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MFL - Retrospectiva Produtora Cinema de Poesia

Por Guilherme Whitaker em 28/01/2006 06:48


O Cinema de Poesia e sua escrita cinematográfica 

Ao completar dois anos de existência, André Scucato e Cristina Pinheiro e seu Cinema de Poesia, vêm confirmar, através de uma retrospectiva de seus trabalhos na Mostra do Filme Livre, a consolidação de um caminho de notável nível de investigação formal e estilística. Através de um trabalho incessante e de grande obstinação (seus trabalhos foram todos feitos com recursos próprios e com o apoio de amigos, ou seja, sem nenhum tipo de recursos públicos ou de leis de incentivo), André Scucato e Cristina Pinheiro realizaram mais de 50 vídeos de curta duração em menos de dois anos, tendo sido exibidos e premiados em diversos festivais de vídeo nacionais e internacionais. Nesta retrospectiva, o espectador terá a oportunidade de ver esses trabalhos em conjunto, podendo constatar o desenvolvimento das idéias do Cinema de Poesia.

A proposta do Cinema de Poesia se concentra na possibilidade de interlocução entre diferentes processos artísticos, de modo a ter uma tradução própria, em que a essência de cada arte seja adaptada levando em conta as especificidades da linguagem cinematográfica. A própria formação da dupla (Scucato é formado em letras e Cristina em teatro) comprova o desejo de diálogo entre cinema, vídeo, teatro, literatura e artes plásticas, sempre com uma proposta experimental de um cinema não-narrativo. Aliado a isso, o Cinema de Poesia utiliza todas as facilidades das novas tecnologias digitais, fazendo um trabalho de grande virtuosismo técnico, em que uma ampla gama de efeitos visuais e sonoros são acrescentados após o processo de gravação, na fase de pós-produção.

O estilo dinâmico do Cinema de Poesia retoma as idéias do teórico e cineasta francês Alexandre Astruc sobre a essência da linguagem cinematográfica. Para Astruc, a mobilidade da câmera, permitindo uma associação livre entre objetos, formas e pessoas, permitia que as imagens desenvolvessem um código próprio, uma linguagem particular, da mesma forma que a função das palavras na literatura. Dessa forma, desenvolveu o conceito de “caméra-stylo”, em que a câmera cinematográfica, como se fosse uma caneta, imprimisse, através de imagens únicas, uma linguagem própria, uma escrita cinematográfica. A “câmera-caneta” representava o nascimento de uma nova vanguarda: o cinema passava a ser visto como uma arte autônoma, através da conquista de uma linguagem própria, e não mera cópia estilizada da literatura ou das apresentações de boulevard popularescas típicas do fim do século XIX.

Para o Cinema de Poesia, o desenvolvimento de uma escrita cinematográfica passa pela observação minuciosa da singularidade e da comunidade do cinema. Ou seja, de um lado, por uma proposta de integração do cinema com as demais artes convencionais; de outro, apontando as especificidades da linguagem cinematográfica. O olhar dos realizadores para a construção do objeto fílmico passa a estar intimamente relacionado a uma idéia de tradução e de escrita. Nesse sentido, tanto a liberdade da câmera quanto a manipulação do material fílmico no processo de edição constituem a base de um novo processo de escrita, dinâmico visualmente, mas sem perder a organicidade.

Por fim, a poesia. Elegendo a poesia como síntese de seu discurso de representação, a dupla parece apontar para um estilo de construção que oscila entre as rimas visuais e os versos livres. Por trás da caótica vida da metrópole mecanizada, Scucato e Cristina buscam a sublimação de um desejo por um mundo transfigurado, mas que ao mesmo nos permita achar o sublime nas coisas mais triviais: um jardim, um elevador, um banheiro, um trem, tudo é meio possível para o poeta recriar artisticamente um sentido da vida. Nesse processo de busca que tange o romantismo, a dupla deixa aflorar, por trás dos sofisticados recursos técnicos e visuais, uma sensibilidade que vai além das imagens e dos sons, transpondo o seu próprio processo materialista de construção de uma linguagem. 
                                                                                                                                                                                                      (Marcelo Ikeda )


UM CINEMA DE PONTO E VÍRGULA

Nos vinte primeiros anos do cinema, paralelamente ao desenvolvimento da narrativa clássica, verificou-se a formação de importantes movimentos de vanguarda como o expressionismo alemão e a avant-garde francesa. Nessa época, admitir o cinema como arte dependia da comprovação da sua capacidade de expressão e de dissociação do cotidiano do mundo. Griffith já ousava nos planos e em sua linguagem, aproximando a literatura do cinema.

