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De 11 a 16 de agosto, Catarina Festival de Docs., confira

Por Guilherme Whitaker em 11/08/2004 13:34


CATARINA FESTIVAL DE DOCUMENTÁRIO
Evento se consolida como importante vitrine para o Cinema Nacional
  Um espaço para a valorização do cinema brasileiro, com ênfase na produção regional. Balneário Camboriú volta a sediar pela terceira vez o Catarina Festival de Documentário, que --  desta quarta-feira, dia 11, até 16 de agosto -- recebe participantes das cinco regiões do país e do exterior. Nesta terceira edição, a extensa programação é norteada pelo tema Convergência, Interatividade e Novos Veículos Multimídia. Tudo converge para o casamento do cinema com a TV e para a interatividade entre os veículos de comunicação. “Até os celulares estão abrangendo a linguagem audiovisual, com os novos recursos de fotografia e filmagem”, explica Cloris Ferreira, diretora geral da Araucária Produções Artísticas, realizadora do evento.
     O Catarina 2004 mantém a tradição de homenagear nomes fortes do cinema e vídeo. Esta edição destaca o trabalho do carioca Silvio Tendler, autor de dezenas de documentários, inclusive o de maior bilheteria no Brasil - “O Mundo Mágico dos Trapalhões” -, e do catarinense Pena Filho, que retrata em seus curtas e médias metragens parte da cultura do Estado. 
     Um dos 12 festivais do gênero no país, o Catarina tem perfil único. Na Mostra Competitiva, o melhor filme e melhor vídeo – este ano há 40 trabalhos inscritos - são escolhidos por cinco profissionais especializados. O Prêmio Salim Miguel é dado pelo Júri da Crítica Especializada em cinema. O melhor roteiro de autor catarinense para curta-metragem recebe o Prêmio Arão Rebello. A obra preferida pelo público (voto popular) fica com o Prêmio Armando Carreirão. A programação vai além das premiações, com uma série de projetos paralelos que beneficiam quem assiste e quem faz cinema.
     “O evento destaca-se por tratar o cinema como produto da indústria brasileira”, explica Cloris Ferreira, diretora da Araucária Produções Artísticas, empresa paranaense realizadora do Festival. Por isso o grande diferencial é o Balcão de Negócios, onde trabalhos e projetos de produtores brasileiros podem ser oferecidos a grandes operadoras internacionais, como Discovery, HBO e Sony. Proposta semelhante é a do Encontro das TVs, que aproxima profissionais independentes e emissoras, possibilitando que seja aberto cada vez mais espaço para a produção nacional na telinha e, conseqüentemente, na casa dos brasileiros. O Catarina engloba ainda lançamento de livros, o Encontro dos Críticos, com grandes nomes que participam também da Mesa Redonda Sobre o Cinema Documentário no Brasil, e o Simpósio Político. O simpósio reúne parlamentares envolvidos no fortalecimento da produção nacional e que em Balneário Camboriú irão lançar a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Cinematográfica Brasileira.
     Se um dos objetivos é popularizar cada vez mais os filmes e vídeos brasileiros, nada melhor que investir na formação do público, de todas as idades e classes sociais. O Catarina Vídeo Documentário promove sessões de cinema diferenciadas para crianças, universitários e melhor idade; Mostra da Região Sul, estimulando e valorizando a produção regional; Feira Interativa e Mostra Oficial, com o melhor do cinema brasileiro.
     Todas essas atividades devem atrair cerca de 20 mil pessoas, durante os seis dias do evento. A terceira edição do Catarina Festival de Documentário é a consolidação de um projeto bem sucedido. Já na segunda edição, o evento recebeu o selo Fórum dos Festivais – Fórum Nacional dos Organizadores de Eventos Audiovisuais Brasileiros. A entidade, sem fins lucrativos, foi criada para zelar pela ética em ações públicas ou privadas que envolvem o cinema nacional. O selo atesta a qualidade e a seriedade do evento.
     Não foi por acaso que a Araucária ProduçõesArtísticas escolheu Santa Catarina para sediar o festival. “Aqui há uma vocação especial para documentários. É um estado formado por várias etnias, com muita diversidade e muita história para ser contada”, acredita Cloris Ferreira, diretora geral.  O estado não só abriga como também dá nome ao evento, que se tornou vitrine para a divulgação do cinema nacional. O Catarina Festival de Documentário é uma realização da Araucária Produções Artísticas, com o patrocínio da Eletrobrás, através de projeto aprovado pelo Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet. O Festival tem o apoio do Governo de Santa Catarina, através da Fundação Catarinense de Cultura, da Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú, através da Secretaria Municipal de Cultura, RBS 25 Anos, Univali, Kodak, Quanta Iluminação, Tractebel e TAMs.
 
