Entrevista Inclusiva com o canibal vegetariano Petter Baiestorf ::  | Curta o Curta

Entrevista Inclusiva com o canibal vegetariano Petter Baiestorf

Por Guilherme Whitaker em 16/04/2009 11:08


Destaque da oitava edição da  Mostra do Filme Livre, Petter fala sobre sua vida e obra em texto inédito e inclusivo, publicado originalmente no catálogo do evento. Confira a programação completa das sessões canibais na MFL aqui.  (entrevista concedida à Christian Caselli, curador da MFL)

MFL - O que mudou do meu documentário pra cá? O que você acrescentaria nesta história? me aponte os fatos mais relevantes.

BAIESTORF - Minha parceria com o Gurcius (Gewdner), ou seja, eu ter arranjado um editor me ajudou bastante. Em contrapartida, ter
ficado praticamente sem equipe técnica aqui tem atrapalhado um pouco. Eu e (César) Souza estamos quase sozinhos aqui. Mas quando rola produção, a gente traz pessoal de fora, junta amigos e rola fazer igual. “Vadias...” foi feito assim. Antes do “Palhaço Triste” todos meus filmes são montados de vídeo prá vídeo, após
minha parceria com o Gurcius finalmente estou tendo uma edição melhor, reflete isso principalmente no “Vadias...” (os outros eu filmei prá editar com uma narrativa mais devagar). Tô pensando em fazer umas experiências na hora de filmar agora prá tentar edições cada vez mais dinãmicas em filmes cada vez mais histéricos (mas são planos, posso esquecer disso quando começar a filmar e fazer narrativas devagar sem me tocar), hehehehehehehhe.

MFL - E como foi fazer a transição do VHS pro digital? Além da edição, digo, a imagem melhor e tal... você acha q perdeu um pouco do “charme”?

BAIESTORF - Prá mim, normal, porque penso que tanto faz o suporte. Eu filmaria com qualquer equipamento, porque dou mais valor ao que quero mostrar ou discutir num filme. Suporte é um mero detalhe. Uma hora vou fazer mesmo um filme com celular, só de zoeira, ficar granuladão, porco, primitivo. Mas, resumindo,
filmaria com qualquer suporte, igual aqueles meninos que jogam bola com uma camiseta enrolada (frase de efeito prá cidade do Rio,
heheheheheheheh).

MFL - “Dou mais valor ao que quero mostrar ou discutir num filme”... Estas coisas são pensadas por você antes? Você tem um assunto prévio na sua cabeça que queira discutir, tipo uma mensagem”?

BAIESTORF - O assunto eu sempre decido antes, mas se o filme por algum motivo tomar novos rumos nas improvisações das filmagens,
vou vendo até onde a coisa vai. Por exemplo, quando escrevi o argumento do “Primitivismo kanibaru na lama...”, a idéia era mostrar um confronto entre “civilizado” e primata, o argumento era só isso. Quando cheguei na locação, fui pirando e achei uma TV no lixo e incorporei ela na narrativa. E fomos criando. Dava a situação aos atores e deixava fluir. Depois fui cortando na edição e criando o filme.

MFL - Tá, o “Arrombada” tem uma crítica a hipocrisia política, principalmente no personagem do Souza... Mas o “Vadias”, não sei bem o “assunto” dele... Você também não acha legal apostar numa certa anarquia de sensações? Sem um assunto mais definido?

BAIESTORF - “Arrombada” escrevi inspirado no juiz Lalau. Ouvi a notícia sobre ele e saiu a história. Foi inspiração na hora. “Vadias...” é sobre pessoas sempre tentando comandar sua vida, por isso a metalinguagem e também de eu ser o narrador (que também sou o roteirista/diretor/produtor da coisa). Passa dos namorados pro narrador comandando a “vida” das personagens e depois prá mim como realizador brincando com o espectador. Pelo
menos foi minha idéia ao escrever ele, não mudei nada do roteiro prás filmagens. Filmei só o que tava no roteiro. Mas acho bacana
filmes sem assunto ou que vão mudando suas narrativas e vão prá lugar nenhum, penso que faço isso as vezes em coisas tipo “Palhaço
Triste” e outros.