Para André Bazin, que se contrapôs à ênfase dada aos aspectos formais da imagem, o que interessava no cinema era o fato que sua técnica não apagasse a “poética da realidade”. Para o soviético Sergei Eisenstein, a poética do filme estava na produção de antíteses no plano fílmico, utilizando imagens - ao primeiro momento de campos semânticos diferentes - na procura do choque pelo estranhamento, pela quebra da narrativa clássica do cinema convencional.

Pouco tempo depois, o poeta e pintor Jean Cocteau compõe Sangue de um poeta, a obra inaugural do Cinema de Poesia, em 1927. Dreyer, com A Paixão de Joana D´arc, mediante a brilhante apresentação de Falconetti e Antonin Artaud em 1929, consegue realizar uma poesia no cinema como poucos autores conseguiram até hoje. Artaud - poeta, ator, pintor e gênio da arte - tinha consciência do que era o cinema. Disse certa vez que a poesia não está além, mas aquém das imagens. Quando atinge o espírito, sua força desagregadora se despedaça. Certamente existiu poesia em torno da objetiva, mas antes da filmagem pela objetiva, antes da inscrição sobre a película.

Entreato, de René Clair, é um cinema de poesia em estado puro, exibido como um entre-ato de um espetáculo de ballet. Raros artistas souberam de forma tão criativa compor uma metáfora artística sobre o cinema com tal sutileza. Um Cão Andaluz, de Luis Buñuel, marco do cinema surrealista, certificou novos espaços para experimentação de outras narrativas. Em conferência realizada por Buñuel (Cinema: instrumento de Poesia), proferida na Universidade do México em 1953, o cineasta enunciou as bases para a sua proposta e apontou seus objetivos com relação ao cinema: que fosse capaz de transcender o mundo tangível e desvelar aos espectadores um universo até então desconhecido, encoberto pela percepção cotidiana das coisas.

Outros poetas, como Andrei Tarkovski, esculpiram o tempo no cinema, vagando entre pintura, fotografia, poesia para compor a sua arte. Krzysztof Kieslowski com sua trilogia Bleu, Blanc e Rouge, sinestesiou o som, personificou as cores e compôs uma obra repleta de meta-arte e poesia. Peter Greenaway, com seu cinema enciclopédico, reconhece o cinema limitado a uma única atuação e procura uma outra forma para a narrativa cinematográfica. Bem como Joel Pizzini e Júlio Bressane, cineastas contemporâneos que procuram rascunhar um cinema em outras narrativas, continuando a cine-poética de Glauber Rocha. Neste país há de lembrar a prosa-poética de Humberto Mauro na origem do nosso cinema e da obra-poética-prima Limite, único filme de Mário Peixoto.

Na década de 60, no livro Empirismo Herege, o poeta e cineasta Italiano Pier Paolo Pasolini criou o termo Cinema de Poesia, caracterizando produções que buscavam uma ampliação no espaço de expressão do artista na narrativa cinematográfica. Assim como Pasolini, o interesse é pelo caráter poético do cinema como arte, explorando os limites da narrativa convencional, não se enquadrando ao programa de movimentos de vanguardas e do experimentalismo, em busca da exploração da forma pela forma. No que é feito não há nada de novo. Apenas a reunião de todos os caquétipos das artes com mãos suadas de metáforas e sensações.

Concordamos com o cineasta Peter Greenaway quando afirma categoricamente que ainda não foi visto nenhum cinema, mas apenas 105 anos de texto ilustrado. O cinema não possui sua especificidade no formato (película x digital), que tanta discussão gera entre os profissionais da área e nem no que é projetado hoje em dia nas telas. No Brasil, a sétima arte ou retrata a obra literária do século passado e retrasado de modo audiovisual ou transcreve a encenação teatral para as salas escuras de exibição. Portanto é necessário um ponto e vírgula; O Cinema puro é um erro, como afirmava Artaud. Assim como é um erro, em qualquer arte, racionalizá-la como meio objetivo de representação. Há dois mil anos que Aristóteles diz que a Arte é a representação mimética da realidade. Ponto e vírgula.

