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Confira a premiação completa do Festival de Beagá

Por Guilherme Whitaker em 21/07/2004 13:27


6º Festival Internacional
de Curtas de Belo Horizonte
22 a 31 de julho de 2004
 
 
Festival de Curtas anuncia os vencedores da sexta edição

    Chega ao final mais uma edição do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte
. Em mais de dez dias, o público conferiu o melhor da produção neste formato realizada no mundo inteiro. Através das Mostras Retrospectivas, o público assistiu também um pouco da história de grandes nomes do audiovisual brasileiro. E na noite de 31 de julho, no Cine Humberto Mauro, No Palácio das Artes, o público conheceu os filmes premiados das Mostras Competitivas Brasileira e Internacional.
    O júri oficial da Competitiva Brasileira foi formado pela jornalista Maria do Rosário Caetano, pelo representante do Festival de Cine de Huesca, Espanha, Angel Garcés e pelo representante do Festival de Cinema Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal, André Pinho. Mais de 40 filmes, vindos de todo o país, foram selecionados para a Mostra Competitiva Brasileira. Além dos júris oficiais, os filmes também foram submetidos ao júri da crítica, formado por jornalistas de Belo Horizonte, ao júri popular e ao júri da Associação Curta Minas.
    O melhor filme segundo o júri oficial da Mostra Competitiva Brasileira foi "Superfície", de Jimi Figueiredo. O curta brasiliense foi todo realizado em "table top", técnica que promove o movimento das imagens através de uma sucessão de fotografias. O vencedor do prêmio revelação para diretor estreante foi o mineiro "Meninos da Zona Sul", de Silvia Godinho e Claudia Ribeiro. Com uma historia singela, o curta narra a tragédia urbana do cotidiano de meninos de rua, através do olhar inocente de um destes meninos. Com delicadeza e humor, o curta ameniza a dureza da realidade miserável deste cotidiano. O prêmio de Melhor Diretor ficou com o paulista Marcos de Brito, pelo curta "Uninverso". O curta cria a ilusão de um mundo invertido, em que o protagonista tenta se equilibrar. O melhor roteiro segundo o júri foi o do curta carioca "Bala Perdida". O filme mostra sob vários ângulos a trajetória de morte de uma bala perdida em uma rua movimentada do Rio de Janeiro.
    O prêmio de melhor fotografia ficou com o belo trabalho "Transubstancial", do paraibano Torquato Joel. Baseado na poesia de Augusto dos Anjos, o filme é de um preciosismo formal e beleza estética comoventes. A Melhor Montagem, segundo o júri, foi a do curta "9:32 am", do paulista Alex Miranda. Em ritmo de vídeo clipe, o filme constrói um clima de tensão para narrar um seqüestro e estupro em um cenário essencialmente urbano e underground.O prêmio de melhor som ficou com "Carregar uma Criança", de Bruno Carneiro. O curta narra a historia de uma família que caminha durante a noite por uma rodovia movimentada. O prêmio de Melhor Atriz ficou com a paulista Débora Duboc, pelo curta "Imensidade", de Amílcar Claro. O curta nasceu de uma idéia da própria atriz, desenvolvida junto ao diretor. O Melhor ator segundo o júri foi Mário Bortoloto, pelo curta "Enjaulados", do diretor Luis Montes. O júri concedeu Menção Especial aos curtas "Velha Historia", de Claudia Jouvin e "Cartas da Mãe", de Fernando Kinas e Marina Willer. Ambos são filmes de inspiração poética, o primeiro é uma delicada animação que fala de amizade e o segundo é um tributo documental ao grande cartunista Henfil.
    O melhor curta brasileiro segundo a crítica foi "A Historia da Eternidade", um desconcertante plano seqüência do pernambucano Camilo Cavalcante. O melhor filme segundo a Associação Curta Minas foi "Mensageiras da Luz – Parteiras da Amazônia", de Evaldo Mocarzel, que receberá o Troféu Associação Curta Minas. A Associação concedeu Menção Honrosa aos curtas "Figueiras do Inferno", de Raoni Vale e Ernesto Teodosio e "A Espera", de Ernesto Solis.
Para a jornalista e jurada do Festival de Curtas, Maria do Rosário Caetano "esta foi uma mostra muito boa. Dos 41 filmes participantes, considero que dez são de excelente qualidade, dignos de premiação; os outros estão em uma fase intermediária". "Foram premiados filmes de todo o país. Embora haja um grande número de títulos paulistas e cariocas, que normalmente garante mais prêmios, houve uma diversidade geográfica", conclui. Ela explica que foram nove os candidatos ao prêmio de realizador estreante – Adolfo Sarkis (Morango com Limão – RJ), Sílvia Goinho e Cláudia Ribeiro (Meninos da Zona Sul – MG), Jimi Figueiredo (Superfície – DF), Paula Dager (Vrruummm!!! – RJ), Mauro D’ Addio (Saia Santa – SP), Marco Schiavon (O Xadrez das Cores – RJ), Alex Miranda (9:32 AM – SP), Marcela Arantes (Noite de Sol – SP) e Laura Giuimarães (A Imagem – SP) – e três deles tiveram seus trabalhos premiados, entre eles o prêmio principal, o de melhor curta-metragem, para "Superfície".
    Maria do Rosário acrescenta que o filme vencedor é muito criativo e possui ousadia técnica. "As características do curta podem ser interpretadas com sendo experimental ou de animação. Na minha opinião, são de animação, já que o diretor trabalha com fotos amimadas para apresentar o relacionamento entre as personagens. Em alguns momentos, é criada a ilusão de que se tratava de um filme como se conhece, ou seja, com 24 quadros por segundo", analisa a jornalista. Já sobre o prêmio de diretor estreante, Maria do Rosário declara que o curta escolhido ("Meninos da Zona Sul") tem um roteiro muito bem elaborado, lúdico e delicado.
    "Estou super feliz. Acho que é o reconhecimento de um trabalho experimental, feito à base de fotografias. É a primeira vez que o filme é exibido para o público brasileiro. Ele já havia participado de um festival na Espanha, mas esta é a nossa primeira premiação", disse Jimi Figueiredo, por telefone, poucos instantes após saber que "Superfície" havia sido premiado.
    "É o primeiro festival que a gente participa e é muito bom receber um prêmio. É um super incentivo para a gente continuar a acreditar neste caminho que começamos a trilhar com este trabalho. A vontade é pensar no próximo filme", disse empolgada Cláudia Ribeiro, uma das diretoras de "Meninos da Zona Sul. Já Sílvia Godinho, também diretora do filme, declarou ser uma surpresa."Não estávamos esperando. É um bom retorno para o intenso trabalho que tivemos", concluiu.
    Fernando Kinas, diretor de "Cartas da Mãe", curta escolhido pelo júri popular, também ficou satisfeito com o prêmio. "É gratificante receber prêmio do público o que não desmerece o do júri oficial. Mas o fato de o curta ser exibido em uma sala lotada significa que o filme pode ter alguma utilidade para as pessoas. Ele fala do Henfil, que faleceu em 1988, mas que as idéias continuam atuais".
    Na análise de Pablo Vilaça, editor do site Cinema em Cena e participante do júri da crítica, "A História da Eternidade", do diretor Camilo Cavalcante, é tecnicamente impecável. "Simplesmente através da movimentação da câmera, Camilo Cavalcante percorre vários aspectos da degradação do homem pelo próprio homem e pela miséria de nossa Sociedade. Começando já com uma imagem impactante (um natimorto que é atirado aos cães), o filme leva o espectador a uma viagem intensa e incômoda que, numa constatação desesperada, termina em seu início, como se caminhássemos em um eterno ciclo de sofrimento e dor - e não é à toa que, sob o título do projeto, surge o Ouroboros, o símbolo da cobra mordendo o próprio rabo", argumenta Pablo Vilaça.

