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Indicados ao prêmio Caríssima Liberdade na MFL

Por Guilherme Whitaker em 01/02/2007 17:30


Indicados ao prêmio Caríssima Liberdade
A MFL valoriza filmes feitos com grana própria ao ponto de seus dois principais prêmios serem apenas para filmes feitos assim, sem tutu do Estado. E para não ser injusto com os filmes realizados com recursos públicos, criamos o prêmio Caríssima Liberdade, para os raros bons filmes experimentais feitos com a ajuda da grana de todos. E estes são ótimos

Além de passarem misturadamente nos Panoramas Livres, bolamos uma sessão especial onde voce pode conferir todos os indicados a este prêmio duma só vez. Confera na sala de Vídeo do CCBB no Sábado, 17/2 as 15h.

Os filmes indicados abaixo concorrem ao Troféu Filme Livre!
Saiba quase tudo da MFL em www.mostradofilmelivre.com

Trecho
de Clarrisa Campolina e Helvécio Marins Jr
UMA ESTRADA QUE NUNCA CHEGA, VAI EMBORA... esta descrição do caminho percorrido pelo personagem do filme Trecho bem poderia ser uma metáfora para um cinema livre, sem algemas narrativas. O filme, inspirado nas experiências do andarilho Libério da Silva, busca antes a poesia que o documentário, e foge das convenções do filme de entrevista, também exemplificado por um outro depoimento de Libério, que sintetiza a possibilidade de um documentário livre: "mas você não vai fazer pergunta nenhuma, vou ter que falar? Vão pensar que você vai fazer uma pergunta, para eu responder, é mais fácil"... Dispensando o caminho fácil do documentário jornalístico, Trecho busca uma estrada de poesia visual carregada de humanismo e liberdade. (CHICO SERRA)


Passageiros da Segunda Classe
de Kim-Ir-Sen Pires Leal, Luiz Eduardo Jorge e Waldir de Pina
FILMADO EM 1986 no manicômio Adauto Botelho, e finalizado apenas quinze anos depois, quando o hospital já havia sido fechado, Passageiros de Segunda Classe faz muito mais do que meramente registrar o tratamento desumano a que os pacientes eram submetidos. Optando por não ser meramente um filme de denúncia, o premiado curta de Kim-Ir-Sen, Luiz Eduardo Jorge e Waldir de Pina é, acima de tudo, um mergulho nas possibilidades do convívio com a diferença, especialmente a partir da criativa interação entre imagem e som. Ao contrário da esquizofrenia de um Bicho de Sete Cabeças, Passageiros opta por uma câmera discreta e por uma ética do documentário, sem no entanto deixar de afirmar um discurso claramente crítico sobre a forma de tratamento. Dessas imagens dolorosas, surge uma impensável poesia que brota mesmo em tão adversas condições, o que transforma o filme em um olhar maduro sobre a necessidade da resistência e sobre a possibilidade da liberdade no calvário.  (MARCELO IKEDA)


O Maior Espetáculo da Terra
de Marcos Pimentel
MAIS UM REPRESENTANTE da excelente safra mineira que assola a Mostra do Filme Livre. Tendo priorizado o documentário em sua carreira, Marcos Pimentel consegue provocar as reflexões mais variadas ao simplesmente retratar o cotidiano e algumas atrações típicas (outras nem tanto) de um circo do interior do Brasil. Com um distanciamento (pensado), vemos, sem interferência direta do realizador, o caráter decadente deste circo (ou seria do Circo enquanto instituição tradicional?), a sexualidade apelativa de alguns números musicais etc. Mas também comprovamos a alegria que os espetáculos provocam na população, e que os artistas fazem mesmo das tripas coração para a sua sobrevivência diária. Talvez a cena que melhor resuma o filme é a do palhaço se maquiando, com uma expressão tão naturalmente triste que dá dó - muito longe do lugar-comum do "clown tristonho" que todo mundo já viu. (CHRISTIAN CASELLI)


Sketches
de Fabiano de Souza
MAIS UM REPRESENTANTE da galera do Clube.Silêncio, de Porto Alegre, Sketches pode decepcionar a princípio por parecer mais um daqueles"filmes-onde-pessoas-mortas-que-não-sabem-que-estão-mortas-se-encontram-num-lugar-estranho-todo-branco". Ou algo meio Jogos Mortais, saca? Mas, felizmente, ele vira pela tangente e acaba apostando em uma narrativa peculiar, no formato de pesadelo, ou melhor, com estrutura de pesadelo. A narrativa vai se entortando pelos meandros mais estranhos, até completar o seu inevitável caráter cíclico. E assim, o filme causa o impacto necessário, sem apelar para as soluções convencionais do cinemão. (CHRISTIAN CASELLI)


Acidente
de Cao Guimarães e Pablo Lobato
ORIUNDO DE CONCURSO público do DOCTV, a versão longa de Acidente é tudo o que não se espera de um documentário feito para televisão. Sem reportagens, sem um olhar didático para o seu tema, o filme percorre 20 cidades pelo interior de Minas à procura de algo que não se apresenta de imediato, mas que temos que descobrir ao longo do filme. Esse percurso vale tanto quanto o encontro. Acidente, com um direto diálogo com outros filmes da Teia (Nascente, Trecho, Aboio) percorre um caminho íntimo entre a poesia e a memória, o imaginário e a realidade de um Brasil desconhecido. Abismo de um país e de um povo quase invisíveis, Acidente discute entre os limites de um cinema experimental e documental, entre o cinema de registro e o de invenção, a possibilidade da surpresa e da descoberta, assumindo para o espectador que o documentarista “aprende” mais do que “ensina” sobre seu tema de estudo. Por fim, deve-se observar com atenção que Acidente não é totalmente “acidental”: um minucioso trabalho de construção de um olhar, a partir do enquadramento e da montagem, reconstrói esse processo de descoberta. Entre o improviso e o rigor, Acidente comprova que o melhor cinema feito no Brasil vem de BH e particularmente da Teia. (MARCELO IKEDA)

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