Esta é uma pausa de reflexão que procura, na origem das artes, poetizá-la em todos os níveis propondo uma meta-arte, na busca de sub-textos, em todos os sentidos e direções, na desconstrução e construção de um diálogo poético com subjetivo de recompor a unidade primitiva da arte, que, como unidade, multiplica-se na sinestesia de sentidos nesta força de afastar a compreensão humana da racionalização da lógica.

Assim como é necessário ao ator a construção do sub-texto, demolindo aliteradamente todas as formas e espaços da escrita, este assoalho percebido à primeira leitura que esconde nos alçapões do texto a representação cênica maldita, a música como nota tem que ser desconstruída. O que é um piano senão um palco, onde dançam coreograficamente duas mãos bailarinas a extrair de cada sílaba-tecla, a literatura poética da sonoridade? E esta sonoridade, (mais especificamente a sua personificação) que atua como personagem-diretor tanto do movimento da imagem como sua forma e cor? A câmera como escrita caligráfica que se utiliza da dança corporal do fotógrafo que, sincronizada com o ritmo da dança desloca o corpo da fotografia para, seguindo além, extrair da imagem a textura e a figura nua de um quadro em movimento! Esta arte-plástica em transição que origina a tinta que, na montagem cinematográfica servirá novamente de texto e sub-textos, pronta para caminhar novamente entre a reescrita da interpretação cênica, dos sub-textos musicais, do movimento da dança na formação deste ballet sinestésicos de cores e formas?

Há ainda na realidade tantos cantos e espaços poéticos a mostra que basta recolhê-los com este olhar ingênuo de sabê-los lá, como pesa-nervos ou nenúfares esperando a colheita da poesia para sua exibição, seja em tela, seja em tinta, seja em dança, fotografia ou nas plásticas artes. Todo esse movimento de reconstrução compõe o sentido e a sensação do Cinema de Poesia, este intervalo, esta pausa, este entre-ato entre o que se acha ser Cinema e o que realmente o constitui.

O cinema precisa ser sentido, não racionalizado. E nesta procura poética quanto mais se afasta do que se conhece hoje como cinema, talvez mais próximo esteja de encontrar sua especificidade como arte.      
                                                                                                                                                                                                    (Cinema de Poesia)


SENSIBILIDADES

Por Luiz Rosemberg Filho

A série CINEMA DE POESIA é, apesar de todo o horror político e cultural, uma luz-viva, oposta à tecnologia burra do cinema de mercado, da publicidade, e da TV. André Scucato e Cristina Pinheiro, autores, ao se fazerem a si mesmos como capazes de movimentar e dividir o próprio sonho vivido, tornam-se pintores, poetas, músicos, coreógrafos e pensadores de uma revolução mais intima do conhecimento: o de serem para a poesia do belo. E por que não? Sem o mínimo de utopia, compromisso algum se sustenta. Basta que se veja a pobreza monumental dos nossos homens públicos: apáticos, corruptos, velhos e possivelmente porcos. Mas como bem dizia Brecht: “O bonito é superar uma dificuldade”. E essa é a nossa obrigação sem abrirmos mão do sonho e da poesia, como fazem André e Cristina.

Com isso avizinha-se uma espécie de balé de formas, sem regras ou vômitos ideológicos comuns aos meios de comunicação. E pouco importa que os detalhes sejam mais necessários e profundos que o hipócrita discurso violento, espetacular e neurotizante do cinemão aceito. Ao mal-estar com o produto, interessa ao casal, os abismos do não-entendimento imediato, da evolução do olhar e dos sonhos que não se explicam como no cinema de Bergman ou Tarkovski. Todos lidam com a poesia em estado bruto. E toda e qualquer teoria imediata torna-se ineficaz do ponto de vista da criação. Desta forma, André e Cristina dão notabilidade ao toque de magia, ao delicado, ao afeto muitas vezes difícil. Estão gestando o novo. Estão experimentando estranhezas. E toda estranheza frustra o desejo imediato de entender o sonho do outro.

