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II CINEMÚSICA CELEBRA O SOM E O SAMBA NO CINEMA

Por Guilherme Whitaker em 25/08/2008 09:08


Um Festival que tornou-se realidade, entre outras coisas, a partir do sonho viabilizado por seu presidente, Ivo Raposo Jr., com a construção do cinema Centímetro,uma réplica de 60 lugares do Cine Metro Tijuca com seu mobiliário original,que sensibilizou a iniciativa privada e o Governo do Estado.

O Festival se credencia pelo nível dos seus patrocinadores . A Light , O Grupo CCR -Nova Dutra e Ponte SA -,O Grupo MPE e o Governo do Estado,através do Vice-Governador Luiz Fernando Pezão, prestigiam esse evento, que desde o ano passado tem conseguido aglutinar importantes setores do mercado cinematográfico:produtores, distribuidores e exibidores.

Destacamos que o projeto do II CINEMÚSICA é aprovado no Artigo 18 da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet/ Ministério da Cultura e na Lei do ICMS/ Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro nos dois módulos apresentados, Cinema e Cultura Integrada.

A edição 2008 já entra no circuito com seis pré-estréias nacionais, capitaneadas pelo aguardadíssimo "O Mistério do Samba", de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, estrelado por uma constelação chamada Velha Guarda da Portela. Destaque também para "Os desafinados", de Walter Lima Jr., e "A Casa da Mãe Joana", de Hugo Carvana. Isto sem falar nos documentários "Waldick Soriano – Sempre no meu coração", de Patrícia Pillar, e "Simonal – ninguém sabe o duro que eu dei", de Cláudio Manoel, Micael Linger e Calvito Leal.

As sessões infantis, que agitaram as manhãs do Cine-Tela Brasil no ano passado,aumentaram em função da grande demanda;agora são seis filmes para as crianças curtirem à vontade.Entre os destaques estão Brichos de Paulo Munhoz, e O garoto cósmico,de Alê Abreu.

Na abertura do Festival, uma homenagem muito especial à sétima arte,acontece com a exibição do clássico do cinema mudo Braza Dormida, de Humberto Mauro, com trilha sonora composta especialmente por Carlos Eduardo Pereira, que será executada pela Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes, sob a regência do maestro Marcelo Jardim.

O troféu "Personalidade Sonora 2008", que distingue pessoas de reconhecido saber e contribuição à área do som no cinema, será entregue ao diretor Silvio Da-Rin, atual Secretário Nacionaldo Audiovisual.

Carlos Manga, o diretor das célebres chanchadas da Atlântida, será outro grande homenageado no II CINEMÚSICA pelo conjunto de sua obra. Chanchada, carnaval e samba têm tudo a ver. No sábado, a Praça da Matriz recebe um dos clássicos de Manga: "O homem do Sputnik", sátira bem-humorada que levou 15 milhões brasileiros aos cinemas quando foi lançado, em 1959. Numa época em que o país tinha 60 milhões de habitantes, o filme tornou-se o maior recordista de público do cinema nacional de todos os tempos.

Com a presença da família Severiano Ribeiro ocorrerá o lançamento do livro "O Rei do Cinema", de Toninho Vaz , sobre a extraordinária trajetória de Luiz Severiano Ribeiro. A orelha do livro, por sinal, é assinada por Carlos Manga.


Sambando no cinema

Os temas centrais deste ano – o samba e o carnaval – serão muito bem explorados na programação e nos eventos parlelos do Festival. Além de O Mistério do Samba, a seleção de curtas, médias e longas inclui Samba Riachão, de Jorge Alfredo, um emocionante documento da história da MPB a partir da história de Riachão, 80 anos, cronista musical da cidade de Salvador, que vivenciou todas as transformações pelas quais passou a música popular brasileira e os meios de comunicação no decorrer do século XX. Fabricando Tom Zé, de Décio Mattos, retrata uma tournée internacional do genial compositor baiano, redescoberto graças a David Byrne e alçado novamente à merecida fama. E personagens musicais não faltam: entre os curtas, homenagens a Moreira da Silva, Mestre Ismael, Heitor dos Prazeres, Nelson Sargento, Seu Nenê (sim, ele mesmo, aquele da escola paulista "Nenê de Vila Matilde"), Zé Kéti, Cartola, Martinho da Vila, Nelson Cavaquinho... é o samba tomando a tela, um samba mais na alma do que no pé

