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Com mais de 170 filmes, FestCurtasBH traz à capital mineira amplo panorama da pr

Por Guilherme Whitaker em 11/09/2012 13:26


Apresentar um panorama do cinema produzido no Brasil e ao redor do mundo, em suas mais variadas formas, está no conceito do 14º FestCurtasBH, assim como no eixo central de suas Mostras Especiais. Este ano o festival traz um conjunto de sete programas: Movimentos de Mundo, Animações, Infantil, Juventude, Maldita, além das seleções dos curadores convidados Thiago da Mata Machado, com a mostra Flores do Underground (que faz uma retrospectiva dos diretores Robert Frank e Ron Rice); e do curador do Festival de Rotterdan, Theus Zwakhals, que traz os destaques da edição 2012 do Internacional Film Festival Rotterdam e do acervo do Netherland Media Art Institute. Veja todos os títulos no site www.festcurtasbh.com.br.

Assim como as mostras competitivas, os filmes que integram as especiais têm a proposta de engajar o espectador no mundo do cinema. “Procuramos ter um olhar muito aberto às novas possibilidades, às produções que fujam do senso comum. É importante destacar que o curta-metragem, por si só, acaba tendo um formato mais livre, muitas vezes voltado para o novo, e sem as preocupações e amarras do mercado”, destaca o coordenador de programação do 14º FestCurtasBH, Daniel Queiroz. Seguindo esse raciocínio, ele diz que a comissão de seleção busca por obras ousadas, que corram algum risco, longe do lugar comum. No entanto, essa não é uma exigência. “Isso não faz com que filmes em formatos mais tradicionais não sejam bem-vindos. Pelo contrário, existem excelentes filmes numa concepção mais clássica, linear, que estão na programação”.

Ainda sobre o panorama da produção mundial presente no Festival Internacional de Curtas, Queiroz chama a atenção para o volume de filmes enviados. “Recebemos em torno de 500 filmes brasileiros e 2 mil internacionais por ano. São números impressionantes, mas quando se sabe que há festivais no mundo que recebem mais de 5 mil curtas, tem-se a consciência de que ainda há muitos trabalhos bons que podem não chegar até o evento. Assim, vem sendo também realizado um trabalho pró-ativo de pesquisa e convite a filmes, para que se inscrevam no festival. Isto se dá a partir do acompanhamento do circuito de festivais, seja da pesquisa de curadoria in loco, é o caso de Oberhausen e IndieLisboa, que visitei pessoalmente, seja através de pesquisa a distância, pela internet e outras fontes”.

Conheça cada uma das sete mostras especiais:

MOVIMENTOS DE MUNDO | partindo da ideia de que o cinema é uma janela para o mundo, esta mostra traz filmes internacionais que lidam com realidades culturais diversas e tratam de questões atuais de grande relevância. Como o curta-metragem rapidamente reflete o que se passa no mundo, os filmes selecionados tratam da primavera árabe, do movimento Ocupe Wall Street e da crise financeira que o mundo atravessa. Há ainda, nesta mostra, tanto ficções quanto documentários que lidam com elementos culturais bem característicos de diversos países, com algumas questões recorrentes como a imigração ilegal, o problema dos refugiados, o preconceito em relação a minorias e as guerras.

Um universo que pode ser visto em Nasnameyek Hêsin que mostra o cotidiano de imigrante de dois curdos em Berlim. Pode ser encontrado também em Cerro Negro na visita que uma brasileira faz ao marido em uma prisão em Portugal. Veem-se, claramente, em uma gama de filmes as relações travadas entre turistas e vagabundos. Viva Paradis traz, em sua essência, essa questão: em um hotel de luxo na Tunísia o que se vê é um grande vazio no qual sobressaem espaços cheios de ausência. Já em Otra noche en la tierra, uma questão política é retratada dentro dos táxis que percorrem as ruas do Cairo.