Ou seja, a música que não explica o seu movimento gesta a imagem que indefine o que se vê: sejam flores, elevadores, banheiros, trem, trilhos....ou a genial dança da manequim, e a sua fantástica parceira bonita, apesar de careca. Momentos que se entrelaçam num grande afresco de utopia e liberdade. E do ponto de vista do cinema – é uma mudança importante que nos ajuda a romper com o discurso acadêmico-literário do século dezoito, dezenove. Essa reversão da hegemonia de um mercado predador nos obriga a todos a um novo pensamento sobre possíveis diferenças e afinidades. Ou seja, alargam-se horizontes para além das fronteiras formativas do saber, da população como um todo. E como bem disse Giorgio Baratta em seu livro Gramsci: “O operário – que Taylor queria reduzir à gorila amestrado” e que, ao contrário brechtianamente, “parece mesmo assim homem”, e tem muita possibilidade de pensar “e de chegar a um conjunto de pensamentos pouco conformistas”. E é justamente o não-conformismo que dá e dará acesso a um entrelaçamento de ricas possibilidades para todos.

Enquadrar bem seja lá o que for que fuja aos códigos imediatos do entendimento e do consumo, é como escreve Rilke “um estar aqui sublime”. E é toda essa significação poética que acrescenta (ou não) uma permuta significativa com a arte de criar o sonho muito além da realidade. Claro que o talentoso casal de cineastas corre o risco de não ser aceito, gostado, entendido... Mas também como estão um pouco além do imediato, é o que devem saber suportar. Ora, o pensamento frio da técnica retorna a música clássica de Villa Lobos a Gershwin, dando ao nosso olhar uma espécie de salvação do horror como espetáculo. O espectador pode não entender o que vê, nesse sagrado casamento de tempos e movimentos indefinidos. É cinema? Postura, dança ou artes-plásticas? É tudo. Mas pouco importa definir pois se estão lapidando sonhos.

A complexa imagem editada exerce sua força silenciosa, distorcendo as tantas e tantas passagens do nosso tempo já decodificado pela própria subjetividade dos realizadores. Ou seja, o acesso do espectador é pelo saber-sensível de cada um, formando assim um rico conceito de possibilidades para o futuro do cinema. Não apenas como espetáculo, mas como “utopia concreta”. É o que caracteriza os trabalhos de André e Cristina, são sonho de muitas vertentes que vão de imagem-pintura, a dança e a poesia que nada se explica. E ainda assim infundem oxigênio a uma vanguarda sem contradições, e já conformada em não ser vista, sonhada ou respeitada. Ou seja, ao não se reduzirem a poesia ao sofrimento, articulam descobertas significativas numa possível aproximação do cinema com tudo que ainda está vivo no processo criativo do saber. A série Cinema de Poesia são múltiplas viagens a um novo processo de percepção do olhar imagens. Banhados de sensibilidade edificam linguagens e expressões poéticas da maior importância para os que ainda sonham com uma essência de tons indefinidos, movimentos e subjetividades.

E se nada encaixa no entendimento imediato, tanto melhor. O impasse do espectador é um avanço rumo a regiões obscuras do cérebro humano. Ora, o que fazer diante de tanta beleza articulada pela música, mas desarticulada pela monumental edição das imagens? Chega-se onde? Cada um que chegue onde conseguir chegar, sem que isso diminua a importância deste ou daquele espectador preparado, ou não. É no fundo o que importa aos mais requintados realizadores da nossa vanguarda, aliados a Joel Yamaji, Isabel Lacerda, Fábio Carvalho, Ricardo Miranda, Marcelo Ikeda, Antônio de Andrade, Luciana Castro, Sérgio Santeiro, Daniel e Andréa Tonacci. E os irmãos Pretti.