OS HOMENAGEADOS DE 2004
 
Sílvio Tendler
     O carioca Sílvio Tendler é autor de cinco longas-metragens: “Os Anos JK”, “Jango”, “Castro Alves”, “Glauber – Labirinto do Brasil” e “O Mundo Mágico dos Trapalhões”. Este último obteve a maior bilheteria da história dos documentários brasileiros: foi assistido por 2,5 milhões de pessoas. Em vídeo, realizou uma dezena de documentários.
 
Pena Filho
     Talento catarinense, Pena Filho é autor dos curtas e médias-metragens “Naturezas Mortas” (1995), “Victor Meirelles – Quadros da História” (1996) e “Alma Açoriana” (2001). O cineasta valoriza no cinema a cultura de Santa Catarina.
 
 
ETERNOS HOMENAGEADOS NO CATARINA
 
Para honrar os vencedores da Mostra Competitiva, emprestam seus nomes aos prêmios especiais:
 
Armando Carreirão
Os filmes de Armando Carreirão representaram mais que entretenimento. Viraram registro histórico. Na década de 60, antes da TV ser artigo comum nos lares brasileiros, era assistindo ao Cinejornal que a população ficava sabendo do que acontecia no mundo e em Santa Catarina.  A Carreirão Produções fez mais de 200 filmes, entre cinejornais e documentários, de 1957 a 1969. Hoje só resta uma pequena parte desse material: cinco latas de filmes. O material conservado pelo Museu da Imagem e do Som revela mudanças intensas, principalmente na capital, e preserva uma parte importante do passado da cidade.
 
Arão Rebello
O catarinense, nascido em 1906, seguiu a carreira política em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Paralelamente, foi advogado criminalista de sucesso por mais de 50 anos e ainda encontrou tempo para se dedicar ao jornalismo. Destacou-se como colaborador da Gazeta do Povo, de Curitiba, e da Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro.
 
Salim Miguel
O jornalista e escritor Salim Miguel teve como parceira a esposa, Egle Malheiros, para escrever o roteiro e a argumentação do primeiro longa catarinense: “O Preço da Ilusão”, de 1957. No Rio, adaptou para o cinema o conto “A Cartomante”, de Machado de Assis, e o roteiro do romance “Fogo Morto”, de José Lins do Rego. Salim Miguel integrou o júri de vários festivais. Fez parte também da comissão “Resgate do Cinema Brasileiro”, do Ministério da Cultura. Tem 22 livros publicados e outros dois já prontos.  
 
MOSTRA COMPETITIVA
 
     A Mostra Competitiva é aberta a produções nacionais e internacionais, em vídeo e em filme 16mm e 35 mm. As obras abordam temas sociais, culturais ou ambientais de qualquer região do país ou retratam a vida e a obra de personalidades culturais de Santa Catarina. O Prêmio Salim Miguel engloba duas categorias: Filme Documentário (de 16mm ou 35mm) e Vídeo Documentário. Cada uma delas oferece troféus para melhor obra, direção, roteiro, fotografia, som direto, trilha musical e montagem. Os 40 concorrentes são avaliados por críticos especializados.
     Ao Prêmio Estímulo Arão Rebello, de melhor roteiro de curta-metragem, podem concorrer catarinenses ou profissionais que moram no estado há mais de três anos. Há ainda o Prêmio Armando Carreirão, para o documentário escolhido pelo público (voto popular). Todos os vencedores da Mostra Competitiva receberão o troféu Papa Siri.
     A exibição dos trabalhos da Mostra Competitiva de Vídeos será de quinta, dia 12, a domingo, 15 de agosto, das 17h30 às 18h30, no Centro de Eventos do Hotel Plaza Camboriú. E a Mostra Competitiva de Filmes vai ser realizada de quinta a domingo, das 19h30 às 20h30, no Centro de Eventos Autocine. A entrada é franca. Na abertura do 3º Catarina Festival de Documentário, dia 11 de agosto, a organização do evento, em homenagem a Penna Filho, programou a exibição de um dos trabalhos do cineasta catarinense, “Vitor Meirelles – Quadro da História”.
 
