projetos já encaminhados pelo movimento cineclubista, especialmente o Pontão Cineclubista, a Filmoteca Carlos Vieira e o Plano Nacional de Formação de Agentes Cineclubistas. O Seminário entende que sem a realização desses projetos fundadores não será possível a concretização de uma política para a exibição audiovisual de caráter cultural no País, bem como o desenvolvimento coerente dos próprios programas governamentais em andamento, como o dos editais para distribuição de equipamentos a cineclubes – eufemisticamente chamados de Pontos de Difusão Digital – e da própria Programadora Brasil.

- Destacar a importância e urgência da questão da educação e do estabelecimento de programas educativos e de integração escola-comunidade com a utilização de recursos audiovisuais, mas não limitados unicamente à perspectiva didático-pedagógica. Nesse sentido apontam a necessidade de organização de uma ampla discussão que envolva todos os segmentos com interesse e experiência nesse campo, recomendando especificamente a realização do Seminário de Cinema e Educação – Cinema- Escola-Comunidade, já proposto ao Ministério pelo CNC, ABD e FEPA.

- Em relação ao Projeto de Lei 29, em tramitação no Congresso Nacional, o Seminário manifesta-se favoravelmente ao substitutivo apresentado pelo relator, e julga indispensável a criação de uma forma de "empacotamento" dos canais e serviços a serem oferecidos pelos diferentes operadores, que garanta ao público – ao assinante – o inalienável direito de escolher cada canal que deseja subscrever e cada um que não deseja receber em sua casa; em outras palavras, é imprescindível o oferecimento de uma opção de assinatura de canais "à la carte" entre as promoções oferecidas pelos provedores de conteúdos audiovisuais na televisão por assinatura.

Todos os presentes também querem destacar a eficiência, atenção e carinho com que foram recebidos e tratados por toda a equipe organizadora do Seminário, lavrando aqui um especialíssimo voto de louvor tanto à importância da iniciativa do Tela Brasilis para o presente e futuro do cineclubismo brasileiro, como pela perfeita organização e condução dos trabalhos.

Rio de Janeiro, 12 de julho de 2008.

Alagoas / Cineclube Ideário / Hermano de Figueiredo Mendes
Amapá / FUNAMA / Eduardo Jose da Costa Neto
Amazonas / Ponto de Difusão Digital ISA / Paulo Junior Alves Rodrigues
Bahia / Cineclube Janela Indiscreta / Veruska Anacirema Santos da Silva
Ceará / Cineclube Acartes / José Gerardo Damasceno
Distrito Federal / Cineclube Bancários / Ana Arruda Neiva Marques
Espírito Santo / Cineclube Central / Mariza Teixeira do Espírito Santo
Goiás / Cineclube João Bennio / Lindoberto Pereira da Silva
Maranhão / Cineclube Praia Grande / Luana Rodrigues de Camargo
Mato Grosso / Cineclube Coxiponés / Moacir Francisco Sant’Ana Barros
Mato Grosso do Sul / Instituto Homem Pantaneiro – Ponto de Difusão / Guilherme Nunes da Cunha Fernandes
Minas Gerais / Cineclube Curta Circuito / Daniela Fernandes Alves
Pará / Cineclube Alexandrino Moreira / Ana Lúcia Lobato de Azevedo
Paraíba / Cineclube Tintin / Liuba de Medeiros Santos
Paraná / Cineclube Araguaia / Eduardo Rodrigues Ferreira
Piauí / Cineclube ABD Antares / Maria Francileide Sousa
Rio Grande do Norte / Cineclube Natal / Pedro Augusto Soares Fiúza
Rio Grande do Sul / Cineclube Lanterninha Aurélio / Paulo Henrique da Silva Teixeira
Rondônia / Projeto Cine Oca / Simone Gonçalves Norberto
Roraima / Ponto de Cultura A Bruxa Tá Solta / Raimundo Nonato Chacon
Santa Catarina / Cinemateca Catarinense e ABD Santa Catarina / Thiago Gonzaga Lopes
São Paulo / CineUFSCar / Leonardo Barbosa Rossato
Sergipe / Cineclube Casa Curta-SE / Rosangela Rocha dos Santos
Tocantins / ASSAMAR / Maria Célia Gomes de Souza

Antonio Claudino de Jesus / Presidente do CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros)
Luiz Alberto Cassol / Vice-Presidente do CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros)
João Baptista Pimentel Neto / Secretário do CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros) e Presidente da Federação Paulista de Cineclubes
Felipe Macedo / Conselheiro Regional do CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros) em São Paulo
Dario Gularte / Conselheiro Regional do CNC (Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros) no Rio de Janeiro
Rodrigo Bouillet / Diretor Geral da ASCINE-RJ (Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro)
Bruno Cabús / Presidente da Federação Capixaba de Cineclubes
Sáskia Sá / Diretora Interina Administrativa ABDNacional (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas)
Márcio Blanco / Coordenador do FEPA (Fórum das Experiências Populares em Audiovisual)

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