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Leia a carta de Aracaju

Por Guilherme Whitaker em 19/05/2004 11:32


                                     CARTA DE ARACAJU

 
Nós, cineastas, produtores, diretores, técnicos e artistas presentes ao Festival Luso-brasileiro de curta metragem de Sergipe - CURTA-SE 4, considerando a riqueza e a diversidade culturais retratadas na produção audiovisual do país, e a necessidade do fortalecimento desta produção pela democratização dos seus meios, vimos manifestar irrestrito apoio à política de descentralização e regionalização ora em curso no Ministério da Cultura, através da sua Secretaria do Audiovisual.

Nosso empenho é para que a democratização do acesso aos recursos traga efetivamente benefícios ao conjunto da nacionalidade, da cultura e das artes, sem discriminação geográfica, e contemplando regiões que até agora permaneceram quase que completamente à margem dos incentivos.

Defendemos ainda:

1 - A transparência dos critérios de distribuição dos recursos destinados ao

cinema pelas empresas estatais;

2. A regionalização e descentralização dos recursos, como forma compensatória para a concentração de investimentos, inclusive privados, no sudeste do país;

3. A permanência da política de editais por parte do Ministério da Cultura e da ANCINE.

4 - O assento da Associação de Produtores do Norte e Nordeste -APCNN nos seguintes órgãos: Conselho Superior de Cinema, Conselho Consultivo da SAV e reconhecimento da ANCINE e demais órgãos e associações ligadas ao audiovisual. 

5 - A realização de um encontro das regiões Norte/Nordeste no 1o. Festival do Cinema Brasileiro de Belém, com a participação do MINC, ANCINE, BANCO DO NORDESTE, BANCO DO AMAZONIA, REPRESENTANTE DO MINC NO NORDESTE, Secretarias de Culturas dos Estados do Norte Nordeste, CBC, ABDs do Norte Nordeste e ABD Nacional e outras instituições e Associações representativas destas regiões, para discutir o fomento e a produção audiovisual no Norte e Nordeste brasileiro.


Sabemos todos os que vivenciamos as dificuldades para produzir cultura no Brasil, a concentração dos recursos na região Sudeste, a exemplo do resultado do edital da Petrobrás recentemente divulgado, onde do total de 28 projetos aprovados para filmes de longa metragem em 35mm, 25 projetos contemplados pertenciam ao eixo Rio/São Paulo e somente 03 projeto foram para as demais regiões do País, sendo que algumas delas já se consolidam como importantes pólos de produção audiovisual do País.

Nosso pleito,entretanto, não caracteriza uma confrontação com aqueles centros que já definiram um vitorioso perfil produtor, mas simplesmente visa a estabelecer um equilíbrio na distribuição dos meios, o que, de resto, corrigirá distorções e equívocos e promoverá a necessária inclusão de importantes segmentos do conjunto do nosso audiovisual.

Acresce que esta nossa tomada de posição avulta inspirada e reforçada pela melhor expectativa deste período que antecede a reforma da Lei Rouanet, cujo encaminhamento ao Congresso nacional se anuncia para dentro em breve.
O festival de Aracaju vem reforçar a importância da Comunidade dos Paises de Língua Estrangeira - CPLP para o intercâmbio com os paises de língua portuguesa.

 
Aracaju, 16 de maio de 2004.

Associação de Produtores do Norte e Nordeste - APCNN


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