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Mais tela grande aos curtas

Por Guilherme Whitaker em 05/11/2004 10:58


 

Mais tela grande aos curtas
Autor: Zita Carvalhosa


O curta-metragem possui características bastante diversas do longa, no que diz respeito à sua exibição em salas de cinema . São, infelizmente, cada vez mais restritos os espaços de tela oferecidos ao formato e, não deixando de lado a batalha necessária do curta nos cinemas, os festivais constituem-se, agora, nas melhores vitrines para você exibir o seu trabalho nesse formato, aferir resultados, ouvir as críticas e, o melhor de tudo, ouvir as palmas e receber os abraços.

Pensando nisso e compartilhando a experiência de dez anos do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, exclusivamente dedicado ao formato, esboçamos este manual, que, é claro, não pretende esgotar o assunto, mas pode ser um início de caminho da longa carreira que nós desejamos para o seu curta.

Pegue o seu filme pela mão e coragem...

Como decidir um plano de festivais para um filme?

Como estratégia, depois de pesquisar o perfil de cada um dos festivais possíveis, confronte-os com as características de seu filme e á partir daí, defina um grupo de eventos que sejam, em princípio, positivos para o perfil do seu curta.

Assim, tenha sempre em mente critérios que devem ser considerados, como:

- prestígio do evento;

- possibilidade de colocação do produto no mercado;

- cobertura da imprensa; prêmios e

- por último, mas não menos importante (muito até pelo contrário) a possibilidade de contatos frutíferos.

Continuando nessa direção, aqui vão algumas dicas de como escolher os festivais para submeter a inscrição do seu filme:

- sempre existe a possibilidade do filme ser selecionado para um dos grandes festivais, que é claro, são os que dão maior visibilidade;

- os critérios para medir as chances são razoavelmente claros, quando se estuda a programação dos anos anteriores desses eventos;

- para os curtas, a Meca Internacional é Clermont-Ferrand, mas, evidentemente que, Cannes, Berlim e Veneza têm um prestígio que garante sempre uma visibilidade respeitável; não esqueça que a inscrição em festivais é um processo custoso, pois implica em preparar VHS, fax, telefones, despachos internacionais... e, sem dúvida, vale a pena preparar de antemão uma estratégia que leve em conta o custo/benefício;

- os festivais americanos cobram taxa de inscrição e a seleção de um modo geral é muito rigorosa, já que a produção local é descomunal. No resto do mundo a cobrança de taxas não é praxe.

Nossa sugestão para compor uma carteira de festivais seria: os festivais top onde a chance é sempre pequena, mas deve ser tentada; os festivais específicos onde o perfil do filme garante pontos e aqueles festivais emergentes onde o seu filme pode ser muito especial.

É bom lembrar do pessoal do lado de lá...de quem organiza os festivais. Quando enviar seu filme para uma comissão de seleção, não esqueça de:

- escrever uma sinopse interessante e que possa despertar a atenção, espelhando da melhor forma possível o filme; escolher a(s) melhor(es) imagem(ns) fixa(s) para enviar junto com a inscrição e cativar o interesse sobre o filme antes mesmo de ser visto. É claro que uma ótima foto também será bem aproveitada no catálogo e pode ter a chance de ser escolhida para a divulgação geral do evento;

- preencher todos os campos da ficha de inscrição, fornecendo todos os dados requisitados e indicando todos os pontos mais interessantes do seu trabalho;

- para eventos internacionais: pesquisar, criar, inventar e revisar o título do seu filme em inglês pois, na omissão desta preciosa informação, corre-se o risco de divulgar mundo afora o mesmo filme com diferentes nomes; mandar uma versão final do filme;

- destacar o realizador com um perfil interessante;

- inscrever o filme cedo para dar tempo a que o maior número de integrantes do comitê de seleção assista à fita inteira, com mais atenção e maior disponibilidade.

Tudo isso que acabamos de descrever, além de auxiliar o pessoal do festival, estará, mais do que tudo, criando melhores condições para a aceitação do seu trabalho.

Se o seu filme recebeu aquela preciosa carta confirmando a seleção, aproveite ao máximo a oportunidade oferecida e não esqueça de dar ao evento aquela atenção que você está, sem dúvida, pleiteando reciprocamente.

Peças básicas a serem conferidas:

- qualidade técnica e disponibilidade da cópia de exibição. Se o seu filme está correndo festivais sem retornar à base (a economia é válida, pois festivais geralmente não pagam o envio, mas garantem o retorno das cópias), a remessa de um evento a outro (dentro dos prazos estabelecidos) é interesse seu e uma responsabilidade a ser levada em conta.

- uma boa tradução da lista de diálogos, revisada, digitada e bem adaptada para garantir a boa formatação de uma eventual legendagem eletrônica. Claro que, se possível, enviar uma cópia legendada é sempre melhor.

- um bom kit de imprensa, material promocional original e um novo projeto formatado no bolso do colete para eventuais oportunidades.

Sempre que possível esteja presente àqueles festivais em que seu filme estiver sendo exibido. Não se esqueça: um festival chama outro, assim a presença do autor é peça chave no mundo dos festivais.

Os bons festivais são aqueles que oferecem bons filmes, boa organização e, é claro, um ambiente legal, por que ninguém é de ferro... compareça às sessões (à dos colegas também), aborde desconhecidos, freqüente as festas, aproveite, e Longa vida ao seu curta!!!

Estes e outros dados referentes aos Festivais de Cinema e Vídeo no Brasil você pode conferir em www.kinoforum.org

 


Zita Carvalhosa é Diretora do Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo.
Contato pelo e-mail: info@kinoforum.org.


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