ANIMAÇÕES | as animações estão presentes em praticamente todos os programas da grade do festival, que, inclusive, evita organizar as sessões por gênero. No entanto, como a cada ano são muitos os curtas que se utilizam das mais diversas técnicas de animação, com inventividade e resultados fantásticos, e é grande o interesse que eles costumam despertar no público, o festival faz, a cada ano uma mostra específica, com filmes deste gênero.

Os filmes selecionados para a mostra de animação deste 14º FestCurtas trazem a experiência de um aquém, ou um além, da humanidade: corpos que se desfazem, criaturas de existência intermediária e liminar, homens bestializados, animais antropomórficos, o encontro de um estado maquínico que emerge do encontro do artefato técnico com rastros e fragmentos corporais. Mais do que simples tematização explicitada nas tramas, será possível assistir como que identidades, em seu traço mais material, cedem, se desfazem, diante do desconforto com as formas pré-fixadas de existência, constituindo as diversas modalidades de intervenção técnica enquanto instâncias de uma experimentação que excedem em muito um formalismo mais estrito.

MALDITA | criada como "sessão das onze", é composta pelo que se pode chamar de filmes propícios para horários tardios. Em geral são obras que lidam com o cinema de gênero, em especial o suspense e o terror, muitas vezes com o que pode ser chamada de uma pitada de trash, com muito sangue jorrando na tela.

Foram programados quatro filmes curiosos que, se não compartilham propriamente dos mesmos impulsos, dividem um lugar de inquietudes várias. Obsessão, paixão, paranoia, deslocamentos. Se o simples estar no mundo por vezes nos desconcerta, desatina, incomoda, para os personagens de As heranças, Jibóia, Salomé e Medo de Sangue, estar vivo é se chocar com o mundo, em um constante estado de combustão.

INFANTIL | o festival tem uma seleção pensada especialmente para crianças e jovens, fundamentais no processo de formação de público. Importantes para propiciar a novas plateias o acesso a filmes diversos, este recorte traz sessões tanto para crianças que ainda não leem legendas (recomendada a partir dos 5 anos) quanto para crianças maiores, que já conseguem ler, indicada a partir dos 8 anos.

O FestCurtasBH procura, a cada ano, apresentar uma programação infantil pautada pela qualidade e variedade, que evidencie a riqueza artística e as inúmeras possibilidades do cinema. Nesta edição serão exibidas duas sessões infantis, perfazendo um total de doze filmes, de diversos países: Brasil, França, Bélgica, Espanha, Irã, Chile e Coréia do Sul. Dentre os escolhidos há obras que apostam na fantasia, em tons fabulares, outras de caráter mais humorístico e também aquelas cuja aventura é a tônica dominante. Todos eles, independente de suas escolhas estéticas estimulam a imaginação e a fruição cinematográfica.

É importante destacar que estas sessões são abertas ao público, mas em parte delas é feito o agendamento de escolas, que trazem turmas inteiras para acompanhar os filmes, ao longo do festival. Elas são formadas por curtas brasileiros e internacionais, de modo a permitir que as crianças entrem em contato tanto com a produção de seu país e de todo o mundo.

JUVENTUDE | apesar desta seleção retratar questões que são caras à juventude, não tem como público-alvo apenas os jovens. Muito pelo contrário, traz alguns dos melhores filmes selecionados para o festival, recomendados às pessoas das mais diversas idades.

Foram tantos os bons filmes neste ano, que esta mostra (que também mistura produções nacionais e estrangeiras) está composta por cinco programas distintos, sendo que um deles é indicado para jovens a partir de 12 anos, outro a partir de 14, e os outros 3 a partir de 16 anos.

Há algo de especial nessa mostra, para além das articulações pedagógicas. E, talvez, justamente porque, acima de lançar questões importantes do universo do jovem, é uma mostra que, naquilo que produz de identificação ou de recusa, demanda que o espectador opere seus afetos em universos sem soluções fáceis, atiça o senso de autonomia e liberdade e aplaude em alguma medida a transgressão.

