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Como foi o 7ª Cinedocumenta em Ipatinga

Por Guilherme Whitaker em 30/05/2010 10:57


7ª CINEDOCUMENTA - De 12 a 16 de Maio em Ipatinga - MG

AQUI O CINEMA BRASILEIRO FALA

 

O fato de ser uma mostra no interior do Brasil e de contar com recursos modestíssimos não impediram que a 7ª Cinedocumenta fosse uma demonstração clara de que o Cinema Brasileiro continua pulsante. A despeito de uma indústria planetária e de um mercado de audiovisual cada vez mais injusto e perverso, a mostra de Ipatinga revelou que há diversos sinais de vida no Cinema Nacional.

É notório que há uma movimentação estética capaz de produzir diversidade de linguagem. Em vários festivais, essa riqueza é trocada pela moeda do sucesso como se tudo que se faz em artes tivesse que ter multidões de expectadores. O que seria dos gênios como Fernando Pessoa e Van Gogh se tal lógica prevalecesse na época em que produziram suas obras?

A Cinedocumenta não só se pautou em mostrar um panorama do documentário no país hoje, como também reuniu as mais diversas possibilidades desse gênero em nossas terras.

Outra sinalização de destaque foi o respeito aos filmes. Os realizadores reiteravam o elogio às projeções que superaram em muitas exibições de festivais dos grandes centros. Uma manifestação de respeito ao realizador independente de sua fama ou de seu suporte tecnológico de gravação.

Dignidade para os cineastas, diversidade para o público. Além dessas duas extraordinárias dádivas, a Cinedocumenta brilhou como uma centelha de esperança para um dos maiores problemas da sétima arte no Brasil. As mordaças mercadológicas, a apatia gerada pelo glamour das grandes produções vem tirando do Cinema Brasileiro sua principal característica: o diálogo fecundo e aberto.

Aqui, entre os abismos e montanhas de Minas, berço da conspiração e da liberdade, cineastas consagrados como Luiz Carlos Lacerda e novatas como Milena Sá puderam falar sem vírgulas ou reticências. Joel Pizzini desabafou: “nos grandes centros não podemos mais criticar abertamente os filmes sem constrangimentos como era feito nos anos 60”. As películas falam, mas os artistas estão mudos. Longe do mar e da metrópole, Ipatinga parece estar mais próxima do Brasil que deseja um Cinema Brasileiro. Pelo simples fato de poder usar a fala.

 

Sávio Tarso – Curador da 7ª Cinedocumenta

Éderson Caldas – Coordenador Geral da 7ª Cinedocumenta
 


 

Fazer documentário implica necessariamente em imortalizar imagens, sons e palavras que farão parte do grande museu audiovisual. Atualmente, os sites de vídeo repercutem o acervo quase inesgotável das mais infinitas possibilidades de registros cinematográficos. Mas como essa memória se estrutura? Como os diretores do cinema lidam com o fio condutor da história – memória?

A 7ª Mostra de Documentário – CINEDOCUMENTA investiga a temática “Memória Reiventada”. O propósito é debater como a imaginação dos diretores brasileiros da atualidade tece em suas tramas fílmicas as reminiscências de seus personagens e histórias.

Neste sentido, a curadoria escolheu documentários que relacionam a Memória Reiventada na cultura-artística, no campo do esporte, na história política ou a própria reinvenção da vida cotidiana. De tal modo que apresentaremos um mosaico abrangente sobre como o Cinema Nacional utiliza a reivenção da memória na construção da mentalidade contemporânea.

7ª CINEDOCUMENTA
MOSTRA DE CINEMA DOCUMENTÁRIO DE IPATINGA
MINAS GERAIS

PROGRAMAÇÃO

12 A 16 DE MAIO. 2010

12 de Maio quarta-feira

20h – Abertura Oficial
Local: Centro Cultural Usiminas

. Homenagem ao cineasta
Glauber Rocha (in memória)
Exibição dos filmes Abry e Anabazys, com a presença dos diretores Paloma Rocha e Joel Pizzini.
Crítico participante: Carlos Alberto Mattos – RJ
Mediador: Sávio Tarso - MG


20h30
ABRY
Direção: Paloma Rocha e Joel Pizzini
SP, 2003, 30´
Aos 84 anos de idade, Lúcia Rocha interna-se num hospital em São Paulo para fazer exames no coração. Ao receber a notícia sobre o risco que corria sua vida, Lúcia lacônica, diz ao médico - então abre! É a segunda vez que ela submete-se a uma cirurgia de pontes de safena. A partir deste gesto, nasce o documentário Abry (com y, signo do inconsciente, de acordo com a nomenclatura inventada pelo filho Glauber Rocha). Para relatar suas memórias, ela convida o cineasta Joel Pizzini que oferece sua mini-câmera com instrumento amplificador do imaginário de Lúcia. Abry é um mergulho poético no universo fabulador de Lúcia Rocha, reconstruindo sua trajetória no cinema brasileiro através de sons imagens e personagens com quem conviveu de perto.
21h
ANABAZYS
Direção: Paloma Rocha e Joel Pizzini
RJ, 2007, 98´

Ao investigar as motivações estéticas e a luta incansável de Glauber Rocha pela liberdade no país, Anabazys procura examinar as raízes dos pré-conceitos forjados historicamente contra A Idade da Terra, o filme-testamento do cineasta baiano. Um filme sobre um filme onde o autor assume também o papel de ator de sua verdade histórica. Com imagens inéditas de Glauber no exílio e cenas de seu programa de televisão, Abertura, Anabazys esclarece a postura polêmica do diretor durante a ditadura, em defesa das aberturas democráticas no país. Um filme com Glauber Rocha.

