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Críticas de curtas por KZL 20ª Mostra de Vídeo

Por Guilherme Whitaker em 23/09/2006 16:30


Crítica de curtas da Mostra de Santo André
Programas 1 e 2 - Por Christian Caselli




Como falei na matéria anterior, existem muitas qualidades na Mostra de Vídeo de Santo André, mas vale agora fazer algumas críticas. Primeiro em relação à duração das sessões, talvez um pouco grandes (seria interessante dividir cada sessão em duas diferentes? Bom, isto é apenas uma opinião). A segunda crítica vai para um certo grau de incoerência na seleção dos filmes. Mas vamos falar sobre isso com calma.

PROGRAMA 1
A primeira sessão, de quinta-feira, foi orgânica, tendo um bom nível de qualidade entre os selecionados. Provavelmente, o melhor da sessão foi "Diante do Abismo dos Seus Olhos", do mineiro Carlos Magno, que vem desenvolvendo uma linguagem bastante autoral e autobiográfica. Cercado de multi-referências, Carlos segue uma poética hiperinformativa, se valendo de tons de amarelo e do principal protagonista de sua obra, seu filho Bruno. Aliás os dois estão aqui em Santo André. O Bruno é uma figura.

A sessão continuou com altos e baixos, muitas vezes misturando sem pudor (o que é bastante interessante) filmes infantis, documentários, experimentais e até de terror. Na linha mais info-juvenil se destacaram as animações, todas de excelente qualidade: a ótima vinheta de um minuto "Seu Dente e Meu Bico" (de Marão, foto ao lado), "Marionete" (muito bom, pena que o fim não disse a que veio), o stop-motion porreta "A Morte do Rei de Barro" e o bacana "Primeiro Movimento" (animação autoral e que os peculiares personagens são compostos por objetos).

Porém o troféu abacaxi deste dia vai, com certeza absoluta, para "Cíntia e Celina", um pseudolibelo contra drogas, que vai um pouco na linha o polêmico longa americano "Kids" (que também não é lá essas coisas). Forçação de barra absoluta, o filme acaba mais constrangendo a platéia do que obtendo outro tipo de resultado.

PROGRAMA 2
Se no dia anterior os filmes eram melhores, neste segundo programa a coisa ficou mais complicada. Desta vez, os piores chamaram alguma atenção, até porque foram os primeiros. Por isto vamos começar por eles (mas, antes, algo importante: o primeiro curta da sessão, "Tem um Dragão no Meu Baú", de Rosária Maria, segue o padrão e a qualidade de "Seu Dente e Meu Bico").

"A Carpideira", de Ricardo Granito, vem do Rio Grande do Norte e quis contar uma história de forte conteúdo dramático. Afinal, "carpideira" é a mulher que é contratada pra chorar em enterros (genial, aprendi isso com o filme). Só que a má decupagem dos planos, que se obriga a mostrar cada ação banal dos personagens, mais o texto falho, atores mal dirigidos e um final que cai no chavão estragam tudo. Outro bem fraco é "Revolucionários de Araque ou a Volta dos que Não Foram" (foto ao lado), vindo de São Bernardo do Campo, uma bobeira, longa até, que não diz a ninguém para o que veio. Tá certo que todos devem ter se divertido muito fazendo o filme, mas o espectador não tem nada a ver com isso.

Estes dois filmes citados revelam, talvez, uma certa boa vontade do Festival em querer dar apoio a pessoas que estão começando e/ou produções vindas de lugares pouco lembrados no cenário midiático/cultural. Mas se houve condescendência, isso é algo falho. Será que realmente não havia nada melhor entre os filmes inscritos, que acabaram não sendo chamados devido a atitudes "altruístas"?  Aí é injustiça. É interessante que se discuta estes filmes - assim como eu estou fazendo agora - mas, quem sabe, em outro tipo de contexto. Quem sabe então criar uma sessão para filmes de oficina e/ou de escolas de cinema? Talvez seja melhor. Neste sentido, seria interessante pôr também o vídeo "Making of?", das Oficinas Kinofórum. Embora o filme seja uma simpatia só, é didático demais e está bem aquém aos melhores. Mas nada explica a inclusão estapafúrdia do obtuso "Mensageiro de Arben", uma pérola do trash da Faculdade Estácio de Sá - RJ.

Quando tudo parecia perdido na sessão, felizmente começou a melhorar o nível dos filmes. O desenho "Corrida de Jerico", embora se valha de pouca técnica, funciona otimamente. "Filhos do Trem" é um documentário sobre meninos engraxates dos trens de São Paulo e é bastante válido. Mas tudo engrenou de vez com o hilário besteirol "Jornal Investigativo" (foto ao lado). Eu, que estava até então meio traumatizado com o "Mensageiro de Arben", pensei: "lá vem merda", mas fiquei surpreso com esta bobeira maravilhosa. Logo depois, Marão e sua patota atacaram de novo com o sensacional "EngolheDuasErvilhas", continuação igualmente bizarra do sucesso "EngolheErvilha". Outros bons filmes foram o sucesso do Youtube "Tapa na Pantera" (procurem lá em http://www.youtube.com/watch?v=j0iKYCCxRXw , é sensacional) e "A Última Fábrica", do brother Felipe Nepomuceno.

KZL viaja a convite da Mostra de Santo André.
Confira mais do evento AQUI.

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