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Curta o Curta na Urca em abril

Por Guilherme Whitaker em 30/03/2008 10:31


Cineclube Curta o Curta
Ateliê da Imagem - 4 de abril - 19:30 - grátis
Av. Pasteur, 453, fácil estacionamento local

A primeira sessão Curta o Curta de 2008 será com alguns filmes que se destacaram na MFL, Mostra do Filme Livre, que acabou de acabar no CCBB carioca. Dos 300 filmes exibidos no evento, entre curtas e longas, selecionamos alguns curtas livres zensacionais. Confira e comprove! Após a sessão, bate-papo com os realizadores. E depois, sessão toda primeira sexta de cada mês. O Cineclube Curta o Curta faz parte do Circuito ASCINE-RJ de Cineclubes.


Convite para jantar com camarada Stalin
MG, 2007, 10’, 16mm/dVd. de Ricardo Alves Júnior.
Se existe algo que dá prazer em fazer a curadoria de uma mostra é notar a variedade de tendências estéticas espalhadas nas cucas maravilhosas desse brasilzão-de-meu-deus e verificar como os novos talentos vão se formando. José Ricardo Alves Jr. parece ser um deles. Tendo impressionado e ganho prêmios com seu curta “Material Bruto”, ele torna a surpreender com este “Convite”, mesmo tendo sido perfeitamente coerente com o estilo delineado anteriormente. Desta vez, em uma construção minimalista com pouquíssimos planos, tipo uns 6 ou 7, ele volta nos sugerir as mais múltiplas e não-óbvias situações, tanto de afeto quanto de isolamento, ao improvisar com apenas duas senhoras não-atrizes. O resultado, não por acaso citando nas entrelinhas Samuel Beckett, transforma Stalin numa espécie de um Godot um pouco mais palpável, mas igualmente inatingível, simbolizando, quem sabe, o que todo mundo espera no fim das contas da vida. Independente de quem tenha sido Stalin. (Christian Caselli)

Pare, olhe, escute
RJ, 2006, 13’, dVd. de Carlos Augusto e Zé.
Quantas imagens, quantas sensações, uma imagem evoca ? O documentário “Pare, Olhe, Escute” é uma busca por signos e sentimentos, evocados por algumas imagens, pintadas nas ruas dos subúrbios da cidade. O apresentador do filme, Zé, também um de seus diretores, ao entrevistar os passantes, não se permite apenas perguntar se as pessoas querem falar a respeito da arte encravada nos muros da cidade, ele quer buscar um sentimento verdadeiro. Ele afirma odo o tempo o que está sentindo. Numa seqüência, quando entrevista um senhor que vê nas imagens a representação de um trabalhador rural, ele fala para a câmera (para o público ou para o operador da câmera, que é provavelmente um companheiro de vida de rua), que não chora há muito tempo, aproveitando por agradecer a equipe por aquela experiência. A imagem que ele viu, as lágrimas no olho do senhor que acaba de ser entrevistado, é o sentimento verdadeiro que ele busca, usando a arte da rua como uma metáfora para um sentimento real e espontâneo, que pode ser criado pela arte. Mesmo que possa parecer num primeiro olhar um repórter ingênuo, com uma abordagem displicente, o que Zé está buscando (não é possível saber através do documentário se é uma busca consciente ou não) é por um sentimento verdadeiro através da arte da rua. Esta sutileza torna o trabalho muito mais doque uma reflexão sobre história da arte ou a função da arte, o grafite de rua e sua significação para quem o vê, e acaba se tornando um documentário sobre seu próprio realizador, sobre seu inconsciente, sua sensibilidade e visão de mundo. (Chico Serra)

Sós na Fronteira
RJ, 2006, 7’, dVd. de Ricardo Targino.
A solidão, a paranóia e o pânico do fim do mundo, tão comuns ao cidadão de classe média das megalópoles, beiram o grotesco neste vídeo, onde uma madame moradora próxima de alguma favela carioca reflete sobre estar na fronteira entre o asfalto e a favela. Seu interlocutor é o câmera, que não lhe faz perguntas, deixando a personagem a vontade para falar de seus preconceitos, paranóias, e uma de suas maiores preocupações: sua cachorrinha poodle, que, coitada, sofre depressão e, de tanto tomar remédio tarja preta, possui um instinto suicida. Mas tudo bem: as farmácias, veterinárias e academias do bairro têm a solução. (Chico Serra)

Tripulante
RS, 2007, 10’, dVd. de Dirnei Prates.
Já não é uma surpresa em toda MFL receber dvds contendo diversos curtas de dois realizadores gaúchos: Dirnei Prates e Nelton Pellenz. Que e trabalham diversas vezes em conjunto, com obras voltadas mais para a videoarte. Sempre que possível, selecionamos o máximo de obras dos dois, pois é notório o caráter de investigação contido em cada filme. Porém, por ser esta uma mostra dando maior ênfase para o cinema e não para outras artes (pelo menos por enquanto, pois lutamos a cada edição misturar todos os gêneros), os dois nunca tiveram um filme indicado. Mas em 2008 foi a vez de Dirnei Prates com o seu melhor filme até então, “Tripulante”. Com uma duração um pouco maior do que de costume, o cineasta artista consegue construir um verdadeiro poema visual livre, misturando diversas bitolas – principalmente o cada vez menos lembrado VHS – para construir as sensações mais diversas a quem o assiste. (Christian Caselli)

Rapsódia do absurdo
Go, 2006, 15’, dVd. de Cláudia Nunes.
Denúncia poética
Muitos filmes são feitos sobre este tema que é um dos maiores problemas brasileiros, os sem-terra. A maioria deles fazem o comum, mostram imagens e conversam com as pessoas sobre a situação, alguns mostram vários lados, várias opiniões, discursos certos e errados de todas as partes, os que não têm onde viver, os que têm terras ociosas e o Estado nacional no meio de campo, obedecendo a tal lei que, no Brasil, desde sempre, está do lado de quem possui, no mínimo, uma casa pra chamar de lar. Os miseráveis que sigam em sua invisibilidade social e na falta completa de perspectivas até de curto prazo. Tantas contradições e alguns paradoxos sobre tantos absurdos respaldados nas leis poderiam virar apenas mais um filme careta sobre o tema. Ao contrário disso, se quis a poesia pela composição de sons e imagens que dizem demais e por muito mais tempo, mensagem pra todos, vinda diretamente dos que são oprimidos por leis não focadas na verdade dos fatos mas em seus próprios dogmas assassinos. (Guiwhi Santos)

Duração da sessão: 55min.

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