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Introdução ao Cinema Digital

Por Guilherme Whitaker em 05/11/2004 10:52


 

Introdução ao Cinema Digital
Autor: Waldemar Lima


O que é Cinema Digital

São produções cinematográfica feitas em sistema digital, com cópia em fitas ou HD (disco rígido), para serem exibidas tanto em tela grande como em aparelho doméstico de TV.

Cinema digital não é marketing, nem modismo. É uma nova tecnologia que não pára de ser aperfeiçoada. É o meio democrático que possibilita produzir um filme de forma menos complicada e barata.

A demora para a rápida implantação do Cinema Digital não é pela qualidade de imagens, cores, contrastes, etc. A briga é comercial. É briga pela venda de filme virgem para produção e cópias, é briga por distribuição e por exibição.

As vantagens do sistema digital

No cinema em película a imagem atravessa a lente de uma câmera cinematográfica e vai impressionar o filme virgem. Finda a filmagem, o filme é retirado do chassis e mandado para o laboratório passando pelo processamento caro de revelar, telecinar, criar efeitos especiais e editar.

No Cinema Digital, a imagem também atravessa a lente de uma câmera, porém não sensibiliza um película cinematográfica. A imagem é convertida imediatamente em sinal eletrônico e:

  • Não precisa de filme virgem. Os custos com compra de HD (hard disk) são fixos.
  • Não é preciso filmar, revelar, telecinar, para ser editado, eliminando custos nesses processos.
  • O material gravado sai da câmera e vai direto para a edição.
  • A tecnologia digital permite que o sinal de vídeo na forma de bytes seja armazenada em disco de computador HD (hard disk) de forma que toda edição seja feita com enorme agilidade.
  • E quando a edição fica pronta no arquivo do computador, se faz a cópia final para exibição. Cópia direta de HD para HD, (ou em fita) para exibição em salas de Cinema Digital e TV.
  • Tem cores, contraste e densidade bem aproximado da película cinematográfica.
  • Não risca, não perde qualidade na edição.

As vezes é preciso deixar de sonhar com filmagens caras e se transferir para o meio digital sem custos absurdos, assumindo um sistema barato (e bom) para realizar um projeto. O cinema digital está ai para reduzir custos e tem tudo para provocar uma disparada de produções que mostrem novos diretores, mostrem nossa gente e façam resistência a já eterna invasão de filmes estrangeiros que nada tem com a realidade brasileira.

O jovem cineasta brasileiro no começo de carreira, em geral com pouco dinheiro, deve ver no Cinema Digital uma forma de realizar longas e curtas por este Brasil imenso e cheio de contrastes econômicos e culturais

O Cinema Digital é uma realidade e pode resolver produções que dificilmente sairiam do roteiro, abrindo espaço para difusão de filmes nas TVs e outros espaços exibidores sem depender de distribuidores e salas de cinema tradicionalmente ligados a produção estrangeira.

O Cinema Digital possibilita ao jovem idealista, juntamente com seu grupo, comprar uma câmera digital semi profissional com 3 CCD (DV500 da JVC; Sony DX1000; Canon XL1) e produzir filmes com cores reais, detalhes nas sombras, sem riscos, dropouts, amassados e sem degeneração até 100 gerações ou mais. São câmeras relativamente baratas e com qualidade de imagem muito boa que dá ao realizador possibilidade de produzir seu filme na mais distante cidade, sem despesas com hospedagem e finalização em São Paulo ou Rio.

No Cinema Digital a edição não precisa de moviola. Computadores domésticos equipados com portas IEEE 1394 (FireWire, I-Link (Sony), Pinnacle DC-30 de preços entre US$500 a 3.000) permitem editar, mixar e até mesmo adicionar efeitos especiais.

É fundamental entender que:

  • Câmera é o módulo que capta a imagem e processa o sinal.
  • Recorder é o módulo que grava a imagem.
  • CamCorder significar (câmera + recorder).

Por isso podemos ter sistemas tidos por Cinema Digital com:

  • Captura analógica e gravação digital;
  • Captura digital e gravação analógica;
  • Captura digital e gravação digital.

É bom lembrar que na gravação analógica a imagem na fita original é igual a do sistema digital, mas se você copiar uma analógica para outra analógica a qualidade cai sensivelmente a cada geração. Quem tem uma câmera de vídeo analógica pode captar no sistema analógico, copiar em um gravador digital e fazer todo trabalho até a edição final sem perder qualidade.

Cinema é imagem. Uma boa câmera digital coloca a sua disposição facilidades técnicas para captar imagens. Mas tecnologia não substituirá jamais a criatividade. Facilita mas não cria.

Muitos imaginam que um diretor de fotografia não é mais necessário. Ele é, e continuará sendo em qualquer sistema, o responsável pela qualidade da luz e pela criação do clima visual do filme. Tem a responsabilidade de transformar uma idéia e um investimento financeiro, em um filme.

Produza curta ou longa metragem com todo cuidado técnico. Uma produção em digital pode ser transformada em filme de película quando da necessidade de ser exibido em cinema ou em algum festival que ainda pede cópia em película.

Além de câmeras semi-profissionais (que gravam boas imagens), existem as câmeras HD ( High Definition) profissionais de custo mais elevados para compra ou locação.

Com custo quase igual a uma filmagem em 16mm e pela facilidade, a solução é produzir em vídeo digital.

Para os que tem dinheiro produzir no sistema digital pode ser modismo. Para o jovem realizador é o meio fácil e barato. Cineastas como George Lucas, Spike Lee, Mike Figgs e outros já experimentaram com sucesso e economia filmar na mídia digital. Por que nós não podemos?

Muitos poderão dizer: Veja a qualidade das câmeras que eles usam para produzir no sistema digital. Se produtores e jovens diretores brasileiros que fizeram história no cinema nacional pensassem assim, não teriam produzido tantos filmes com as velhas e utilíssimas Arriflex IIC, Arriflex IIB,

Mais importante que suspirar e criar obstáculos de ordem tecnológica é pegar uma DV e realizar seu sonho, rodar seu filme.

Todo cineasta vai ter que dominar todas as mídias, usar as inovações tecnológicas por que está passando a arte da imagem em movimento e ver nelas soluções e opções para realizar seus filmes.

No futuro, cinema ótico, cinema digital (e o micro cinema ou cinema na web), serão vistos em casa, em um aparelho com uma tela de tamanho maior que as atuais, e nesse momento todos formatos estarão formalmente fundidos num só e as discussões poderão ser apenas de diferenças de linguagem.


Waldemar Lima é editor do site Curso Cinema.
Contato pelo e-mail:
lima.w@terra.com.br.


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