Visando a satisfação no fazer e no ver, esforçam-se em lapidar os excessos sensoriais da técnica, num confronto aberto a produção de clichês da indústria cultural. E se o horror foi transformado numa forma de arte sagrada burra, André Scucato e Cristina Pinheiro degustam a beleza da liberdade e exuberância das suas imagens que fazem ressurgir o estado belo e alucinatório das paixões. Criar múltiplas dimensões da “Série Poetas”, “Série Elevadores”, “Trem/Trilhos”, “Estação”, “Céu”, “The Play”... é rearticular poeticamente espaços, sons, imagens e sonhos em zona de risco. O grande risco do não ser aceito ou entendido. Mas o que fazer se as paixões não se explicam? Ainda bem que alguma manifestação de vida e criatividade além da objetividade do tempo e das idéias.


Programação

Debate com a Produtora Cinema de Poesia na sala 26 / 4º. Andar do CCBB: Terça-feira, dia 14, às 18h30 – retire sua senha 30min. antes na recepção do CCBB.

I - A POESIA DO ARTISTA (74`)
Casa França-Brasil: Quinta-feira, dia 16, às 17h
Sala de Video: Sexta-feira, dia 17, às 19h


Três Tons Sobre o Poema de um Pintor
RJ, 2004, 9 min, DVD

Em três atos, transmite-se a sensação do pintor através das cores: no primeiro, o azul, sobre o fundo de um violoncello, traduz a tranqüilidade e a contemplação do artista ante à obra; no segundo, o vermelho angustiante do violino representa o espírito irrequieto do pintor; no último ato, a cor branca sobre um piano, mostra a alma do artista, traços e contornos, onde o criador desconstrói sua própria obra.

Direção, Produção, Câmera, Fotografia e Edição : André Scucato. Trilha Sonora: Adágio Sustenuto (Chopin) Sonata para violino nº 6 (Paganini) e Ópera nº 3 (Rachmaninov). Elenco: Morvan Brandão.


Je Suis Jean Cocteau
RJ, 2005, 10 min, DVD

Um documentário de sensações sobre a vida e obra de Jean Cocteau. Um ballet de movimentos, rimas sutis, sensações de um personagem e seus gestos, quebrando ritmicamente o tempo na desconstrução das artes, o escrever-compor-reger-atuar-pintar-esculpir sobre a obra de Jean Cocteau, cineasta de todas as artes.

Direção, Roteiro, Produção, Câmera, Edição e Trilha Sonora Original: Cristina Pinheiro e André Scucato.


Réquiem de um Poeta
RJ, 2005, 55 min, DVD

Composto em homenagem a Chico Elia, filósofo, pensador e artista, morto em janeiro de 2004, esta obra aberta, como um corpo sem órgão, convida o espectador a sua montagem, em um fluxo contínuo de possibilidades narrativas. Réquiem de um poeta é um poema épico, uma obra aberta divida em cantos, um poema sem órgãos como pensava o poeta e dramaturgo Antonin Artaud. Uma escrita-fogueira, como o teatro da crueldade cujo verdadeiro programa é “a encenação de uma máquina para produzir o real”.

Direção, Roteiro, Câmera, Fotografia e Edição: André Scucato. Produção: Cristina Pinheiro e André Scucato. Música: Réquiem de Mozart.


II - POESIA E LINGUAGEM (61`)
Casa França-Brasil: Sexta-feira, dia 17, às 17h
Sala de Video: Sábado, dia 18, às 19h


1. A Poesia

Jardim do Poeta
RJ, 2004, 6 min
Flores metáforas valsam ao som do ritmo das cores. A tensão, a existência o conflito e a valsa de emoções comandadas por aliterações, sinestesias e diversas “figuras de floragem” Obra que mistura poesia, música, pintura e cinema, tudo orquestrado pela natureza.
Direção, Câmera, Fotografia e Edição: André Scucato. Produção: Cristina Pinheiro e André Scucato. Música: Paganini.

Trem do Poeta
RJ, 2005, 6 min
Trem que passeia pelas história da pintura, suas texturas, cores e formas. Um trem poético, de sentindo, tinta, movimento e poesia.
Direção, Produção, Câmera, Fotografia e Edição: André Scucato. Trilha Sonora: Trem Caipira – Heitor Villa-Lobos.

