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Confira a premiação completa do Festival de Porto Alegre

Por Guilherme Whitaker em 18/07/2004 13:17


+  Cobertura Especial  +

Ecletismo, teu nome é CineEsquemaNovo - ou um panorama sobre o festival de PoA.

Por Christian Caselli

Depois de assistir aos curtas do CineEsquemaNovo, que aconteceu aqui em Porto Alegre até domingo, é que se vê o quanto o festival manteve a coerência em relação às suas propostas iniciais. Filmes experimentais, malucos, doidos, ousados, feéricos, toscos, diferentes, poéticos, porralocas, não-hollywoodianos, antiBarretões, bons (na maioria), ruins, mais-ou-menos e etc se misturam sem cerimônia, dando ao espectador uma overdose de informações e expressões.

E a overdose é da boa. Diferente do tema que regeu da edição de 2003, "envolva-se", neste segundo CEN foi o "desbitole-se", neologismo que refletiu o caráter inovador do pessoal daqui. Ou seja, a ordem era misturar todas as forma de captação audiovisual em todas as sessões. Politicamente, em termos cinematográficos, é a democrática da distribuição de espaço e oportunidade, por respeitar tanto as diferenças raciais (aqui há todas as raças de imagens: película e vídeo, que às vezes até se misturam), quanto políticas e econômicas. Assim, um caríssimo 35mm está na mesma sessão de um VHS caseiro, por exemplo.

Em termos práticos: todas as sessões mostraram como a variedade temática e de texturas multiplicam por mil a potência dos discursos - muito mais que nos festivais "oficiais" de cinema, ainda limitados à película, tadinhos. Explicando: enquanto o festival chapa-branca exibe curtas bem-acabadérrimos de pessoas profissionalíssimas que muitas vezes contam uma piada que você poderia ter escutado num bar - e que foi feito com um dinheiro que poderia ter sido verba pública -, o CEN mostra um vídeo feito em casa, mas que, talvez, quem sabe?, por que não?, pode mudar sua vida.

Dando nome aos bois

Vale citar filmes figuraças e/ou bacanas que chamaram a atenção por aqui. No primeiro dia, a Mostra Competitiva 1 (MC1), teve tanto o maluquete "Desarmado", de Walter Fernandes Jr., que deu prosseguimento ao seu projeto de pegar pontas em 35mm para fazer seqüências aleatórias. Também teve o "Gringo in Rio", típico vídeo caseiro feito pelo paranaense Ricardo E. Machado, que mostra muito mais como é a "Cidade Maravilhosa" do que um filme oficial da Riotur. Vale ainda destacar a animação "Rato de Rua" por seu desfile de técnicas empregadas. Já o MC2 teve o excelente "Abry" (documentário de Joel Pizzini sobre a operação de D. Lúcia Rocha, mãe de Glauber e Anecy), a coreografia do acaso de "Da Janela do Meu Quarto" (de Cao Guimarães), o anti-crente "Frade Fraude vs. o Olho da Razão" (do lenda-viva Petter Baiestorf, que tocou bangô durante a sessão) e tragi-incômodo-cômico "Está lá, é do inimigo?" (de Lobito e Jel, RJ). O segundo dia teve sessões de maior impacto, com direito ao aclamado e muito bem-realizado "Amor só de mãe", de Dennilson Ramalho, versão cine-demoníaca  da música "Coração materno", de Vicente Celestino. Infelizmente Dennilson não compareceu no recinto, mas foi representado pela amiga Moira Toledo, que disse (que ele mandou dizer) para que todos trepem depois da sessão. Esta sessão teve contrates, exibindo ainda o delicado "L'Amar" (de Sandra Alves, sobre duas wind-surfistas à deriva em alto-mar), o forte "Ave Maria ou Mãe dos Oprimidos" (de Camilo Cavalcante, PE) e o bacana "Hablar de Sueños" (produção cubana de Joana Oliveira). Antes dessa sessão, vimos a MC3 com "São Jorge Camunguelo" (de Karen Akerman, RJ), "O Caminho" (dos mineiros Bruno Pacheco e Sérgio Borges, da Teia, que tem um formato promissor a ser  explorado) e o genial "Nada a declarar" (de Bruno Acioli, RJ), um verdadeiro e provocante manifesto destes estranhos tempos do Cinebrás.

Vale lembrar que logo após as sessões da noite, os realizadores que lá estavam davam pitacos sobre seus obras. O debate do MC5 de sexta, foi, de longe, o mais engraçado, com direito a personagens "Estranhos" (aliás, nome do documentário feito de nerd para nerds do gaúcho Marcel B. Conter, de 19 anos), ao "Homem Refluxos" (personagem título do filme em que um cara se veste com o lixo pessoal de uma semana) e ao diretor-"Nosferatum" Gurcius Gewdner, autor do filme-idem. Além destes filmes citados, vale comentar o "Selarón, a Grande Loucura", de Renata Brito e José Roberto Mesquita, documentário sobre o escultor-pintor oficial da Lapa, RJ.