MFL - Até as “incoerências” do “Vadias”
estava no roteiro? tipo, tem personagem que morre, aparece de novo...

BAIESTORF - tava sim, hauahauahuahauahu!!! Porque personagem no cinema não morre quando o espectador quer, uahauahaua!!! Morre quando eu deixar! Sou Deus, porra, auahauahauahaua!!!

MFL - O que mais motiva você a fazer efeitos nauseantes? Como você pensa sobre a força deste tipo de imagem, etc?Ou seja, o gore em si?

BAIESTORF - Assim; eu adoro escatologia. Penso que nunca vou abrir mão disso na narrativa, porque é um meio de envolver o espectador. Isso que sempre esqueço de trabalhar os tabus, tipo, incesto e outras coisas. Essa semana mesmo tava pensando em fazer
um roteiro de putaria com necrofília, sai assim que eu conseguir fugir do “Nekromantik” do Buttgereit. Porque, principalmente nos
últimos 15 anos, creio que quase ninguém mais quer discutir essas “filias”. As produções independentes estão cheias demais de filmes
plano-sequência que não dizem porra nenhuma. Muito roteirista com probleminha que quer resolver fazendo terapia na tela.

MFL - Boa ponte: o q vc acha do cinema mais hermético meio típico do cinema de hj? Tipo Wong Kar-Wai?

BAIESTORF - Já ando meio cansado deste tipo de filme, mas como eu vejo de tudo que é coisa (de Disney aos pornôs mais chinelos/
extremos), dou uma variada muito grande e acabo gostando desse tipo de cinema como antídoto ao cinemão. Mas prá ser mais direto, como acontece em qualquer estilo cinematográfico, diretor com domínio nesta linguagem que faz filmaços, cara que faz só por fazer, por “modinha”, não diz nada e só aborrece. O foda é uma coisa: talvez tu pense igual a mim, porque acompanha o cinema de todos os tempos: em ousadia narrativa não vi nada de
novo no cinema desde os surrealistas da década de 20, ehehee!!! Foda é aguentar gente posando de vanguarda e, no mínimo, estão 40 anos atrasados (porque desde os anos 60 só vejo repetição). Bressane e Sganzerla já eram repetição dos vanguardistas de New York, hehehhehehehee... Vamos prosseguir que isso é assunto prá bar...

MFL - Na minha opinião, criou-se uma aura muito respeitosa sobre cinema... tipo, os críticos elegem “isto é cinema”, “isto não é”...

BAIESTORF - Acho isso também, às vezes tenho a impressão que essa época é a época onde mais se vê mitos, mais e mais pessoas adorando algo que (prá elas) é sagrado, tipo a cultuação ao baiano bebum zoado e arriado...

MFL - Mas voltando a escatologia... “é um meio de envolver o espectador”? Muitas vezes acontece o contrário, certo?

BAIESTORF - Mas o contrário envolve também. Penso que trabalho com extremos, do tipo, “ou gosta do que faço ou odeia o que eu
faço” (mas que acaba vendo o filme inteiro).

MFL - Ou foge da sala?

BAIESTORF - É, mas este cara que foge da sala é o mesmo que foge de qualquer coisa na vida, foge de discussões, que anda em cima do muro... Pegar o “Vadias...” como exemplo: já rolou ele em muitas salas de mostras que o público não conhecia nada meu, todo mundo acaba ficando até o fim do filme mesmo não gostando.

MFL - O que você atribui isso?