MOSTRA OFICIAL
 
     Se os 40 selecionados da Mostra Competitiva são as estrelas do Catarina, o glamour do Festival fica por conta da Mostra Oficial, com a exibição de longas que brilharam nas telas de todo o país.  Serão exibidos seis filmes:
 
  • 11/08, quarta: Prisioneiro da grade de Ferro (dir. Paulo Sacramento)
  • 12/08, quinta: Pelé, Eterno (dir. Aníbal Massaini)
  • 13/08, sexta: “Garrincha – Estrela solitária (dir. Milton Alencar)
  • 14/08, sábado: Guerra de Canudos (dir. Sergio Rezende)
  • 15/08, domingo: Narradores de Javé (dir. Eliane Caffe)
  • 16/08, segunda: Glauber, o Filme – Labirinto do Brasil (dir. Silvio Tendler – Homenageado do Catarina 2004)
     Os filmes da Mostra Oficial serão exibidos no Centro de Eventos Autocine, às 21 horas, de quarta à domingo, e às 18h30, na segunda-feira. Os ingressos custam R$ 5,00.
 
DEBATES SOBRE OS FILMES
 
     Os filmes da Mostra Oficial serão tema de debate, sempre no dia seguinte à exibição. O público acompanha as discussões de quinta, 12, à segunda, 16, das 11h às 13h, na Sala Plaza do Hotel Plaza Camboriú.
 
MOSTRA DA REGIÃO SUL
 
    O Catarina promove a integração entre os três estados do sul, que segundo Cloris Ferreira “precisam se unir para que não somente o eixo Rio-São Paulo seja forte na produção de documentários. Para a Mostra da Região Sul, foram selecionados trabalhos em vídeo, que serão exibidos no Centro de Eventos do Hotel Plaza Camboriú, sempre às 15 horas. A entrada é franca.
 
  • Dia 12, quinta: Festival de Gramado, Esdras Rubim
  • Dia 13, sexta: “Preço da Paz”, de Maurício Appel
  • Dia 14, sábado: Premiados de Santa Catarina, Antonio Celso
     BALCÃO DE NEGÓCIOS
     Uma rara e valiosa oportunidade para quem faz cinema e vídeo no Brasil. É o que representa o Balcão de Negócios. “Os produtores brasileiros exibem seus projetos para emissoras abertas e fechadas, dando início à negociação”, explica a coordenadora do Balcão, Mônica Zafita. A chance é oferecida a interessados de qualquer parte do país. A inscrição deve ser feita na secretaria do evento, anexo ao Centro de Eventos do Hotel Plaza Camboriú na quinta-feira, dia 12, ou na sexta, dia 13. As apresentações serão no sábado e no domingo (14 e 15), por ordem de inscrição, e seguem o modelo das grandes feiras internacionais. O interessado tem 10 minutos para apresentar seu projeto, utilizando qualquer recurso, de um simples papel à material em DVD, VHS ou CD ROM. Os representantes das operadoras assistirão a todas as apresentações, abrindo a possibilidade de negociação. Já confirmaram a participação:
  • Fernando Dias – ABPI (Associação Brasileira de Produtores Independentes)
  • Regina Silvério – APEX (Associação de Promoção de Exportação do Brasil
  • Paulo Ricci – Mixer
  • Adriano Civita – Pródigo
  • Luís Filipe Fratino – DM9 DDD
  • Gustavo Leme – Fox
  • Luís Peraza – HBO
  • Marcela Iglesias – Sony
  • Javier Lopez Casella – Discovery Network
  • Michela Giorelli – Discovery Network
  • Valdir Zwetsch – Bandeirantes/Canal 21
  • Carlos Amorim - Record
  • Mario Diamante - Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura
 
 “O Balcão de Negócios conquistou a confiança de emissoras nacionais e internacionais, que deslocam profissionais até o festival”, comemora Cloris Ferreira. Ganham os cineastas e também o público que busca programas de qualidade. “Se esse espaço for se abrindo cada vez mais, podem surgir aficcionados pelo cinema nacional, assim como hoje há aficcionados pelas novelas”, prevê a diretora.
 