Competitiva Internacional

    O Júri da Competitiva Internacional foi composto pelo representante da Associação Curta Minas, Carlos Canela; pelo cineasta Helvécio Martins Júnior; e pelo produtor da Mostra do Filme Livre, Guilherme Whitaker.
Além da avaliação do júri oficial, também os júris popular e da crítica escolheram o melhor título da categoria. O Melhor Curta-metragem Internacional, segundo o júri oficial foi "Sobre a Terra". O curta argentino, com direção de Maria Florencia Alvarez, traz a história de duas crianças que brigam por uma bolsa. A discussão se perpetua quando ambas descobrem que na bolsa não pertencia a nenhuma delas, já que nela não havia nenhum de seus pertences. De acordo com o júri da crítica, o melhor título internacional foi "Ponto Zero", de Carolina Rivas (México). O filme narra o drama de um homem que em meio a uma zona devastada, tenta encontrar um médico para salvar a vida do filho. Segundo o júri da crítica, o curta "foi o escolhido por ser uma "adaptação de um conto de Juan Rulfo, com a presença de um ótimo ator na pele do pai. A fotografia em preto e branco entrevê um clima apocalíptico que, em momento algum, é explicado. As elipses são o forte do filme, de uma narrativa visceral, seca, doída". (Mais abaixo confira a lista completa dos vencedores e os prêmios).

