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Documentário goiano conquista prêmio da UNESCO e FNCL

Por Guilherme Whitaker em 09/07/2012 14:57


O documentário goiano Apenas Me Filme (Just Shoot Me), da diretora Claudia Nunes conquistou o Prêmio Cámaras de la Diversidad, concedido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em parceria com a Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano (FNCL), durante o 10˚ Festival Internacional de Cine Pobre de Humberto Solás, em Cuba.

O festival é voltado a filmes de baixo orçamento e foi criado pelo cineasta cubano Humberto Solás em 2002 e tem o apoio do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC), UNESCO, Ministerio de Cultura de Cuba e governos de Holguín e Gibara.

Solas é um dos mais importantes nomes do cinema latinoamericano, diretor de filmes emblemáticos da cinematografia cubana, duas vezes jurado do Festival Internacional de Berlim e indicado á Palma de Ouro em Cannes pelo filme Cecília.

O Prêmio Cámaras de la Diversidad faz parte das ações da UNESCO para apoiar a implementação da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das expressões culturais, assim como para promover uma cultura de paz e não violência que seja uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento sustentável.


Carreira internacional

Além de Cuba, Apenas Me Filme já foi exibido em seis países: Itália - Bergamo Film Meeting; Chile - 10˚ Festival Internacional de Cine de Lebu (com projeções dentro de uma caverna); Bélgica – DocHouse; Alemanha - Kino im Sprengel; Áustria – Vienalle; e na França, no FidMarseille, La Roche Sur, Image de Ville e Signes du Nuit. Nesse país, o filme também será exibido na emissora a cabo, Bocal TV (Paris).

Este é o terceiro prêmio internacional do documentário, que ganhou o Prix Marseille Espèrance (FidMarseille 2011) e Prix Sign (Festival Internacional Signes Du Nuit 2011), ambos na França.


Manifesto do Cine Pobre – Por Humberto Solás

Esclareçamos os mal-entendidos:

Cine Pobre não quer dizer um cinema carente de ideias ou de qualidade artística, mas se refere a um cinema de baixo orçamento, produzido tanto nos países menos desenvolvidos ou periféricos como também no seio das sociedades de maior nível econômico, dentro de programas oficiais de produção ou através do cinema independente ou alternativo.

1-. A globalização acentua o abismo entre um cinema pobre e um cinema rico. E comporta, definitivamente, o perigo da implantação de um modelo único de pensamento, sacrificando a diversidade e a legitimidade das identidades nacionais e culturais.

2-. Atualmente, a revolução tecnológica do cinema é portadora de eficazes meios de resistência a este projeto despersonalizador, ao promover a consolidação progressiva de novas possibilidades técnicas, como no caso do video digital e sua posterior ampliação para 35mm, reduzem notavelmente os processos econômicos da produção cinematográfica.

3-. Isso repercute em uma gradual democratização da profissão, ao desequilibrar o caráter elitista que tem caracterizado essa arte vinculada inexoravelmente á indústria.

4-. Aproveitar e estimular esta redução de custos de produção, significará em um futuro imediato a inserção na cinematografia dos grupos sociais e de comunidades que nunca antes haviam tido acesso a exercício da produção de cinema, dando perdurabilidade às incipientes cinematografias nacionais.

5-. Isso será o baluarte fundamental para escapar de um sentimento de impotência diante do vandalismo globalizador e permitirá legitimar, de uma vez por todas, a polivalência de estilos, legados e propósitos de uma arte que não será patrimônio somente de um país e nem de apenas uma impositiva concepção de mundo.

6-. Para que isso ocorra eficazmente, haverá de ser derrubado o muro do controle da distribuição cinematográfica por apenas um grupo de majors ou transnacionais, que geram a alienação do público, que fica sem acesso às obras de seus autores nacionais.

7-. Isso nos permitirá lutar contra o espetáculo da violência gratuita cinematográfica, que envilece as audiências e especialmente os espectadores mais jovens.

8-. Uma gradual desalienação do público somente será fecunda se os diferentes governos implantarem ações legais que apoiem a produção e a distribuição de suas obras cinematográficas autóctonas.

9-. Então o cinema haverá saído, definitivamente da era da barbárie.

Humberto Solás
Fundador del Festival Internacional del Cine Pobre

Fonte: Claudia Nunes


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