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Infiltração em POA

Por Guilherme Whitaker em 22/09/2009 14:49


O Projeto Infiltração, concebido pelo Cine Água, nasceu de duas inquietações: o contato com uma produção emergente em vídeo, que tenciona o trabalho do coletivo, e a vontade de exibir estas obras de uma forma não muito ortodoxa.

Os trabalhos apresentados nesta Mostra transitam por diferentes conceitos e abordagens relacionadas à água, utilizando-se de elementos como o corpo, o percurso, o cotidiano e as memórias em suas narrativas.

O título da exposição define bem a maneira como se dará esta ocupação, exibindo vídeos experimentais, com a temática água, em monitores de TV “infiltrados” em 4 galerias públicas*, concomitantemente com as exposições que estarão acontecendo nestes espaços.
Nesta mostra, que acontece em Porto Alegre, RS, serão exibidos 32 vídeos, entre trabalhos já realizados sobre o tema e outros inéditos, feitos especialmente para a exposição.

Os artistas participantes, que gentilmente embarcaram neste projeto, são: Biah Werther (RS), Camila Mello (RJ), Carlo Sansolo (RJ), Cláudia Paim (RS), Christian Caselli (RJ), Cristiana Miranda (RJ), Cristiano Lenhardt (PE), Cristina Ribas (RJ), Dellani Lima (MG), Dirnei Prates (RS), Eny Schuch (RS), Érika Fraenkel (RJ), Helvécio Marins Jr. (MG), James Zortéa (RS), Joacélio Batista (MG), Kika Nicolella (SP), Lia Letícia Leite (RS), Louise Ganz (MG), Lucas Bambozzi (MG), Luiz Roque Filho (RS), Manuela Eichner (RS), Marcellvs L. (MG), Marcelo Gobatto e Juliano Ambrosini (RS), Maurício e Rachel Castro (RJ), Nadam Guerra (RJ), Nelton Pellenz (RS), Niúra Borges e Fernanda Stein (RS), Pablo Paniágua (RS), Paula Barreto (RJ), Ricardo E. Machado (PR), Rochelle Zandavali (RS) e Sônia Guggisberg (SP).

* Usina do Gasômetro – de terça a domingo, das 10h às 21h - local: rua presidente joão goulart, 551 - porto alegre – rs;
Galeria do Dmae - de segunda a sexta, das 8h às 17:30h - local: rua 24 de outubro, 200 - porto alegre – rs;
Porão do Paço Municipal – de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h; sábados, das 13h às 17h - local: praça montevidéo, 10 - centro - porto alegre – rs;

Centro Municipal de Cultura – de segunda a domingo, das 9h às 21h - local: av. érico veríssimo, 307 - porto alegre – rs.

visitação: de 03 de setembro a 11 de outubro de 2009
encerramento : 11 de outubro, das 14h às 20h - usina do gasômetro, com projeção de todos os trabalhos.

 

 

 

 

 

 

 

 


CINEMA É CACHOEIRA

Em 2003, o professor e pesquisador Arlindo Machado realizou a mostra Três Décadas do Vídeo Brasileiro, estabelecendo como marco inicial da produção videográfica no Brasil o trabalho M 3X3, uma coreografia para vídeo concebida pela bailarina Ana Lívia Cordeiro e gravada pela TV Cultura de São Paulo, em 1973. Segundo Machado, este trabalho é, até prova em contrário, o mais antigo tape da história do nosso vídeo, conservado e acessível para exibição ainda hoje.

Desde então, diversos foram os artistas a explorar as especificidades do formato, e em poucos anos o Brasil já seria reconhecido internacionalmente por suas contribuições à videoarte, graças notadamente ao trabalho de nomes como Éder Santos, Lucas Bambozzi, Arthur Omar e Carlos Nader, entre outros. O Rio Grande do Sul, no entanto, sempre mais resistente às inovações, levou algum tempo para apropriar-se do vídeo e é só a partir da última década que a produção dos videoartistas locais começa a ganhar destaque. Um movimento que coincide justamente com a migração do cinema para museus, galerias de arte e outros espaços expositivos, impulsionada pelo desenvolvimento da tecnologia digital.

“Cinema de museu”, “cinema expandido”, “cinema de exposição” ou “transcinema” são apenas alguns dos termos que a crítica vem utilizando para definir este fenômeno, no qual se insere a exposição Infiltração, com trabalhos que estabelecem um diálogo direto com as experiências dos cinemas de vanguarda levadas a cabo nas décadas de 20 e 30 do século passado. Como se estivessem inspirados pela célebre definição do pioneiro Humberto Mauro, para quem “cinema é cachoeira”, os 32 artistas (não apenas gaúchos) aqui reunidos de certo modo reescrevem este cinema – das pesquisas dos surrealistas às sinfonias da cidade –, num esforço de recuperar a vocação original da imagem em movimento para produzir efeitos poéticos.

Marcus Mello – Crítico de cinema, editor da revista Teorema
 


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