ENCONTRO DAS TVs
 
     O encontro aproxima produtores independentes às emissoras, com o objetivo de facilitar a realização de parcerias e co-produções. É um importante espaço para o diálogo, que em 2004 terá dois temas centrais: a exportação de produtos audiovisuais e outros formatos de produtos independentes. “O interessante é que as televisões abertas e a cabo utilizam cada vez mais produções independentes, não somente documentários, mas também seriados e outros tipos de programa”, constata a coordenadora do encontro, Mônica Zafita.  O encontro é aberto ao público e acontece na Univali, sexta, sábado e domingo, das 9h às 12h.
 
SIMPÓSIO POLÍTICO
 
     O fortalecimento do cinema brasileiro depende também de esforço político. Este é o objetivo do Simpósio Político, evento que acontece no dia 16 de agosto, durante o III Catarina Festival de Documentário. Durante o Simpósio, parlamentares federais, estaduais e municipais traçarão as primeiras ações da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Cinematográfica Brasileira. A Frente foi criada em junho último, no Festival Guarnicê de São Luís do Maranhão, e será lançada em Balneário Camboríu, durante o festival. Por enquanto, só está definido o estatuto. Agora serão elaboradas formas de evitar que a produção brasileira continue sendo prejudicada pela agressiva estratégia das distribuidoras de filmes americanos. “É que essas empresas obrigam o exibidor a comprar, junto com um campeão de bilheteria, um pacote de filmes. Assim, os cinemas do Brasil acabam ficando sem espaço para exibir produções nacionais”, explica o coordenador do Simpósio, cineasta Cesar Cavalcanti. A idéia da Frente, além de tantas medidas urgentes à serem desenvolvidas, é seguir o exemplo da Cinematografia francesa e indiana, que mesmo exibindo filmes americanos, garantiram, através de leis e do volume de suas produções, a valorização da produção local. O Simpósio Político será realizado das 9h às 11h, no Centro de Eventos do Hotel Plaza Camboriú.
 
 
 ENCONTRO DOS CRÍTICOS
 
     Alguns dos mais respeitados críticos do país estarão em Balneário Camboriú para debater o ofício e os novos rumos do cinema documental brasileiro. Eles também terão a responsabilidade de selecionar o melhor filme e o melhor vídeo do Catarina Festival de Documentário. Já confirmaram presença:
  • Márcio Rodrigo (Gazeta Mercantil)
  • Luiz Zanin Oricchio (Estadão)
  • Alessandra Brandão (Santa Catarina)
  • Rodrigo Fonseca (JB) 
  • Maria do Rosário Caetano (Revista de Cinema)
 A ESCOLA VAI AO CINEMA
      O projeto é uma oportunidade para crianças da rede pública, que nem sempre têm condições de freqüentar salas de cinema. A proposta é apresentar a elas esse mundo de fantasia, informação, entretenimento e cultura.  
 A UNIVERSIDADE VAI AO CINEMA
      No Catarina Festival de Documentário, o projeto dedicado aos universitários não se limita à exibição de filmes. O Universidade vai ao Cinema é um convite também para a participação nos debates e no restante da programação. Os estudantes recebem certificado de participação, dependendo da freqüência. Tudo para formar platéia de qualidade.
 
 A MELHOR IDADE VAI AO CINEMA
      Uma das metas do Catarina é formar público, sem limite de idade. Para isso são promovidas sessões gratuitas, dedicadas a quem já passou dos 60 anos. Os filmes serão exibidos no Centro de Eventos do Autocine, sempre às 14 horas, de quinta, dia 12, à segunda-feira, dia 16.
 
Maiores Informações em  www.aproducoes.com.br/index2.html
(047) 367-0700 – Produção do Festival - Araucária Produções

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