13 de Maio quinta-feira

16h – DEBATE
Local: Centro Cultural Usiminas

A 7ª CINEDOCUMENTA e a Associação Cultural Kinofórum, convidam para o debate por ocasião do lançamento do Guia Kinofórum de festivais de cinema e vídeo na cidade de Ipatinga.
“O Circuito de festivais como agente na distribuição do audiovisual brasileiro”.
Mesa:
Lizandra Magon (Editora do Guia dos Festivais - SP)
Guilherme Whitaker (Membro do Conselho do Fórum dos Festivais - RJ)
Daniel Queiroz (Diretor de fomento à Produção Audiovisual – MG)
Joel Pizzini (Cineasta – RJ)
Sávio Tarso (Mediador – MG)

19h - LONGA
Local: Centro Cultural Usiminas

Dom Helder Câmara - O Santo Rebelde
Direção: Érika Bauer
DF, 2004, 74´

 

19h30 - CURTAS
Local: Parque Ipanema

. SOMBRAS NA CABINE
de Alexandre Araújo
SP, 2009, 10 min
. CIDADE DOS MASCARADOS
de Emanuele Yglesias
BA, 2009, 9 min
. XUKURU ORORUBÁ
de Marcília Cavalcante Barros
BA, 2009, 15 min
. CUIDADO! PALHAÇOS
de Pablo Peixoto
DF, 2008, 14 min
. MPB
de Nilmar Lage
MG, 2010, 15 min
. “BOM DIA, MEU NOME É SHEILA OU COMO TRABALHAR EM TELEMARKETING E GANHAR UM VALE-COXINHA”.
de Ângelo Defanti
RJ, 2009, 17 min
. A ARQUITETURA DO CORPO
de Marcos Pimentel
MG, 2008, 15 min

20h – LONGA
Local: Fundação Arcelor Mittal

. BLEU ET ROUGE
de Juliana Sakae
SP, 2009, 40 min

20h30 - LONGA
Local: Centro de Artes e Educação de Coronel Fabriciano

. MEMÓRIAS DO RECÔNCAVO – BESOURO E OUTROS CAPOEIRISTAS
de Pedro Abib
BA, 2008, 54 min


21h – LONGA
Local: Parque Ipanema

. A MORTE INVENTADA
de Alan Minas
RJ, 2009, 78 min

14 de Maio sexta-feira

19h – LONGA
Local: Teatro Circular Farroupilha

. MOSCOU
de Eduardo Coutinho
RJ, 2009, 80 min

19h30 - CURTAS
Local: Parque Ipanema

. AQUELAS MULHERES
de Verena Kael e Matilde Teles Santos
RJ, 2010, 20 min
. “D.O.R”
de Leandro Goddinho
SP, 2010, 4 min
. OLHOS DE RESSACA
de Petra Costa
RJ, 2009, 20 min
. FRACTAIS SERTANEJOS
de Heraldo Cavalcanti
RJ, 2009, 19 min
. LÚCIDOS
de Carina da Silva Bentlin
SP, 2009, 24 min


20h – LONGA
Local: Centro de Artes e Educação de Coronel Fabriciano

. O ROSTO NO ESPELHO
de Renato Tapajós
SP, 2009, 57 min


21h – LONGA
Local: Parque Ipanema

. DOMINGOS
de Maria Ribeiro
RJ, 2008, 72 min

15 de Maio sábado
19h30 – CURTAS
Local: Parque Ipanema

. LEITURAS CARIOCAS
de Consuelo Lins
RJ, 2009, 13 min
. VOZES
de Anna Costa Silva
RJ, 2009, 19 min
. “CELEBRIDADES ANÔNIMAS”
de Rubens Romero
SP, 2009, 21 min
. A CULTURA DO REPENTE
de Ricardo Migliore
PB, 2010, 15 min
. CONFESSIONÁRIO
de Leonardo Sette
PE, 2009, 15 min
. RIO DE MULHERES
de Cristina Maure e Joana Oliveira
MG, 2009, 21 min

20h – CURTA e LONGA
Local: Comunidade São José de Cocais – Coronel Fabriciano

. AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS
de Camilo Cavalcante
PE, 2009, 12 min

. A FALTA QUE ME FAZ
de Marília Rocha
MG, 2009, 85 min

 

21h – LONGA
Local: Parque Ipanema

. ROCK BRASILEIRO – HISTÓRIA EM IMAGENS
de Bernardo Palmeiro
RJ, 2009, 70 min

 

16 de Maio domingo

18h – CURTA e LONGA
Local: Comunidade do Achado – Santana do Paraíso

. N’GOMA, JONGOS DO SUL CAPIXABA
de João de Moraes
ES, 2009, 247 min

. BATATINHA, POETA DO SAMBA
de Marcelo Rabelo
BA, 2008, 62 min


20h – MÉDIA
Local: Parque Ipanema

. DIÁRIO DE AQUÁRIO
de Luiz Carlos Lacerda
RJ, 2009, 32 min

21h – LONGA
Local: Parque Ipanema

. NAS RODAS DO CHORO
de Milena Sá
RJ, 2009, 50 min

 

Encerramento
 


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