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Mendigos... com orgulho

Por Guilherme Whitaker em 05/11/2004 11:02


 

Mendigos... com orgulho
Autor: Frederico Cardoso


Noutro dia houve o lançamento do edital Rio Filme / Canal Brasil para o concurso anual que tem como objetivo premiar cinco curtas metragens cariocas. Nada contra os concursos, acho que devem existir. Sinto falta, inclusive, de um concurso estadual para o formato, de uma ampliação da versão municipal e de saber notícias sobre o edital do federal - não sei se ando mal informado. Só não concordo com quem comunga da opinião que são a única maneira de se viabilizar curtas.

Em entrevistas ao dia do lançamento supracitado, vários curtametragistas citavam tal concurso como "praticamente a única maneira de se produzir um curta!!!!". E mais: "com a parceria do Canal Brasil, o curta já tem um meio de exibição garantido!!!!!"

Vamos por partes. Não sei o número exato, mas tenho a impressão que, nos últimos três anos, jogamos nas telas um número de curtas cariocas muito maior que o número premiado pelo dueto de concursos MINC/Riofilme. Isto prova que seja captando recursos, através das universidades, na raça, na amizade ou de qualquer outra maneira, pode-se e vem-se conseguindo aumentar a produção - atenção para a produção de aproximadamente cento e vinte curtas no 11 º Festival de São Paulo. Chega a ser danosa para o curta-metragem a primeira afirmativa do parágrafo anterior.

Quanto à incorporação do Canal Brasil, muito bem, é um lugar garantido para o curta premiado se ver veiculado. Mas, pensando bem, o CB não existe para, principalmente, mostrar aos telespectadores as produções brasileiras? O CB, para conseguir uma grade de programação com as últimas produções brasileiras não compra, regularmente, os direitos de exibição dos produtores? Me parece que, apesar de vir contribuindo muito para a cinematografia nacional, desta vez, a situação do canal do cinema brasileiro não é - ou é - das mais confortáveis.

Mas pode ser que a prefeitura não disponha de mais verbas para a cultura. Entendo. Pode ser que o Canal Brasil, no impulso de ajudar, não tenha atentado para algumas contradições desta parceria. Também entendo. Só não entendo o curtametragistas, tendo a oportunidade de dar entrevista em cadeia nacional, despejar sobre o grande público as duas pérolas do segundo parágrafo. Prestando um pouco de atenção nas afirmações, tem-se a impressão que o curta vive de esmolas. Pior, parece que a situação está ótima, caminha de vento em popa e que o horizonte é promissor, limpo e ensolarado.

A quantidade de pessoas que realizam e que desejam realizar seus curtas é infinitamente maior do que todos os concursos de roteiros juntos podem premiar. É preciso estudo sobre como viabilizar os trabalhos e sobre como distribuí-los de maneira digna. Mas isso deve dar muito trabalho.


Frederico Cardoso é cineasta.
Contato pelo e-mail: fredcar@openlink.com.br.


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