Balanço do Festival de Curtas

    Na avaliação de Geraldo Veloso, coordenador geral do Festival de Curtas, o balanço desta sexta edição é altamente positivo tanto com relação à comunidade envolvida diretamente com o cinema, quanto para a comunidade em geral. "Tivemos uma série de aspectos do cinema discutidos durante as noves palestras e os oito encontros e vinte programas especiais além das Mostra Competitivas", destaca.
    De acordo com o coordenador, o Festival de Curtas de Belo Horizonte já está consolidado e esbanja um prestígio internacional muito grande. Basta ver o número de filmes inscritos para a competitiva da categoria. Foram 301 trabalhos de 40 países. "Em ternos de público não temos condições para ampliar ainda mais. Desde o quatro Festival o público já vem lotando as salas de exibição e o evento chegou a tal dimensão que na estrutura que temos não é possível receber um número de pessoas superior ao número de 15 mil. Atingimos uma meta próxima à da edição anterior", afirma Geraldo Veloso.
    Foram 119 sessões, realizadas no Cine Humberto Mauro, nas Salas Maria S’tella Tristão e João Ceschiatti, pelo SESC/MG – Laces/JK e pelos espaços culturais regionais. Na videoteca, no Palácio das Artes, o público pode assistir em vídeos os curtas inscritos para as Mostras Competitivas. Segundo os organizadores, passaram pelo espaço, cerca de mil pessoas.
    Para a próxima edição do Festival de Curtas, Geraldo Veloso aponta mudanças que ele as define como sendo nítidas e necessárias. Ele adianta que haverá a incorporação da imagem eletrônica, um produto do cinema adaptado digitalmente, com a possível abertura para a premiação na categoria de vídeos. Além disso, há projetos para a criação de outros espaços de exibição, para atender o maior número de pessoas possível. Segundo o coordenador, a equipe realizadora do Festival já está começando a desenhar a próxima edição.

Premia̤̣o РMostra Competitiva Brasileira

  • Melhor Curta-metragem Brasileiro – Júri Oficial
"Superfície", de Jimi Figueiredo (DF)
Prêmio: R$5.000,00 (cinco mil reais) (livre de impostos)

  • Prêmio Revelação – Melhor Diretor Estreante Brasileiro – Júri Oficial
Cláudia Ribeiro e Sílvia Godinho, por "Meninos da Zona Sul" (MG)
Prêmio Megacolor: Revelação e Preparação para Telecine de 15 latas de negativo (35 ou 16mm)
  • Melhor Curta-metragem Brasileiro – Prêmio do Público
"Cartas da Mãe", de Marina Willer e Fernando Kinas (SP)
Prêmio Megacolor: Revelação e Preparação para Telecine de 15 latas de negativo (35 ou 16mm)

  • Melhor Diretor Brasileiro – Júri Oficial
Marcos de Brito, por "Uninverso" (SP)
Prêmio Kodak: 4 latas de negativo 35mm ou 7 latas de negativo 16mm

  • Melhor Roteiro Brasileiro – Júri Oficial
Victor Lopes, por "Bala Perdida" (RJ)
Prêmio Megacolor: Revelação e Preparação para Telecine de 15 latas de negativo (35 ou 16mm)

  • Melhor Fotografia Brasileira – Júri Oficial
Mauro Pinheiro Júnior, por "Transubstancial"(PB)
Prêmio Estúdios Mega: 4 horas de telecinagem

  • Melhor Montagem Brasileira – Júri Oficial
Ricardo de Barros, por "9:32 AM" (SP)
Prêmio Alterosa: 48 horas de Avid 9500 finalização

  • Melhor Som Brasileiro – Júri Oficial
Louis Robin, por "Carregar uma Criança" (SP)
Prêmio Estúdios Mega: 2 períodos de mixagem de som

  • Melhor Atriz Brasileira – Júri Oficial
Débora Duboc, por "Imensidade" (SP)

  • Melhor Ator Brasileiro – Júri Oficial
Mário Bortolotto, por "Enjaulados" (SP)
Menções especiais do Júri Oficial:
"Velha História", de Claudia Jouvin (RJ)
"Cartas da Mãe", de Marina Willer e Fernando Kinas (SP)