BAIESTORF - Demência gera curiosidade? Rs... Sei lá, não cheguei a pensar sobre isso, mas penso que as pessoas, mesmo quando não
gostando, acabam vendo uma cena, mais outra e quando vê, acabou o filme (por curiosidade, um cara em Vila Velha/ES, exibiu o “Vadias...” sete vezes seguidas na mesma festa a pedidos, ehehe... Já q vc tá falando muito do Vadias, fale um pouco da contribuição da Ljana pra essa nova fase da Canibal...

BAIESTORF - Porra, a Ljana é a primeira atriz que faz tudo que eu mando sem perguntar nada!! a atriz ideal!

MFL - Antes sempre tinha um pepino?

BAIESTORF - Sempre! Com o Souza, por exemplo, sempre tenho que convencer ele a fazer as coisas que quero, hehehehehe. Faz uns
5 anos que ele diz que não vai mais aparecer pelado nos meus filmes. Minha relação com o Souza é nos gritos, auahuahau!! Sei
que não parece, mas vivo tendo que convencer ele das coisas... Sabia que ele abandonou as filmagens do “Curtição do Avacalho”? Ele não tava conseguindo visualizar o filme pronto e desistiu. Mas quando viu o resultado final adorou o filme.

MFL - Aliás, sabe a cena gigantesca q a mulher derrete no Curtição”? Me conta como foi a edição disso... rs (o Gurcius me
falou...)

BAIESTORF - Hehehehhehe... A gente tava editando umas cinco da manhã, acho que já há umas 30 horas sem dormir... A aí, os dois
quase dormindo, a gente colou uma seqüência do derretimento repetida sem perceber, huahauahaua!! E aí, quando notamos, ficou
assim mesmo, porque, pensando bem, já que o filme é uma curtição, nada como avacalhar inconscientemente uma cena que ficou longa prá caralho e que todo mundo se revira na cadeira esperando terminar (adoro criar teorias depois que o filme tá pronto!)

MFL - Seus filmes são extremamente violentos e nojentos, mas ao mesmo tempo extremamente debochados. Como você pensa sobre esse trânsito entre o horror gore e a comédia anárquica? Tipo,
acaba perdendo o gênero? ou não?

BAIESTORF - Assim (e isso eu faço consciente desde meu primeiro filme que já é algo que vem dos meus tempos de zineiro), o "Criaturas Hediondas” já é cheio de cenas absurdas de violência de desenho animado, porque imaginao quanto seriam malas meus filmes se a violência fosse séria, hauhauhaua!! E outra: eu nem gosto de horror, curto filmes absurdos.

MFL - Hahahahah! Por essa eu não esperava... Por que não gosta de horror?

BAIESTORF - Não deste culto ao gênero. Horror é um gênero que nunca ousa, horror é conservador... Penso que brinco com isso
nos meus filmes, talvez quando eu ficar mais debochado ainda eu acabe chegando próximo do que penso.

MFL - Horror é católico, não? Vampiro foge da cruz...

BAIESTORF - Isso, sempre a mesma merda, aquela necessidade infantil de querer se aproximar do espectador... Carro que quebra,
menina loira virginal, monstro que precisa ser castigado no final... Tento fugir dessas coisas sempre (vide o final dos meus filmes), mas isso mais depois de 2001, antes eu ainda era meio preso ao gênero... Coisas que vem com a idade.

MFL - Ah, bom, você está tentando sair dos estereótipos do gênero, certo? Pois ia dizer agora q você muitas vezes recorria a
eles... O “Zombio” talvez seja o principal deles...

BAIESTORF - Sim, “Zombio” e “Eles Comem Sua carne” (e até o “Monstro legume”) têm todas as características. Pós anos 2001 que comecei a brincar mais com os clichês. Tento fugir, embora às vezes repito eles por preguiça (tipo “Arrombada” que a idéia era mostrar mulher pelada e zoar com elites bem definidas).

MFL - Aconteceu algo específico em 2001?