A MC6 foi marcada de videopoesia e afins, tendo destaque a estranha animação "Plutão", do mineiro Sávio Leite, e da dança de "Sobressaltos", de Antônio
Stickel e Karina Pinheiro. Já a MC7 vale destacar quase todos os filmes: "Kino Copa" (dos "brothers" Chico Serra e Igor Cabral), o exercício-desabafo
"Quase Diretor" (de Adriano Lírio), o caseiro-autoral "Cresci!" (de Maurício Saldanha), "Cachorro Louco" (de César Meneghetti), que consegue ser tão
caótico como o trânsito de SP, e o ousado e inventivo paranaense "Infinitamente Maio" (de Marcos Jorge). A última sessão contou com o engraçado (principalmente para os cariocas) "Os Paulistas Invadem", de , a sinfonia de pipas de "Um Milhão de Pequenos Raios", do baiano Daniel Lisboa, e "Antes do Fim do Mar", do também brother Dido, RJ.

Christian Caselli viajou a convite do festival.

(Confira abaixo a premiação completa do Festival)

Pra saber tudo do evento visite www.cineesquemanovo.org/

Prêmio do CineEsquemaNovo surpreende como seu festival

A lista dos premiados do festival de longas e curtas-metragens CineEsquemaNovo, que aconteceu em Porto Alegre até ontem, 18 de Julho de 2004, foi tão surpreendente e inesperada quanto as sessões da mostra competitiva. Tal como os cineastas que foram aqui selecionados, os jurados Eugênio Puppo, Kiko Goifman, Alfredo Manevy, Lucia Koch e Gustavo Jan conseguiram pegar o espírito da coisa e passar adiante.

Mas nem tudo foi eleito pelo júri. O público elegeu o melhor longa, que foi "Quebrando Tudo", de Henrique Hinrichsen, sobre Hermeto Pascoal. Já a organização do evento se encarregou de premiar a melhor "coisa" do
festival; ou seja, a pessoa, acontecimento ou etc. que melhor representou as propostas do evento. E os contemplados foram o diretor Marcelo B. Conter, do filme "Estranhos", e um dos seus personagens retratados, o Leprechaun (veja a premiação completa abaixo). Além de serem pouquíssimos óbvios, vale ressaltar que grande parte dos filmes agraciados pelo júri foram de baixo ou pouquíssimo orçamento.

"Não foi intencional", garantiu a jurada Lúcia Koch. Mas o melhor  exemplo disto foi justamente o prêmio de melhor curta, "Da Janela do Meu Quarto", de Cao Guimarães, que nada mais é do que uma sutil e sensível
captação do acaso em super-8 - ou melhor, duas crianças da roça, um menino e uma menina, brincando de brigar. Além deste, vale destacar o troféu Paitrocínio (para filmes de baixo orçamento) para o interessante e completamente demente "Nosferatum", de Gurcius Gewdner. Ganhando dois prêmios, "Gringo in Rio" é um ótimo exemplo de vídeo caseiro (Mini-DV) que, devidamente deslocado, se tornou um verdadeiro vídeo sobre a Cidade Maravilhosa. Uma das escolhas mais surpreendentes foi o de melhor representação, dado a dois rappers do Rio retratados no documentário "A Batalha do Real", de Mathias Maxx (aliás, uma das figuras mais sui generis presentes no festival). E assim foi. A maior exceção da regra do filme-merreca foi o otimamente bem produzido "Amor só de mãe", de Dennilson Ramalho, que levou o merecido prêmio de Melhor Direção.

Christian Caselli viajou a convite do Festival

Veja a seguir a lista dos premiados.

Premiação CineEsquemaNovo 2004 !

Melhor Longa-Metragem = "HERMETO PASCHOAL - QUEBRANDO TUDO", de Rodrigo Hinrichsen, do Rio

Prêmio da Nova Crítica para Curta ou Média = "Ratos de Rua" de Rafael de Paula Rodrigues, do Rio de Janeiro

Troféu CineEsquemaNovo = O diretor MARCELO B. CONTER do filme ESTRANHOS, do Rio Grande do Sul e para o personagem Leprechaun.


MOSTRA TROFÉU SALA DE AULA, na Unisinos e Ufrgs = UMA ESTRALA PRA IOIÔ, de Bruno Safadi, do Rio de Janeiro

Troféu Melhor Plano ou Cena em curta ou média metragem = "Os Paulistas Invadem!", de Régis Maximillian, Ricardo Nimtz e João Karoauk, de São Paulo

Troféu PRÊMIO AUTO-RETRATO = "Cresci!", de Maurício Saldanha, do Rio Grande do Sul

Troféu Paitrocínio = "Nosferatum", de Gurcius Gewdner, de Santa Catarina

Troféu Grito =  "Kino Copa", de Igor Cabral e Chico Serra, do Rio de Janeiro

Melhor Edição/Montagem = "Gringo em Rio", de Ricardo Machado

Melhor Direção de Arte = "Hilda", de Manu Sobral, do Rio de Janeiro

Melhor Atuação = Os  MCs MARECHAL e DON NEGRONE, no filme  "A Batalha do Real", de Matias Maxx, do rio de Janeiro

