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Entrevista Inclusiva

Por Guilherme Whitaker em 23/07/2008 12:49


“O Mistério …” é eleito o Melhor Filme da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

"O Mistério do Cachorrinho Perdido" (ficção, SP, 2006, 23’), do diretor paulista Flávio Colombini e que faz parte do Catálogo Curta o Curta, foi eleito por um juri composto por crianças como o melhor filme da 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis (SC), realizada em julho.

O filme conta a história de três amigos que encontram um cachorrinho e se envolvem em uma grande aventura. O diretor receberá da Mostra um prêmio de R$ 1 mil reais. Veja no Blog do filme mais informações e fotos.

Confira, abaixo, entrevista inclusiva com o diretor do filme, Flávio Colombini (foto):

COC - Como foi a idéia de fazer o curta e como ele foi feito, em termos de produção? Quantos dias de filmagem e depois de edição? Teve edital ou foi investimento próprio? Quanto custou a realização do filme?

FC - Durante anos eu colecionei idéias para um seriado infantil de aventuras para a TV, baseado vagamente na minha infância. Eu acabei escrevendo 14 episódios para esse seriado. Em 2005, eu peguei minhas economias e resolvi fazer o piloto para tentar vender o projeto.
Fiz casting em 4 agências de atores infantis, testei 153 crianças para achar os três atores infantis principais e os 5 secundários do filme. Revisei o roteiro diversas vezes, chamei amigos para participar da equipe, escolhi locações, ensaiei os atores junto com um preparador, e em menos de dois meses já estávamos filmando.

Foi um esquema de baixo orçamento. Filmamos tudo em 5 dias e meio. Foi bem corrido levando em conta que teve muitas cenas de ação complicadas de se fazer. Nos dois meses seguintes eu editei no meu computador as 7 horas de material bruto até elas virarem 23 minutos de corte final. O custo total da produção e finalização foi de 12 mil reais. Isso pagando todo mundo, até pelo aluguel do cachorrinho, que custou R$ 300,00.

Depois que estava pronto eu resolvi divulgar o projeto não só como um piloto de seriado pra TV, mas também como um curta-metragem de cinema.

COC - Por que você fez esse filme?

FC - Sou totalmente apaixonado pelo projeto e achava que daria certo. Queria fazer algo legal para as crianças. Acho que tenho muito jeito com esse público.

COC - É seu primeiro filme?

FC - Meu primeiro filme chama-se Não Vai Ser Fácil (16mm - 1999) e é meu projeto de formatura do curso de cinema da FAAP. Na época foi exibido em diversos festivais. Depois fiz muitos vídeos institucionais, dois videoclipes para bandas independentes, e muitos videos trash que hoje estão no youtube.

COC - Como foi trabalhar com crianças?

FC - Foi difícil, pois muitas vezes nas filmagens os atores infantis ficavam dispersos, com dificuldade de se concentrar. E alguns tinham pouca experiência e precisavam de muita ajuda. Mas, por outro lado, eram muito espontâneos e divertidos e acabaram fazendo um ótimo trabalho.

COC - Você está fazendo outros filmes? A temática dos novos é a mesma deste?

FC - No momento estou trabalhando em roteiros para o público adulto. E também nesse mês vai sair meu primeiro livro infantil. É um livro de poemas divertidos sobre aves brasileiras. Chama-se Poemas Voadores e está sendo publicado pela Duna Dueto Editora, de São Paulo.

COC - Ele foi inscrito em vários festivais? Foi aceito? Como você acha que está sendo a trajetória do filme?

FC - Desde o começo de 2006, quando o filme ficou pronto, eu o inscrevi em diversos festivais, mas foi rejeitado pela grande maioria. Ninguém abria espaço para um curta infantil, ainda mais com 23 minutos de duração, o que é considerado longo pra diversos festivais. Desanimei e quase desisti, até que o curta foi aceito pelo festival de Belo Horizonte. Me animei e o inscrevi em mais festivais. Mas novamente ele só foi rejeitado e eu desisti.

Me reanimei só em 2007, quando eu fiz uma versão de 15 minutos do filme e mandei para o festival de curtas de São Paulo. Ele foi aceito e bem recebido. Depois ele ainda foi exibido no festival de Mairiporã e numa Mostra de pilotos de TV no Rio.
Então esse ano eu descobri a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e fiz questão de inscrever o filme, na versão integral. Ele foi aceito, exibido com sucesso e acabou sendo escolhido pelas crianças o melhor curta do festival. Fiquei muito feliz! Depois de tanto esforço, o filme finalmente encontrou seu público.

COC - Como você vê o mercado de curtas em geral no Brasil, hoje?

FC - Está democratizado pela grande aceitação de curtas digitais nos festivais de cinema. É muito mais fácil e barato fazer e exibir um curta agora. Mas a concorrência aumentou e fazer algo de qualidade é o maior desafio.

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