BAIESTORF - Acho que foi o ano que eu e Souza (isso em 2000, na verdade) nos afastamos. Ou seja, passei eu mesmo a produzir
sozinho meus filmes. Antes eu sempre tinha um produtor. Depois de 2001 (do “Raiva” em diante) sou eu quem decide tudo e gosto de fazer assim, nem sei se consigo trabalhar com alguém me dizendo faz assim, faz assado... Por isso, volto ao “Vadias...” (dentro das limitações de orçamento) que ficou exatamente como eu queria. Ou ao “A Curtição do avacalho”, que também saiu muito próximo do que eu queria, ou “Que Buceta do caralho..” entende?

MFL - Claro, o produtor esperava q seu filme vendesse? Como você o convencia disso? Depois ele ficava enchendo saco cobrando ou o quê?

BAIESTORF - Como eu convencia alguém a colocar grana num filme meu? “Vadias...” tem grana de outros na produção, hehehehehee...
E é filme 100% meu. Acho que aprendi a conversar com os interessados. O Souza (e antes o Leomar Wazlawick e o E.B. Toniolli, que eram quem produziam meus primeiros filmes) tinham (todos eles) uma formação mais clássica de cinema. Eles curtem as coisas lineares, com começo meio e fim e clichês que aproximem as
pessoas dos filmes. Já eu sempre fui o contrário (e tô falando aqui de orçamentos miseráveis, hauaauahauahu!!)

MFL - Qual foi o filme mais caro q você fez? Custou quanto?

BAIESTORF - O “Vadias...” R$ 5.000,00, já contando o lançamento dele em DVD e tal, com capas e viagens prá edição, etc... O “Blerghhh!!!” eu gastei 2.000 reais em 1996, deve dar a mesma coisa hoje em dia. E o “Gore Gore Gays” eu gastei bastante mas não tenho as anotações de orçamento e tal porque a gente fez ele chapado e não lembro de detalhes das filmagens. Mas em média os filmes custam o mesmo que os teus uma fita mini-DV, uahauahaua!

MFL - E o longa ou média mais barato? Dá pra saber? Custou só fita?

BAIESTORF - Mais barato é rodar filmes simultaneamente como eu faço a vida toda. Longa que custou só a fita acho que não teve,
porque quando eu fazia um longa sempre tentava um mínimo de produção prá deixar com uma cara que não fosse aquela coisa “muito fundo de quintal”. Mas média que não custou nada tem vários: “Palhaço Triste”, “Não Há Encenação Hoje”, “Que Buceta do caralho...” e quase todos os outros. Mas hoje em dia, com
as mudanças de suporte de distribuição (net e tal), nem sei se é vantagem fazer longas ainda, só se tivesse distribuição certa, senão é melhor colocar prá baixar e ficar fechando mostras e shows; e ficar vendendo filmes, camisetas etc na mão das pessoas (prá concluir o assunto do tal de “recuperar a grana investida em um filme”).

MFL - O rótulo que você deve mais ouvir sobre si mesmo é “trash”. O que você pensa sobre isso?

BAIESTORF - Porra, não sou viado igual o Mojica ou o Ivan Cardoso que ficam renegando o rótulo. Eu penso assim, agora falando como
produtor: se o guri que quer comprar um filme prestar atenção no meu filme porque ele curte Trash, é trash. Se o guri achar que é
experimental, é experimental. Porque dá prá criar todo tipo de rótulo hoje em dia. Igual música: quanta banda boa, quanto filme
bacana tu deixa de assistir porque antes leu em algum lugar “este filme é um trash” e, baseado na opinião de outro cara, tu deixou de ver algo? prá mim tanto faz, penso que nem tenho rótulo, porque atiro prá todos os lados (sendo direto e cru), hauahau. Mas trash é um gênero bonito e lucrativo, hehehehehehhe... por exemplo, fazendo filme trash eu conheço o Brasil inteiro de graça, huaahau! MFL - mas o trash seria um gênero ao seu ver? Ou uma questão orçamentária?