  • Melhor Curta-metragem Brasileiro - Prêmio da Crítica
"A História da Eternidade", de Camilo Cavalcante (PE)
  • Melhor Curta-metragem Brasileiro - Prêmio da Associação Curta Minas
"Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia", de Evaldo Mocarzel (SP)
Troféu Associação Curta Minas
Menção Honrosa - Prêmio da Associação Curta Minas
"A Figueira do Inferno – Um Registro Etno-Botânico da Utilização de Dau", de Raoni Vale e Ernesto Teodósio (PE)
"A Espera", de Ernesto Solis (RJ)

Premia̤̣o РMostra Competitiva Internacional
  • Melhor Curta-metragem Internacional – Prêmio da Crítica - José Zuba Jr.
"Ponto Zero", de Carolina Rivas (México)
Prêmio: R$5.000,00 (cinco mil reais) (livre de impostos)
Menções Especiais do Júri Oficial
"Apenas um Carregador", pelo olhar humanista
"Cigarros e Café", pela consistência das interpretações
  • Melhor Curta-metragem Internacional – Júri Oficial
"Sobre a Terra", de Maria Florencia Alvarez (Argentina)
  • Prêmio Especial do Júri Oficial
"Poeira", de Jae-Hee Hong
  • Melhor Curta-metragem Internacional – Prêmio do Público
"A Maior Parte de Minhas Preocupações", de Carine Tardieu (França)
  • Melhor Ator Internacional – Júri Oficial
Os atores do curta "O Homem Sem Cabeça"
  • Melhor Atriz Internacional– Júri Oficial
Assy Fall, por "Luzinha" (França)
  • Melhor Som Internacional – Júri Oficial
Gábor Balázs, por "Pequeno Apokrypha # 2" (Hungria)
  • Melhor Montagem Internacional – Júri Oficial
Hanna Nordholt e Fritz Steingrobe, por "Eu Vi" (Alemanha)
  • Melhor Fotografia Internacional – Júri Oficial
Andris Prieditis, por "Flores Congeladas" (Letônia)
  • Melhor Roteiro Internacional – Júri Oficial
Juan Flesca, por "Stanley e as Inundações" (Espanha)
  • Melhor Diretor Internacional – Júri Oficial
"Ponto Zero", de Carolina Rivas (México)

O Festival é um espaço de incentivo e discussão para os profissionais do cinema e uma vitrine de exibição do melhor da produção mundial em curta-metragem. O evento é uma realização do Palácio das Artes, através de seu Departamento de Cinema em parceria com o Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais – CEC, Prefeitura de Belo Horizonte, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura e com a Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais e tem o patrocínio da Usiminas, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. O festival será realizado no Cine Humberto Mauro e no Teatro Ceschiatti do Palácio das Artes e em outros espaços de Belo Horizonte.
Confira muito mais no saite oficial do Festival, em  www.festivaldecurtasbh.com.br .  
Festival exibe mais de 300 filmes e vídeos de 31 países
 
    Pela sexta vez, Belo Horizonte se transforma na capital brasileira dos curtas-metragens. O 6º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, que acontece entre os dias 22 e 31 de julho, vai exibir mais de 300 filmes e vídeos em curta-metragem, compondo um panorama da produção mundial do formato. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.
    No Palácio das Artes, acontecem exibições em película no Cine Humberto Mauro, e exibições em vídeo estão programadas para o Teatro João Ceschiatti. As palestras e debates acontecerão na Sala Juvenal Dias. Parte da programação do Festival de Curtas também será exibida em vídeo no SESC/MG – Laces JK, no Centro de Cultura Belo Horizonte e em seis Centros de Cultura das Regionais da Prefeitura. Para todas as sessões, os ingressos serão distribuídos com 30 minutos de antecedência.
    A Organização do Festival ressalta que para os encontros e palestras não serão necessárias inscrições. Os encontros e as palestras discutem três novidades inseridas no Festival deste ano: a exibição de vídeos, de videoclipes e de vídeos publicitários. As iniciativas seguem uma tendência mundial dos principais festivais de cinema: a abertura de espaços para os vídeos. Outro destaque da programação do Festival são os curtas-metragens em Animação.
    O 6o Festival Internacional de Curtas de BH é um espaço de incentivo e discussão para os profissionais do cinema e uma vitrine de exibição do melhor da produção mundial em curta-metragem. O evento é uma realização do Palácio das Artes, através de seu Departamento de Cinema, em parceria com o Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura e apoio da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, e tem o patrocínio da Usiminas, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. O festival será realizado na Sala Humberto Mauro, no Palácio das Artes, e em outros espaços de Belo Horizonte.
 
Saiba mais em www.festivaldecurtasbh.com.br

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