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Inauguração do novo site do Curta o Curta

Por Guilherme Whitaker em 24/10/2004 14:28



Continuando a comentar o texto de Roberto, mesmo que ele tenha entendido
que não sou merecedor de réplica:


fghfthffhf

Bem, o texto de Roberto foca na Globo, e meus comentários precisam citar
a mesma rede, mas procurarei não me manter focado numa só das 6 redes
nacionais.

Roberto Farias:
>É natural que a Globo
>experimente, passo a passo, com quem deseja se relacionar. Nós sabemos
>quanto tempo é necessário para fazer um bom roteirista, ou para formar um
>bom diretor. O cinema brasileiro está cheio de diretores sem formação
>profissional estreantes por força da legislação, dos subsídios que diplomam
>qualquer um que tenha ligações com diretores de marketing das empresas que
>aplicam na Lei Rouanet ou do Audiovisual.
>

Aqui tem algumas verdades, mas que não esgotam o leque de verdades nem a
profundidade com que precisam ser ditas antes de se apresentar uma solução:

1) Surgiram estreantes na década de 90 por conta das suas ligações com
diretores de marketing, mantendo excluídos do mercado por bom tempo os
projetos de Nélson Pereira dos Santos, e do próprio Roberto Farias, a
quem estes jovens diretores de marketing pouco conheciam. Isso eu
denunciei aqui várias vezes: a perversidade do critério de seleção: cair
nas graças de um diretor de marketing (ou de vários).  Por outro lado,
também sou contra ter de cair nas graças dos JURADOS profissionais que os
editais sempre chamam nas comissões de seleção dos Editais (e para isso,
o MinC iniciou um banco de centenas de jurados habilitados a serem
sorteados a cada Edital, não sei se isso está em operação). Assim como,
não vejo sentido que, para fazer Cinema, um cineasta tenha de cair nas
graças dos diretores da TV Globo, que irão julgar se ele tem qualidade
como diretor ou como roteirista. Essa avaliação quem tem de dar é a)
o seu currículo como diretor e/ou roteirista  b) e, a mais importante
avaliação de todas: a aprovação do público que assistiu aos seus filmes
anteriores, curtas, documentários, o que forem.

2) Mas há estreantes que surpreenderam em seus primeiros longas:
Carla Camurati, Beto Brant, Fernando Meirelles, para citar só três.

3) Os "estreantes" que eram muito ruins, só eram mesmo amigos de diretores
de marketing, fizeram filmes dos quais duvido que até suas famílias tenham
gostado, e alguns pegaram uma dezena ou mais de milhões de reais par fazer
um único filme, e o dinheiro não apareceu NA FORMA DE FILME. Isso o TCU
parece que não viu, quando aprovou as contas de um certo "estreante". Mas
sobre o TCU e este absurdo de atacar a taxa da produtora, falo depois.

4) Do jeito que você coloca Roberto, a Globo, a quem você se dedicou neste
seu texto a defender, não é Faculdade de Cinema, e nem que fosse, poderia
ser ela o único meio de 



a um cineasta, através de sua
banca examinadora. Ela é uma Universidade, sim, de produção, de criação,
para televisão. Seus diretores contratados são formados em direção para
a televisão, com exceção dos mestres como você, que vieram do Cinema.
Não sou contra que ela selecione com quem vai trabalhar, que filmes quer
produzir. Isto é um direito
(e não só a Globo, precisamos
deixar de focar em uma só emissora) não tem uma reserva de horário para
exibir o que é obrigação constitucional dela: filmes independentes,
feitos fora da televisão, sem passar por QUALQUER ingerência dela no
projeto, antes de ele ficar PRONTO?


>
>Tenho sérias preocupações. No projeto que apoio, há várias propostas de
>criação de novas fontes de recursos, sempre ressalvando que devem ser
>utilizados favorecendo a produção independente. Mas o fantasma da TV Globo
>assusta a todos e eles se vêem afastados do processo, achando que só os
>diretores da Globo farão filmes. Não conhecem a mecânica da televisão. Não
>entendem que uma medida como a de estender às televisões os mesmos subsídios
>que nos acordos deverão ser repartidos com a produção independente, criará
>uma quantidade enorme de empregos, de filmes de seriados, de novelas
>independentes, que permitirá ao audiovisual brasileiro dominar completamente
>o seu mercado.

SE a Globo (novamente, o foco do texto de Roberto é sempre a Globo, quando
o projeto da Ancinav afeta todas as redes de televisão), como você diz
agirá dentro desta mecânica, dando emprego a cineastas para fazer os
filmes e seriados definidos por ela, estes cineastas *não estarão atuando*
como cineastas independentes, mas sim como diretores contratados.