Elevador do Poeta
RJ, 2004, 3 min
O elevador visto por um poeta, viagem onde personifica o lirismo, suas cores e os versos, que dançam coadjuvando o verso de um poema no cinema.
Direção, Câmera, Fotografia, Edição e Roteiro: André Scucato. Música: Rapsody in Blue – George Gershwin.

Moinho do Sonho de um Poeta
RJ, 2005, 10 min
Quixotecos sonhos de um poste na dança lírica de pintar paisagens e encenar histórias, com diálogos compostos do sussurrar dos ventos no movimento de uma caligrafia de poesia fotografada em aquarela viva de uma cena coreografada.
Direção, Produção, Câmera, Fotografia e Edição: André Scucato. Trilha Sonora Original: Cadafalso Cênico - Andre Scucato

2. Figuras de Linguagem

Prosopopéia
RJ, 2004, 1 min
Em “Prosopopéia” a câmera é personificada mostrando a “subjetiva” de uma abelha ou um inseto.
Direção, Roteiro, Câmera e Edição: André Scucato. Produção: Cristina Pinheiro e André Scucato. Música: Flight of the bumble bee.

Metonímico
RJ, 2004, 3 min
Em “Metonímico”, o fotográfico é o personagem, que interpreta Metonímia, uma “Figura de Linguagem”. O filme se passa no olhar subjetivo deste personagem que ao olhar para o DJ Nino tocando, observa a parte pelo todo”.
Direção, Roteiro e Edição: André Scucato. Câmera: Lucas Fernando e André Scucato. Elenco e Trilha Original: DJ Nino. Produtora: ACT TV.

Sinestesia
RJ, 2005, 1min23seg
Sobre sensações de tato, o toque orquestra os sons e as cores, em uma mistura de sensações.
Direção, Roteiro e Produção: André Scucato e Cristina Pinheiro. Edição e Câmera: André Scucato. Música. Brahms - Concerto para Cello.

Antítese
RJ, 2005, 8 min
O mesmo plano-seqüência tratado de forma contraria pela sensação das cores e do som, formando a antítese no dicionário fílmico de figuras de linguagem.
Direção, Roteiro e Produção: André Scucato e Cristina Pinheiro. Edição e Câmera: André Scucato. Música. Concerto do relógio e Passos de Artaud - Andre Scucato

3. Episódios da “Roda da Fortuna”
“Inicialmente não sabíamos que seriam quinze vídeos para compor o cenário da Roda da Fortuna, mas fazer o Cenário Virtual foi bem interessante, adequado à proposta da nossa linha de pesquisa, a meta-arte, sem perder a qualidade e principalmente a linguagem particular do Cinema de Poesia. Há de pensar o cenário como acompanhamento da música, com o mesmo ritmo e possibilidades de rimas entre movimentação de câmera, mudanças de luz,movimentação cênica, realizando uma montanha russa de sensações e principalmente pensando nas possibilidades de construção de cena na direção de Allan Castelo. Houve a preocupação de não serem apenas curta-metragens, nem somente cenários. Uma proposta hibrida, multifacetada, como toda a proposta da Roda da Fortuna. Em cena, diversas artes somam-se, multiplicam-se, contrastam e dançam, em um ballet linguísticos onde os signos, embevecidos, reverenciam o louco Baco eletrônico. Uma multi-ópera-eletro-lírico-poética, onde o espectador constrói o espetáculo com suas emoções, sua subjetividade e leitura do mundo. Enfim, um grande desafio, onde procuramos superar as dificuldades, por entender que o DESAFIO sempre fará parte do nosso trabalho.” – André Scucato e Cristina Pinheiro

Eremita
RJ, 2005, 5min
O natural olhar do eremita retira da natureza quadros naturais e líricos. Um vagar pela consciência humana a um diálogo intimista com a natureza.
Edição e Câmera: André Scucato e Cristina Pinheiro. Música: Schuman – Still Lieb unt Freud

Lua
RJ, 2005, 4 min
Olhares urbanos a constituir uma lua poeticamente de uma simples luz de poste.
Direção, Roteiro, Produção e Edição: André Scucato e Cristina Pinheiro. Câmera: André Scucato Música: Jardim Noturno – Heitor Villa Lobos.

