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cultura, economia, tecnologia e comunicação: sem micos, por favor.

Por Guilherme Whitaker em 05/01/2010 12:19


A discussão sobre a Comunicação é de grande interesse para qualquer sociedade. Em especial num país como o Brasil de dimensões continentais, com profundas desigualdades sócio-econômicas e com urgência de deixar de ser uma promessa para o futuro – até porque a Copa e as Olimpíadas vêm aí.

E, em particular, para um espaço como este com interesse em ciência e tecnologia como política pública, audiovisual como mercado e aspectos da relação entre tecnologia, cultura e economia.

A evolução da quantidade de festivais de cinema no país cresceu a uma impressionante taxa média de 19,8% ao ano entre 1999 e 2006. Enquanto foram realizados 38 eventos em 1999, em 2006 foram 132. Em 2006, o circuito atraiu 2,2 milhões de pessoas, gerou quase 6.000 empregos e movimentou um volume de R$ 59,9 milhões em investimentos.

Em 2007, o total de festivais que aceitavam o formato curta-metragem, ou que se dedicavam a ele com exclusividade, chegou a 93% do total de eventos do circuito, no ano.

Os dados acima, reunidos ao longo de anos recentes, permitem observar um dos impactos da introdução do uso da captação digital na produção audiovisual. Em especial, na produção de curtas-metragens. A explosão da produção não seria viável se não existisse um forte traço cultural que nos move para a expressão criativa e documental em imagens. Mas a vocação, sozinha, não faz milagre. A sensível redução dos custos de produção, com o advento do formato digital, foi decisiva.

O número total de festivais de cinema no circuito brasileiro em 2010 foi um pouco superior a 100, houve uma estabilização. Mas o fato é que em todas as regiões do país, milhares de pessoas têm acesso, todo ano, à rica produção audiovisual brasileira.

Outras tecnologias estão prestes a viabilizar outra revolução. Dessa vez, na circulação e na exibição. A disseminação do uso de redes de computadores, a ampliação do acesso à banda larga, a TV digital e a convergência de mídias vão permitir a ampla circulação dos curtas.

A produção, como vimos, tem ido bem, obrigado. Ah, a qualidade da produção? Bem, o enorme público dos festivais já indica o interesse que os filmes despertam. Mas tem mais. O crescimento de 124% de público do evento Curta no Almoço entre 2007 e 2009, com sessões no horário do almoço no Centro do Rio, que a Curta o Curta produz com patrocínio da Caixa, é outra pista do sucesso que os curtas fazem/podem fazer no grande público, com perfil menos cinéfilo típico dos freqüentadores de Tiradentes e que tais. Depende de oportunidades de exibição.

Então, temas como infraestrutura de redes, direito de acesso a banda larga, regionalização da produção audiovisual, Sistema Público de Comunicação, controle social e fomento à diversidade, discutidos na Conferência Nacional de Comunicação, são de grande interesse da sociedade, de jornalistas e de empresas de Comunicação. Mas também de produtoras e diretores, de exibidores e de distribuidores de audiovisual.

Audiovisual é lazer, cultura, economia, comércio exterior. É entretenimento, é emprego, é criação, é reflexão, é valorização da diversidade, é inserção de nossa cultura na aldeia global. Curta-metragem é cinema. E vai, com certeza, cada vez mais longe.
 


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