BAIESTORF - Eu não vejo filme trash como gênero, assim como o filme “B” também não é, kitsch não é gênero, entende? drama, comédia são gêneros, e um drama pode ser kitsch, ou trash ou os dois... Tava pensando agora; Mojica é trash e não é trash em vários momentos de sua carreira... porque em alguns ele teve um aproveitamento genial de pessoal e material e já em outros a coisa desandou por completo...

MFL - nos atores acho q ele peca mais.

BAIESTORF - É, os atores dele são foda, igual os meus, auhauaaha!
Não sei se tu concorda comigo, mas acho que os rótulos afastam bastante o espectador dos filmes (sendo por pre-conceitos já enraizados na cabeça ou simplesmente por, muitas vezes, ser o rótulo da moda)

MFL - Petter, você tem reeditado seus filmes antigos. Qual foi as maiores urgências em fazer isto?

BAIESTORF - na verdade o único que eu reeditei mesmo foi o “Blerghhh!!!”, porque este precisava mesmo. Ele tinha sido filmado prá ser editado assim em 1996 e o equipamento que eu tinha na mão na época não permitiu. O “Cerveja Atômica” foi re-editado de
zoeira, provavelmente essa versão só vai ser exibida aí na mostra do Filme Livre e depois deverei deixar na gaveta, hehehehehe!! Tá a
maior zona essa edição, até final feliz eu dei prá essa versão, huahauahaua! Um filme para assistir cantando e dançando; o pessoal que for assistir essa bagaça na mostra pode ficar cantando junto. Ficou doente de tão feliz. penso que o filme ficou mais doente com o final feliz. É escatologia feliz, escatologia sadia,
auahauahauahuahauahauahauahaua, para crianças que pretendem seguir a carreira de dementes.

MFL - E como tem sido a sua aceitação no exterior? Creio que existe nichos de mercado lá que você pode fazer a festa...

BAIESTORF - Pois é, tive umas masturbações quando tu fica sendo arretado pela menina e na hora de comer ela vai embora. Hauhauahuahauahauahaua... O namoro com a Troma continua, mas foda é que eles são enrolados prá caralho. Na Europa, um espanhol tá oferecendo o “Zombio” prá umas distribuidoras por lá, mas como o picareta sumiu, sei lá... Mas os gringos que assistem gostam bastante, porque meus filmes são mais bem apreciados principalmente) por americanos e europeus. Deve ter haver com a
sacanagem e tal...

MFL - asiático, nada?

BAIESTORF - Asiático só uns japas, mas assistindo, porque lá o que chama atenção são as coisas corriqueiras daqui, não a putaria ou escatologia. Mesmo porque eles têm uma indústria pornográfica do caralho lá, com filmes envolvendo merda de verdade ahauhaua... Acho que umfilme do Mazzarroppi despertaria bastante curiosidade por lá. Tô com um contato na Índia, vou enviar uns filmes prá lá, deixar ele oferecer por lá, ver se rola alguma mostra e tal...
Adoro o cinema da Índia.

MFL - Será q não tem uma galera doente no Japão lá que gostaria do seu cinema?

BAIESTORF - Deve ter... Em todos os lugares têm. mas ainda não consegui os contatos certos. Existe público prá qualquer coisa que se fizer em qualquer parte do mundo, é só deixar a coisa correr por aí. Ás vezes descubro piratarias de filmes meus em lugares mprováveis, como Coréia do Sul por exemplo. Mandaram o “Gore Gore Gays” e o “Sacanagens bestiais dos Arcanjos Fálicos” prá lá uns anos atrás... e pornografia é proibida lá, hauhauaaahaua!!! O
cara que recebeu os filmes ficou fascinado e com medo ao mesmo tempo, porque lá é crime esse tipo de filme (pornografia), ou era... porque isso foi no final dos anos 90, logo depois que lancei este dois filmes.

MFL - Bom ponto: o que você acha quando pirateiam seus filmes?

