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MAM exibe o curta Arábia e faz festa para o ator José Marinho, professor que se

Por Guilherme Whitaker em 15/02/2001 10:37


MAM exibe o curta Arábia e faz festa para o ator José Marinho, professor que se aposenta da UFF


Por vários motivos aquela foi uma sessão interessante, se não histórica. Foi no dia 2 de fevereiro e estavam presentes, entre outros, Nelson Pereira dos Santos, José Jofilly, Santeiro, Serra, Tunico, Ikeda, Valente, Marcelo (de Brasília), a colega abedista Gisela, todos no MAM, a fim de brindar a aposentadoria (da UFF) do professor Marinho, ver o curta Arábia, do Tiago, e trocar idéias sobre cinema. Finalizar um filme em 16mm, hoje, no Brasil, é tarefa quase metafísica e exibí-lo com qualidade, então, mais raro ainda, por várias razões que aqui não cabem.

A sala estava bonita, quase lotada, discursos de agradecimentos, fotos, palmas, felicidade e expectativa traduzida em alegria, coisa assim, suponho. O filme começa, tudo vai bem nos primeiros minutos até o som ir para o brejo e de lá não querer sair por vinte minutos, tempo este em que todos (menos o chateado Tiago) estiveram no salão, a trocar as citadas idéias, informações, conhecimentos, silêncios e/ou olhares. Logo Tiago avisa que o som voltara do brejo e que agora a projeção daria certo. A centena de seres bipidamente re-torna, aos poucos, para a sala de projeção, as luzes re-apagam e tudo começa a dar certo, sendo possível então apreciar a obra, primeiro filme do colega Tiago, uma comédia baseada no conto Arábia, de Joyce.

Por Guilherme Whitaker

Texto oficial da divulgação do filme, levemente adaptado:

Arábia, 16mm, cor, 21’, Niterói 2000

Manuel Yamamoto (Thales Coutinho) é um cineasta veterano, que após realizar vários longas autobiográficos resolve dar uma guinada em sua carreira e adaptar para o cinema um soturno e intrigante conto do escritor irlandês James Joyce: "Arábia". Yamamoto, porém, não contava com as interferências de Clóvis Alencar (José Marinho) um produtor executivo cheio de idéias, algumas nada fiéis à obra de Joyce.

Arábia é o primeiro filme de muita gente. É o primeiro filme da figurinista, das continuístas, do diretor de fotografia, é o primeiro roteiro filmado da roteirista e é a primeira direção de Tiago Morena. Arábia tem um sabor de estréia que se reflete na sua feitura e na sua estrutura.

O filme conta, através da estrutura de making of, a história dos bastidores de "Arábia", longa-metragem mais recente do renomado diretor Manuel Yamamoto, uma adaptação do conto homônimo de James Joyce. Tratando da problemática da adaptação literária, um recurso muito usado no cinema, o curta-metragem acaba tocando em vários outros tabus da feitura de um filme.

"Partimos dos clichês de bastidores de filmes para criar um universo próprio para esses personagens, onde suas loucuras fossem encaradas de forma natural, o que nos permitiu uma certa liberdade em relação a suas opiniões e idéias. Apesar de se tratar de um filme sobre como é difícil adaptar um texto literário para o cinema, creio que muito da estrutura de poder e paranóia de um set de filmagens entrou na narrativa final, o que só enriquece o filme" – esclarece Tiago Morena, diretor do curta. "Não queria fazer uma caricatura, zombar daquelas personagens, por mais exagerado que seja o contexto onde elas estão inseridas e por mais excêntricas que elas sejam. Queria levar a sério o que elas diziam e pensavam, apesar dos absurdos, para que o filme tivesse verdade. Para que ele não ficasse grotesco".

Um dos desafios do curta foi gerenciar a falta de experiência dos produtores com o bom resultado que se pretendia obter. Isso foi alcançado graças a muito esforço e empenho por parte dos realizadores, que acabaram se envolvendo profundamente em todas as etapas do filme, desde a pré-produção até a marcação de luz.

A idéia era terminar o filme o mais rápido possível, de modo que o compromisso com os patrocinadores fosse honrado. "Perdi dois semestres na Universidade correndo atrás do filme e resolvendo os problemas. Tive que me desdobrar em três para que a coisa saísse a tempo de participar do circuito de festivais ainda no ano de 2000. Acordava e dormia pensando em Arábia", conta Tiago. 


Curiosidades

O filme foi todo rodado no estúdio do Núcleo Audiovisual da Universidade Federal Fluminense, utilizando equipamentos cedidos pela Apema e do próprio Núcleo Audiovisual. O set foi de 4 dias. Foram filmadas 5 latas de 120m de negativo Kodak 320T, 1 lata de 120m de negativo Fuji 250T, além de 1 lata de 120m de negativo Fuji 125T para as seqüências de créditos e intertítulos. A composição de maquiagem/cabelo da personagem Josephine durava, em média, quarenta minutos. A das outras personagens duravam dez minutos.


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