Serão diretores contratados, sem nenhum desmérito, mas não serão produtores
independentes. A diferença é essa. Há pessoas que não se importam em ser
empregados da TV para fazer filmes (ou têm poder de barganha suficiente
para garantir o respeito às suas vontades, como acredito ser o caso de
Daniel Filho, quando filma sendo também contratado da Globo) e há outras
pessoas que se importam (por não terem o poder de barganha que só é
conferido a pessoas que dedicaram décadas como empregados da televisão).

Defendo que deve HAVER ESPAÇO PARA TODOS. O estreante deve claro trilhar
o caminho dos filmes de baixo orçamento (para evitar os mega-projetos
fracassados que o antigo ministro da Cultura aprovou), e uma vez que seu
filme seja bem aceito por um público razoável (nem precisa ser filmes
para atingir todo o público, pode ser um filme bem aceito pelo público
infantil, ou pelo público idoso, ou para os que gostam do gênero policial)
aí a TELEVISÃO não pode ser furtar a considerar a hipótese de programá-lo.
Se for um filme ruim, ele já vai ter sido rejeitado pelo público, nos
festivais, e o próprio produtor independente não insistirá mais nele.
Mas ESPAÇO para ele tentar uma oportunidade como cineasta, houve.

Por que razão não se enxerga que é preciso respeitar o espaço da Televisão
fazer filmes, assim como é preciso respeitar o espaço para quem não é da
Televisão também fazer filmes (que vão devem passar na televisão, se forem
bem aceitos pelo público de cinema) ?

>
>A Globo é contra a cota e qualquer ingerência à grade de programação. Para
>seus dirigentes, não se pode abrir a guarda porque logo criarão outras e
>atrás delas, censuras.

Engraçado que a Globo é contra ingerência na sua grade (mesmo sabendo que
GANHOU uma concessão pública (ganhou do Estado, sujeita a renovação ou
não em períodos de 15 anos) para a exploração do espaço radiodifusão))
MAS GOSTA de fazer ingerência ("controle artístico") dos projetos de filme
que vai co-produzir.   Também somos (os cineastas de fora da televisão)
contra ingerências em nossos projetos. Queremos fazê-los da forma que
julgarmos melhor, e DEPOIS oferecermos os filmes prontos ao mercado.
Compra a emissora que quiser comprá-los.

Você em todos os seus filmes, Roberto, fez suas produções de forma
independente e depois foi negociar com a TV a exibição. Foi ou não?

Aqui, uma IMAGEM me ocorreu. É forte(descabida?), mas ilustra a coisa:

Qual a diferença entre os produtos DE MARCA e os produtos do SUPERMERCADO?

Os produtos DE MARCA, por exemplo Condicionador SULIELKA (uma surpresa
em preço e qualidade), nasceram da iniciativa de um empreendedor, que se
lançou a produzi-lo, apostando que ele seria bem aceito pelo público.
Foi aos vários supermercados, colocou lá algumas unidades em consignação
e O PÚBLICO APROVOU, a "audiência" foi enorme.

Nos produtos DO SUPERMERCADO, por exemplo, o café do supermercado PREZUNIC
(café bom, mas não sabemos a origem, apenas confiamos porque a marca PREZUNIC
atesta), a marca do fabricante NÃO APARECE, não há em lugar de destaque
na embalagem que o pó do café é fornecido pelo Café BOM DIA.

O caso de um filme do Roberto é uma excessão, porque seria um filme
DE MARCA (ROBERTO FARIAS), mesmo que a SUPER Televisão do MERCADO nem
o citasse nos créditos (o que não faria).

Essa imagem também não esgota a comparação, mas traça um rápido paralelo
com o que ocorreu com OLGA, por exemplo. A produtora da RITA BUZZAR ficou
completamente ofuscada pelo nome de JAYME MONJARDIM e da GLOBOFILMES. E,
certamente não foi só isso que foi ofuscado. Num esquema em que se tem
de coadnuar os interesses de uma grande rede de TV e de uma distribuidora
de filmes estrangeiros com os de um produtor independente de fato, quais
decisões prevalecerão na maior parte do tempo? Não precisa responder.

A independência do controle artístico é o que o cineasta mais preza.


>Pode ser que esse sentimento seja exagerado, mas é
>questão de princípio. A Globo está acima de qualquer cota que se pretenda
>estabelecer. O documento que assinei é contra a criação de um organismo que
>ponha em suas mãos tal quantidade de poder. Nada que se queira fazer no
>sentido de obrigar as televisões a modificar seu cotidiano carece de uma
>entidade como a ANCINAV.

Por que razão não? Não consigo entender. Por que, para o cinema é importante
ter uma ANCINE regulando o mercado, e para a televisão bastaria promover
alguns almoços, juntando alguns cineastas candidatos a produzir filmes em
parceria com a televisão? Por que interlocução com alguns, e não com todos,
através das entidades representantes do setor e com base em LEIS?

Queria ler um argumento que me convencesse.
Escrevem-me que não devemos dar excesso de poderes ao Estado. Mas, aí
pergunto-lhes se é certo darmos excesso de poderes ao Mercado?

