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Confecom: mico, sim. Das empresas.

Por Guilherme Whitaker em 05/01/2010 08:48


A Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), primeira edição, foi enfim realizada. Entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília, 1.684 delegados, formados pelas sociedades civil, empresarial e pelo Poder Público, aprovaram 672 propostas. Dessas, 71 foram a votação, por tratarem de temas divergentes. Já as outras 601 tiveram mais de 80% de aprovação.

A frieza dos números aponta para um bom resultado. Muita gente envolvida – com representatividade, muitas propostas e alto grau de convergência. É importante lembrar que os delegados foram eleitos em plenárias estaduais prévias, que ocorreram em todo o país, nos meses de outubro e novembro. Essa informação, ao lado dos dados quantitativos consolidados, indicam um belo processo com promissores desdobramentos.

Afinal, os três eixos-temáticos em torno dos quais se deram as discussões – “Produção de Conteúdo”, “Meios de Distribuição” e “Cidadania: direitos e deveres” – encerram demandas legítimas da sociedade brasileira. Muitas antigas, outras tantas novas.

Mas… parece que está faltando alguma coisa. Ah, o conteúdo! E, também, a divulgação! Bem, faço uma pergunta: algum profissional que não atue em áreas afins tomou conhecimento da Confecom? Não que eu ache que os grandes jornais nacionais devessem divulgar a realização e resultados das prévias de cada estado. Como a do Acre, por exemplo, realizada no final de outubro. Isso era assunto local. Não sei dizer se lá houve ampla cobertura ou, se houve, como se deu. Mas, como morador do Rio de Janeiro, estranho não ter lido, nem assistido, nem ouvido em jornais, TVs nem rádios, notícias da prévia carioca, ocorrida entre outubro e novembro. Leio novamente os eixos temáticos. Não era, definitivamente, assunto de interesse profissional específico. Muito menos de pouca relevância.

Bem, fato é que a grande Imprensa variou entre duas únicas atitudes sistemáticas: i) não noticiar, simplesmente, durante todo o processo da Confecom; e ii) desqualificar, totalmente, os resultados finais. Li, chocado, a cobertura da Veja ao evento de Brasília. Eram quatro ou cinco adjetivos desabonadores em cada oração. O jornalista José Carlos Ruy constrói um belo e amplo painel no artigo “1ª Confecom: mudar a mídia”, na Carta Maior. Além de mostrar como e quando a Imprensa atuou (divulgação), destaca algumas das propostas (conteúdo) e faz uma análise do comportamento das empresas jornalísticas. E ele indica o artigo “Veja quais foram as bandeiras históricas aprovadas na Confecom”, de Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação, para quem quiser conhecer todas as propostas aprovadas.

Muita coisa há por trás dessa postura das empresas. Não faço aqui reportagem, para investigar. Mas sem correr risco de ser irresponsável, ou injusto, ficam claros tanto os maus modos quanto a miopia da Imprensa brasileira. Maus modos pois o assunto era de grande interesse público e deveria ter sido, portanto, amplamente coberto, favorecendo o entendimento de todos sobre os pontos em discussão, as posições tomadas, as consequências envolvidas.

E miopia pelo fato de que tudo isso está disponível pela rede indicando que, no tempo em que vive(re)mos, a credibilidade da Imprensa se construirá não apenas pelo que ela cobre e como cobre, mas também, e principalmente, pelo que deixa de cobrir.

O país campeão de desigualdades, insustentáveis e vergonhosas, precisa atacá-las, em todas as suas manifestações. Que tal começar pela Comunicação – propriedade de veículos de comunicação na mão de políticos que legislam em causa própria, propriedade cruzada de veículos de comunicação, produção de conteúdo centralizada etc?

“As Conferências nacionais são um espaço de discussão entre os diversos setores sociais que visa elaborar e implementar as políticas públicas. É no processo conferencial que são organizados os debates, identificadas as diferentes visões sobre um determinado tema, mapeados os discensos e construídos os consensos. Desde 2003 elas exercem um papel cada vez maior na elaboração das políticas públicas. As propostas aprovadas nas Conferências são uma fonte importante de referência das ações do governo federal.” – extraído do site da Confecom.

A Confecom foi coordenada pela Secretaria-geral da Presidência, a Secretaria de Comunicação e o Ministério das Comunicações, responsáveis pelo orçamento. Contou com um orçamento de R$ 8,2 milhões e reuniu mais de duas mil pessoas de todo o Brasil.


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