Um clássico e tanto

Na cadência bonita do samba, o CINEMÚSICA batalhou e conseguiu ter a presença de um grande clássico: o mitológico Orfeu do Carnaval, produção franco-ítalo-brasileira de 1958, assinada pelo diretor Marcel Camus, com música de Antonio Carlos Jobim e Luiz Bonfá, que recria nos morros cariocas a tragédia de Orfeu e Eurídice, numa boa adaptação da peça "Orfeu da Conceição", de Vinícius de Moraes. Com muito samba, poesia e grandes artistas brasileiros, Orfeu do Carnaval – que mereceu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, além de dar a Palma de Ouro do Festival de Cannes ao diretor Marcel Camus - retorna ao Brasil, onde não havia sequer uma cópia para contar a história. E o CINEMÚSICA será o primeiro a exibi-lo, com muito orgulho. Orfeu do Carnaval será exibido duas vezes durante o II CINEMÚSICA, ambas no Cine Centímetro.


Memória, depoimentos e prêmios

No particularíssimo Cine Centímetro, um dos símbolos do Festival, acontece este ano uma mostra muito especial: "Conhecendo o cinema brasileiro". Para mostrar às jovens platéias o que se fazia nos tempos da efervescência cultural do Cinema Novo, o curador Hernani Heffner escolheu três filmes emblemáticos: "O dragão da maldade contra o santo guerreiro", de Glauber Rocha; "Rio Zona Norte", de Nelson Pereira dos Santos; e "O bandido da luz vermelha", de Rogério Sganzerla. As sessões acontecem quinta, sexta e sábado, sempre à uma da tarde.

Os filmes premiados em 2008, sempre na categoria de som, são Cidade dos homens, de Paulo Morelli (melhor desenho, efeitos e mixagem de som), Condor, de Roberto Mader (melhor trilha musical original) e Cleópatra, de Júlio Bressane (melhor captação e edição de som).

O ciclo Direto do Set, comandado por Hernani Heffner no Cine Centímetro, terá como entrevistados Elie Beuss e Silvio Da-Rin, na quinta e na sexta. No sábado, o ciclo recebe o homenageado Carlos Manga, que fará uma palestra muito especial sobre a sua longa e feliz relação com o cinema brasileiro e a Atlântida Cinematógrafica, onde dirigiu suas famosas chanchadas.


Muito além do cinema

O CINEMÚSICA é um festival completo porque reúne, num diálogo mais que amigável, várias artes. A gastronomia, que a partir de 2008 passa a atender pelo sugestivo nome de SABOR CINEMÚSICA, reúne mais uma vez na cidade chefs nacionalmente conhecidos, que darão cursos e criarão pratos associados à temática do cinema. O SABOR CINEMÚSICA conta também com a participação do SENAC, que aporta na cidade com seu caminhão e vários cursos especiais. Coordenado por Maria Lúcia Jardim, o SABOR CINEMÚSICA tem curadoria de Sheila dos Santos Valle.

Por conta do espírito carnavalesco, o CINEMÚSICA traz também à cidade uma produção teatral de enorme sucesso: o musical Sassaricando – e o Rio inventou a marchinha, de autoria do jornalista Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo, com direção de Cláudio Botelho e elenco encabeçado pelos consagrados Soraya Ravenle e Eduardo Dusek. O bem-humorado musical ficou em cartaz por vários meses no Rio de Janeiro e fez a alegria de quem viu, curtiu e brincou muitos e muitos carnavais ao som das célebres marchinhas, uma marca registrada carioca.

No domingo, 7 de setembro, o festival termina no melhor clima carnavalesco: para fechar com chave de ouro a edição 2008, nada melhor do que uma Escola de Samba carioca que pede passagem à seresta e derrama alegria pelas ruas da cidade. Para os retardatários, repeteco de O mistério do samba no Cine-Tela Brasil,, e de Orfeu do Carnaval no Cine Centímetro, promete movimentar o último dia do evento. E assim segue o cortejo das telas, ao sabor do samba, deixando para 2009 um doce gostinho de quero-mais.

Site oficial do Festival : www.festivalcinemusica.com.br

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