>
>A solução? Tenho insistido em que é absurdo incentivar as Majors com o
>famoso artigo 3º, que devolve imposto de renda às distribuidoras de filmes
>estrangeiros para que invistam no cinema nacional e negar idêntico subsídio
>às emissoras de televisão, com as devidas salvaguardas para que utilizem tal
>subsídio em co-produção com cineastas independentes.
>

Acho que o Governo poderia atender a isso, extinguindo o artigo 3º. Nem as
distribuidoras estrangeiras nem as tvs. O CSC poderia propor isso. Porque,
hoje, Roberto, o que acontece é: o famoso artigo 3º é utilizado na maior
parte do seu montante com as co-produções com a Televisão. Dizer que a
Televisão não se beneficia com o famoso artigo 3º é um pouco demais.

E tem um reparo ainda: as redes de televisão, todas, têm direito a usar
o igualmente famoso artigo 1º, e não há Histórico de que alguma televisão,
nem mesmo a TV GLOBO, que paga imposto de renda, ter investido 3% do seu
imposto de renda devido num projeto audiovisual, nem mesmo nos projetos em
co-produção com a GLOBO filmes. Por que não fazem?  E a Lei, e o MinC,
e o TCU, têm se mostrado muito maleáveis com relação às co-produções que
se beneficiam do famoso artigo 3º, pois pela Lei a produtora majoritária
e o controle artístico devem estar nas mãos de uma produtora desvinculada
da rede de televisão. Não acredito que a TV GLOBO tenha nada a se queixar
quanto à maleabilidade da ANCINE e da LEI no que se refere ao artigo 3º.

>
>Mas cineastas de um filme só, ou habituados ao subsídio sem obrigações
>profissionais têm medo. Não conseguem imaginar a quantidade de trabalho para
>todos, se o SBT, a Bandeirantes, a Record, enfim, todas as emissoras tiverem
>o mesmo direito que as Majors Colúmbia, Warner, Metro, Universal etc. de
>fazerem filmes nacionais. Acham que perderão a autonomia e, portanto, são
>contra estender tais subsídios às televisões. Mais: preferem um projeto que
>as obrigue a exibir filmes pouco profissionais em horário nobre.
>

Não creio que vigorará nada que obrigue a passar porcaria no melhor horário
da televisão. Passar filme brasileiro em proporção razoável tem de passar,
em que horário, a televisão define. Hoje já o exibe na madrugada, aquela
que o faz. Vi O ASSALTO AO TREM PAGADOR passar na TVE justo na primeira
semana em que o "lancei" lá no microcine Brasil. Sorte que passou à 1 h
da madrugada. Sorte para o microcine, péssimo para você, que preferia ter
seu filme assistido por milhões, em vez de por 20 pessoas no microcine. E
seu filme é ótimo, sem bajulação, quem assistiu sabe que é. Por que a GLOBO
nunca o reprisou à tarde, que fosse.  Será que ele vai entrar nas escolhas
do INTERCINE Brasil? Esse argumento de que só deve passar filme novo não
cola, porque a gente vê nas televisões, e o SBT é o rei, filmes americanos
sendo reprisados pela enésima vez. Mas filme brasileiro não querem passar.
É preciso darmos UM SALTO em matéria de concepção e análise.

>
>Sinto que antigas mágoas, medo do novo, insegurança e incompetência estão
>todos juntos, cegamente, atrapalhando o processo, buscando um confronto em
>que todos sairemos perdendo.
>
>Abraços.
>Roberto Farias.
>


Roberto, a você que não tem medo do novo, eu ouso sugerir que aceite o
desafio de debater com o Membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil
(órgão igualmente oficial e Federal), Gustavo Gindre, esse novo batalhador
pela democratização das Comunicações no Brasil.  A internet é A MÍDIA do
futuro, por onde serão veiculados os filmes que você vai produzir
em parceria com a TV GLOBO, e todos os filmes que não forem produzidos em
parceria com nenhuma televisão. Pensar o Cinema hoje só como sala de
cinema e telinha da TV já ficou para trás. A internet de alta velocidade
oferecendo VIDEO ON DEMAND (vídeo sob encomenda) já ameaça a soberania
das salas comerciais no mundo inteiro. As majors citadas por você acima
têm tido exaustivas reuniões para se prepararem para esta "Nova Era"
que já invade de mansinho nossos lares.

O confronto de idéias e de gerações, longe de ser uma perda, é um
resgate, e uma possibilidade de acertar. E assistir ao confronto do
Gindre com uma pessoa que guarda a experiência que você tem, e em
público, será um apredizado para todos que lá estiverem, inclusive,
suponho, para você também.

Forte Abraço, a você, Roberto, e a todos. Sucesso para todos nós.

Marcos Manhães Marins
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