Melhor Animação = "Plutão", de Sávio Leite, de Minas Gerais

Melhor Experimentação Fotográfica = "Remédio para dor", de JACKSON LUIZ ALIPRANDINI, Santa Catarina

Melhor Experimentação Sonora = "Um Milhão de Pequenos Raios", de Daniel Lisboa, da Bahia

MOSTRA PRÊMIO DO PÚBLICO = Em 3º Lugar pelo Júri Popular da Restinga ficou filme AMOR SÓ DE MÃE, de Dennison Ramalho, de São Paulo

Em 2º lugar, empatados na votaçào do Público do Bairro Restinga, ESTÁ LÁ, É DO INIMIGO?, de Lobito e Jel, do Rio de Janeiro e FOBIA, de Thyago Moyses, de Brasília/distrito Federal

E o primeiro lugar, ganhador do Prêmio Aquisição, pela TV UNISINOS, no valor de R$ 500, e 10 fitas MINI-DV, pelo site CURTAOCURTA = NADA A DECLARAR, de Gustavo Acioli, do rio de Janeiro

Melhor Direção: O escolhido ganhará 3h de Tape To Tape na LINK DIGITAL (RJ), para o próximo trabalho, e agradecemos no nome da DENISE MULLER, da Link; DENNISON RAMALHO, por "Amor só de mãe", de São Paulo

Prêmio Especial do Júri: O escolhido ganhará 4 latas de negativo KODAK 16mm, pela MARTINS PRODUÇÕES e 1000 metros de revelação de negativo pela LABOCINE DO BRASIL = "Gringo em rio", de Ricardo Machado, do Paraná

Melhor Curta ou Média-Metragem: O escolhido ganhará R$ 5 mil em locação de equipamentos pela QUANTA (válido para qualquer QUANTA do Brasil), para o próximo trabalho, e mais uma vez agradecemos ao CLÉBER KUHN  e ao pessoal da QUANTA, e 2.000 metros de revelação de negativo, pela LABOCINE DO BRASIL, para o próximo trabalho;"Pela síntese, sensibilidade e transcendência" O Melhor Curta ou Média do CINEESQUEMANOVO 2004 é "Da janela do meu quarto", de Cao Guimarães, de Minas Gerais


O novo esquema do CineEsquemaNovo
A quebra de protocolo foi a pauta oficial da abertura do festival CineEsquemaNovo, afinal, nada mais compreensivo e coerente para um evento que quer dar uma maior ênfase à produção alternativa do cinema nacional. Além de apresentar o que viria a acontecer no festival até domingo, na ocasião foi dado o troféu do evento (uma bola de lata com rodinhas e uma antena!) ao seu grande homenageado, o cineasta Ruy Guerra. 

Mesmo com o clima de informalidade, tendo os realizadores Gustavo Spolidoro, Morgana Rissinger, Alisson Ávila e Jaqueline Beltrame a frente do palco, a cerimônia de abertura começou com as palavra de seus principais apoiadores. A Prefeitura de Porto Alegre estava representada pelo prefeito em exercício, Rogério Favreto, e pelo Secretário Municipal de Cultura, Vitor Ortiz, que parabenizou o que chamou de "esforço hercúleo" o sacrifício dos organizadores em realizar o festival. "Que o CineEsquemaNovo liberte o cinema da ditadura do 35mm!", disse, empolgado. O patrocinador oficial do evento, a Petroquímica Triunfo, foi representada pelo superintendente da empresa, Cezar Mansoldo.

Logo após, os realizadores explicaram ao público as particularidades da segunda edição do CineEsquemaNovo, que, além da mostra competitiva de curtas, das sessões a meia-noite e de uma retrospectiva de seu cineasta homenageado, ainda ganhou uma mostra competitiva de longas, a mostra Sala de Aula (com filmes universitários, de oficinas etc.) e a sessão especial Filmes da Terra. Ao todo foram inscritos 657 curtas e 18 longas.

No entanto, a grande estrela da noite foi o homenageado Ruy Guerra. "É uma honra ser reconhecido por sua obra ainda com vida, pois é muito estranho: basta um cineasta morrer que todos os seus filmes ganham cinco estrelas", ironizou o diretor. No auge de seus 73 anos, Ruy esbanja uma mistura de vitalidade com maturidade. "Eu me sinto muito mais próximo dos meus 18 anos do que quando tinha 40, 50 anos. Aliás me sinto mais próximo agora do que quando tinha 18 anos", disse. "Este festival, pelo seu nome e sua postura, tem um compromisso que sempre seguiu a minha maneira de ver o cinema: de não envelhecer no debate da idéias, de manter uma ética de posições ideológicas e de não se deixar corromper pelas facilidades que às vezes esta profissão com sucessos efêmeros e com lantejoulas que põe no seu caminho que desvirtuam o seu sentido primeiro, que é o cinema, um compromisso sério com a vida". Após as belas palavras que mereceram a ovação da platéia, o público
pôde assistir ao seu grande clássico, "Os Cafajestes", realizado em 1961.

Por Christian Caselli, que viaja a convite do festival.

Saiba mais do festival de Porto Alegre no saite oficial do evento em www.cineesquemanovo.org/


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