BAIESTORF - Deixa piratear! Porque a coisa anda assim: me pirateam e quando menos espero ganho uma passagem prá algum lugar com cachê prá falar dos filmes. Então acaba compensando. Igual banda, que deixa o CD ser pirateado; compensa fazendo mais shows porque todo mundo conhece. Quero começar a colocar mais filmes no Youtube. Porra, “Encarnación del Tinhoso” (que faz uns 10 dias que colocamos), tá com 1200 exibições! E isso sem ficar em cima da divulgação.

MFL - Muito bom! Finalizando: o que achas de ter uma retrospectiva nessa coisa linda e segura que é a Cidade Maravilhosa?

BAIESTORF - Hehehehehehehhe... mulatas não pagam entrada... huahauahauahauaa!! Loiras também não, hauahuahauahauahaua!!
E japinhas ganham eu de presente!! Huahauahauahauahauhaua!!!!

MFL - As 10 japinhas que moram no rio vão correndo te assistir depois dessa do presente, hauhauhauhau.... e sem falar que
ninguém paga, é de grátis.

BAIESTORF - eu sei, tentei ser engraçadinho... Mas, respondendo, acho bacana... vai ser a primeira vez que vou ficar aí no Rio com mais calma... As outras vezes que passei pela cidade sempre foi rapidão e não dava prá pegar o ritmo da cidade.E, sobre a retrospectiva, achei bom ela rolar porque penso que meus filmes são bem diferentes dos outros produzidos no Brasil. Não sei exatamente se o público do RJ vai conseguir captar o meu humor, mas, enfim, penso que vai ser uma experiência no mínimo inusitada prá quem curte filmes, propostas diferentes e essas coisas todas.

MFL - vc acha q existe o estilo baiestorfiano?

BAIESTORF - Putz, nem sei se quero teorizar sobre isso, estilo “baiestorfiano” soa pretensioso... mas que existe um humor
baiestorfiano, isso existe, hauhauahaua... Meu humor é do tipo do corno que quando acha a mulher com o amante tira sarro de si mesmo... Porra, coisa ruim se definir sem se limitar!!!! quero mudar de nome e começar tudo de novo, hauahauahauahaua!!

MFL - Ehehehehe... E quais as próximas travessuras?

BAIESTORF - Hi, tenho uns 30 roteiros engavetados no cérebro. Não sei... Acho que pelas facilidades do orçamento, o “Ninguém
Deve Morrer”... mas nada é definitivo, porque meu maior inimigo sou eu mesmo, então posso atrapalhar tudo, como sempre faço... também tava desenvolvendo um roteiro chamado “O Doce Avanço da faca”, mas sei lá... acho que o próximo vai ser uma coisa nas coxas com o Godo e tu, hauahauahuahauahauahaua, estilo o “Encarnación...”, prá Youtube mesmo, e extra de DVD

MFL - Você já pensou fazer algo totalmente diferente de tudo q vc já fez na vida?

BAIESTORF - Já, sempre penso nisso. Queria começar sendo diferente pelo orçamento, hauahauaha!!!! Eu penso isso sempre, mas existe algo dentro de mim que não me permite levar o cinema a sério, então creio que vou sempre descambar pro humor absurdo e tal, ao exagero... Me interessa é misturar tudo, violência, religião, política, pornografia, humor... tento isso sempre nos meus filmes, mas as vezes fica estranho, hehehehehehehe (e sem um público alvo)... mas um filme livre precisa de público alvo? tu
pensa no público quando faz um filme? Acho que nunca penso no público, hehehehehehe... Quer dizer, até penso, mas aí digo: “foda-se, vou fazer prá mim!!!” (ou algo assim)...

MFL - Acho que penso em certas sensibilidades... público-alvo é uma coisa muito comercial.

BAIESTORF - É, também acho. E se pensar em público alvo volta aquele papo dos clichês, colocar as fórmulas prá funcionar e essas
coisas... Ou seja, ME DEFININDO AGORA: sou um comediante!!


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