É o caso das pulsões contraditórias que remetem a esse sentimento de constante incerteza, de curiosidade e descobertas. Tudo está em movimento, sempre pode mudar. A qualquer momento, um garoto tímido pode se transformar em um punk, como em Kojot; uma rua calma se tornar repleta de aparições, (Clanky); o grafite dos muros virar cenário de um mundo fantástico, (Deus); uma paisagem montanhosa se tornar um novo planeta (Agatha); e uma notícia virar tudo de ponta cabeça (O Afinador e A Triste História de Kid Punhetinha).

SELEÇÃO DOS CURADORES CONVIDADOS

FLORES DO UNDERGROUND

Com curadoria do cineasta e crítico Tiago Mata Machado, a mostra Flores do Underground traz, em retrospectiva, filmes dos diretores Robert Frank e Ron Rice, expoentes do cinema de vanguarda norte-americano. Esta seleção vai exibir produções dessa segunda geração do cinema de vanguarda americano, construída entre Nova York e San Francisco, entre muitas polêmicas internas e intervenções externas da polícia e da censura. Filmes emblemáticos do underground, como The Flower Thief e Queen of Sheba Meets the Atom Man, de Ron Rice; e Pull my Daisy, de Robert Frank e Alfred Leslie; serão exibidos no festival.

Sobre Pull my Daisy, Mata Machado discorre (em texto produzido especialmente para o catálogo do 14º FestCurtasBH) sobre o contexto de lançamento do filme, em 1959. “O filme nasceu destinado a se tornar um clássico da geração beatnik, mas quis o destino que seu lançamento também marcasse o início da história do cinema underground americano”. Ele destaca que “Robert Frank era já um fotógrafo de certo renome, recém-consagrado pela série ‘The Americans’, de 1958, um marco na história da fotografia americana. Seu codiretor, Alfred Leslie, pintor da escola do expressionismo abstrato, outra figurinha fácil da cena vanguardista nova-iorquina. Jack Kerouac, o roteirista e narrador, ainda estava atormentado pela fama quase instantânea gerada pela publicação de “On the Road”, dois anos antes. Allen Ginsberg já soltara o seu longo e profético “Uivo”, o livro de poesia mais vendido da história dos Estados Unidos – a seu lado, em cena, o também poeta Peter Oslovsky, com quem iniciava um relacionamento de mais de 30 anos. Mais do que um encontro, um verdadeiro happening, mais do que um filme, a afirmação de um novo estilo de vida”.

Citando o cineasta e crítico Jonas Mekas, o curador destaca, no mesmo texto, a força do underground: “expressão de uma geração que não procurava na arte um ofício, mas um novo modo de vida, que não queria se inserir no modelo de produção consagrado pela tradição americana, mas rompê-lo em busca de uma linguagem ainda não codificada, livre, feita de pulsões de vida, uma forma essencialista (e não menos política) de resistência (vital) ao establishment.

MOSTRA INTERNACIONAL FILM FESTIVAL ROTTERDAM E NETHERLAND MEDIA ART INSTITUTE

Com uma seleção cuidadosamente pinçada da edição 2012 do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam (IFFR) e do acervo do Netherland Media Art Institute (NIMk), esta mostra traz aos espectadores belo-horizontinos um cinema não só experimental, mas com um formato original, incluindo ficção, documentário, animação e vídeo-arte. A seleção foi escolhida com base em trabalhos de cineastas de todas as partes do mundo que levaram suas produções ao festival holandês.

A escolha dos títulos ficou a cargo do programador e do curador do Festival de Rotterdan, respectivamente, Peter Van Hoof e Theus Zwakhals, que também é curador do NIMK. Um total de três programas busca apresentar os principais destaques exibidos este ano pelo festival e uma seleção de filmes contemporâneos e também históricos da coleção do Netherland Media Art Institute, com foco, em seu conjunto, na experimentação e autenticidade. Todas as sessões desta mostra serão debatidas por Theus Zwakhals. Ele também participa do júri da Mostra Competitiva Internacional.

Fonte: Aline Ferreira


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