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Maratona BR de cinema tem saldo positivo

Por Guilherme Whitaker em 09/11/2000 17:40


Maratona BR de cinema tem saldo positivo


Como não poderia deixar de ser, esta matéria vai querer valorizar o absoluto em detrimento ao relativo. O absoluto neste caso é o próprio Festival ainda não dividido em suas micro estruturas, em suas assinaturas, filmes, sinopses, encontros, falhas e virtudes.

Também se pode pensar que, não havendo este Festival haveria outro e não havendo este outro talvez houvesse outro outro. Mas a história presenciada usou de um nome, teve uma determinada identidade; Festival do Rio BR-2000, o ’maior evento de cinema da América do Sul’, ou seria da América Latina ?

O Festival é digno de elogio, pois evidenciou mais benefícios aos amantes do cinema do que estaria à disposição sem a presença do citado evento em nossa cidade. Recorde de filmes (400?), de sessões (1341), de público (135.251), de risos, espantos e negócios, recordes de festas a caráter e de consumo de jujuba (os dentistas agradecerão para sempre tal promoção). Para conseguir bater tantos recordes foi preciso dedicar-se bastante aos números e isso indica que se supervalorizou a quantidade em relação à qualidade. Sendo esta a estratégia montada e executada, vimos desfilar em nossa cidade centenas de filmes em menos de duas semanas. Foi assim devido ao assumido caráter empresarial que o Festival quis para si mesmo, uma total inversão de tendências e desejos com relação aos eventos passados, quando os organizadores tinham uma preocupação deveras maior com o nível dos filmes exibidos. Em matéria de filmes novos se exibiu praticamente tudo que era possível exibir, filmes de todas as partes do mundo, dos mais variados gêneros. Destaco desde já a qualidade dos filmes orientais e da nova safra de filmes brasileiros, curtas e longas. A torcida é para que no próximo ano não se tente re-bater tais recordes, que o esforço seja mais cultural que comercial.


Posinegativismo no Festival do Rio BR-2000

Entre os pontos positivos e negativos os primeiros levaram vantagem. Se em outras épocas os organizadores do festival (duas equipes diferentes que viraram uma só) não dispunham de tantos recursos financeiros e humanos, compensavam em criatividade e disposição. Não que tais virtudes tenham faltado agora, não faltaram, mas antes eram mais visíveis, mesmo porque os eventos eram menores, não havia a concorrência (e ajuda) da internet e mesmo dos celulares. Este ’antigamente’ é recente. 1989, I Mostra Banco Nacional de Cinema. Em 2000 talvez o lado financeiro não tenha sido o problema, sabiamente a BR investiu no evento pois acreditou nas pessoas que o fariam e o fizeram. Mas para existir o positivo é necessário haver o negativo (o contrário) que o sustente.

Pontos Positivos:

- Curtas exibidos antes dos longas

Uma ancestral batalha dos curtas-metragistas brasileiros, a exibição de curtas antes de todos os longas, ao invés de propagandas e traillers. Inclusive é LEI, mas no Brasil nem sempre ela funciona, mais fácil é não tocar no tema, principalmente em Brasília.

- Geração Futura

Desde sua fundação o Grupo do Estação valoriza a exibição gratuita de filmes para estudantes do primeiro grau.

- Première Brasil

Evidenciando que a indústria do cinema em nosso país entra no século XXI com muita gente nova, atenta e inteligente.

- Showcase

Aparentemente feito na base do improviso, usando uma sala do Copacabana Palace, evidenciou ótimo atendimento e bons contatos. No Showcase era possível assistir, em vídeo, a 83 filmes de curta e longa duração produzidos no Brasil neste dois últimos anos.

- Seminários

Da mesma forma que o Showcase, os seminários deram um caráter mais profissional, empresarial e dinâmico ao Festival. Mas faltaram mais palestrantes brasileiros.

- Legendagem eletrônica

Nem sempre funcionou, mas o saldo foi positivo.

- Odeon

Tudo muito limpo e bonito.

- Site do Festival

Eficaz, o que significa ótimo.


Pontos negativos:
(pensar com propriedade os erros alheios é sempre tarefa difícil. A idéia é que tais problemas sejam sanados para a próxima edição do evento)

- Tribuna Livre

Além dos vídeos em competição houve uma mostra paralela chamada Tribuna Livre. Tal evento passou quase sem ser notado porque não houve divulgação alguma nas mídias. Mesmo o Curta o Curta teve muita dificuldade para saber detalhes do evento, parecia que ninguém da organização tinha ficado encarregado com exclusividade da Mostra, que exibiu mais de 50 filmes na Fundição Progresso. A Tribuna Livre talvez tenha sido o ponto mais fraco do Festival. Melhor seria ter feito apenas a competição de vídeos, que foi melhor cuidada.
"... o espaço no catálogo foi miserável, não houve divulgação alguma nas mídias... a iniciativa foi ótima mas faltou organização, a coisa foi meio amadora... o Festival é ótimo mas este evento em particular foi ruim." Cristian Borges é professor de cinema na UFF, realizador de 4 filmes exibidos na Tribuna Livre.
"... faltou consideração com todos os vídeos. Não fui avisada do dia e da hora da exibição do meu filme, ou seja, não pude chamar os amigos que eu queria... e a divulgação dos vídeos exibidos? Você viu em algum lugar? Nem eu nem ninguém viu!!!..." Candy Saavedra é estudante de cinema na Estácio, conseguiu exibir seu filme ’Cesura’ no evento.

- Venda antecipada

Não foi nada inteligente vender antecipadamente apenas até 24 horas antes do filme.

- Poucos filmes clássicos ou raros Deu até saudade dos Tesouros da Cinemateca.

Por Guilherme Whitaker


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