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Curta-metragem tem mercado

Por Guilherme Whitaker em 03/03/2010 22:39


A recepcionista da Caixa Cultural do Rio de Janeiro – já conhecida de outras edições – me cobrou, hoje, o material gráfico. O público já está procurando a programação do Curta no Almoço – 6ª edição, que começa semana que vem. De fato, a divulgação já começou: cinco linhas de ônibus já circulam com 2 busdoor em cada; milhares de postais Mica já estão em dezenas de pontos do Centro à Zona Sul carioca; um banner digital já colore a capa de Cultura do Globo Online. Semana que vem, teremos spots na rádio MPBFM e começaremos o corpo-a-corpo pela manhã nas proximidades da Caixa Cultural – nas saídas do Metrô e entradas de empresas.

A aposta geral da Curta o Curta ao ser criada, no final de 2005, já toma forma. O Curta no Almoço é um grande indício, senão prova, do potencial espaço para desenvolvimento da cadeia do curta-metragem dentro da indústria do audiovisual nacional. Um exibidor forte, com perfil de promotor cultural, como patrocinador – a Caixa; e um espaço que não poderia haver melhor – no coração do Centro do Rio, novo, confortável, bem equipado. Numa das pontas, os curtas – temos mais de 140 curtas em Catálogo e já exibimos na Caixa Cultural 63 desde fevereiro de 2007. Na outra, enfim, o público – 3.935 é o público total. Entre a primeira edição (fev/07) com 522 pessoas, e a quinta (ago/09) com 1.168, o crescimento foi de 124%.

Todos os filmes foram exibidos a partir de termos de licenciamento para exibição remunerado. Em sala com equipamento digital. A produção reunida em ação de distribuição, focada nas necessidades e oportunidades da exibição, que acertou em cheio o público. Uma operação com potencial escala para gerar valores consistentes em termos de receita financeira para produtores, novas produções e novos empregos, diversidade e regionalização das produções, expressão cultural audiovisual, formação de público e de profissionais para o cinema nacional, recolhimento de impostos.

Este ano, São Paulo vai ganhar seu Curta no Almoço. No Rio, a Firjan já está experimentando, desde 2009. Nossos resultados em 2008 e 2009 apresentam curva ascendente.

Não fosse uma falta de alinhamento entre ações do setor privado e do público, não prevista e até o momento inalterada, nosso esforço operacional iniciado em 2008 estaria, provavelmente, num patamar de resultados muito mais atraente e consistente, tanto para produtores quanto para o público.

As conseqüências dessa falta de alinhamento são muitas. As imediatas? Redução na receita dos produtores, de até 200%; alto risco para o investimento privado vislumbrar e apostar na sustentabilidade do negócio. No médio prazo, o risco é de desilusão geral: a iniciativa do governo ser descontinuada e a iniciativa privada, asfixiada, se desestruturar. E voltarmos todos – produtores, distribuidores, exibidores e público, ao ponto em que os festivais são a principal, senão única, oportunidade de se exibir curtas em salas físicas.

Não desistimos de buscar uma articulação com todos os envoldidos – poder público, produtores, exibidores – para conversar, negociar buscar um encaminhamento para superar o que entendemos ser uma superposição e cruzamento de ações prejudicial para o saudável desenvolvimento de um nicho dentro de uma economia da cultura digital, com modelo inovador de distribuição. Cenário que, inclusive, faz parte da visão de futuro viável e desejável tanto de agentes criadores quanto públicos.

Enquanto isso, onde não há superposição, há muita ação. Os flyers estão prontos. Amanhã levo, para o público conhecer a programação do Curta no Almoço/Caixa Cultural-RJ, que começa dia 9 de março. Já o Curta no Sesi, com sessões semanais, volta este semestre, de maio a agosto. No teatro Sesi-RJ, na Av. Graça Aranha, Centro. E, ainda no primeiro semestre, teremos Curta no Almoço/CCBB-SP. O curta vai longe!


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