Estrela
RJ, 2005, 1min40seg
O nascimento do mundo através de uma criança.
Direção, Roteiro Edição Câmera e Produção: André Scucato e Cristina Pinheiro. Trilha Sonora Original: Oratório da Messe Solennele – Agnus Dei – Rossini.

Os Enamorados
RJ, 2005, 2min10seg
O amor, a paixão, o desejo e o desencontro de enamorar-se nas artes de um beijo.
Direção, Roteiro, Produção, Câmera e Edição: André Scucato e Cristina Pinheiro. Trilha Sonora Original: Chanson D´orkeinse – Francis Poulenc.

Morte do Enforcado
RJ, 2005, 7min40seg
A entrega do corpo. A solidão, o sofrimento e a angustia. Um rito de passagem.
Direção, Roteiro, Produção, Câmera e Edição: André Scucato e Cristina Pinheiro. Trilha Sonora Original: Alexandre Ellias e Flávia Costa.

O Mago
RJ, 2005, 3min26seg
O mago e a sua natureza.
Direção, Roteiro, Produção, Câmera e Edição: André Scucato e Cristina Pinheiro. Trilha Sonora Original: Pastorale – Igor Stravinsky.


III - ARTE, TEATRO E ANIMAÇÃO (67`)
Casa França-Brasil: Sábado, dia 18, às 17h
Sala de Video: Domingo, dia 19, às 19h


1 – Peças Urbanas

The Play
RJ, 2004, 3 min
Parte de um Reality Show de teatro contemporâneo, The Play ilustra a desfragmentação urbana tecnológica e deturpa a noção de espaço-tempo, utilizando como referência teórica de Mustemberg sobre a percepção Retiniana. Um jogo Joyciano com diversos tons e andamentos na estrutura imagética do vídeo. O espectador passa a construir a obra, e o seu tempo de duração. Baseado no caos infinito urbano contemporâneo.
Direção, Roteiro e Edição: André Scucato. Produção : Allan Castelo e André Scucato. Trilha Original: Alexandre Ellias e Flávia Costa.

Femina Cristais
RJ, 2005, 9 min
A visão emocionalmente fria da mulher. Com um olhar masculinizado pelos tempos de hoje. As relações ora no vazio, ora na raiva, personificando a figura do homem ideal e sua inexistência.
Direção, Roteiro, Produção, Câmera e Edição: Cristina Pinheiro e André Scucato. Trilha Sonora Original: Alexandre Ellias.

O Carro
RJ, 2005, 2min28seg
Meus pés são meu guia. Através dele entrego-me ao mundo.
Direção, Roteiro Edição Câmera e Produção: Cristina Pinheiro e André Scucato. Trilha Sonora Original: Carro - Alexandre Ellias.

Priamo e Tisbe
RJ, 2005, 15 min.
A lenda de Príamo e Tisbe, escrita por Shakespeare em Sonho de uma noite de verão. Tisbe era amada por Príamo. Não consentindo os pais no casamento, resolveram fugir, dando-se encontro, para tanto, no sepulcro de Nino. Realizado com a companhia de teatro Os Soberanos, de Victor Vaughan.
Direção, Roteiro, Produção, Câmera e Edição: André Scucato e Cristina Pinheiro. Trilha Sonora Original: André Scucato.
Elenco: André Gustavo, Felipe Leira, Felipe Falcão e Giggio Serpa

2 – Poemas Animados

Elevador Parte I
RJ, 2004, 2min30seg
Estudo poético na variação de um mesmo tema, um elevador.
Direção, Roteiro, Produção, Fotografia, Câmera e Edição: André Scucato. Música: Elevador Cap. I Rachmaninov.

Estação em Flores
(Episódio da “Roda da Fortuna”)
RJ, 2005, 4min48seg

Estações de sentimentos amadurecidos nas sensações das pétalas, vivenciadas na sinestesia do tempo, mostradas nas estações do nascimento da vida e da morte.
Direção, Câmera e Edição: André Scucato. Roteiro: Cristina Pinheiro. Produção: Cristina Pinheiro e André Scucato. Musica: Rachmaninov.

O Sol
(Episódio da “Roda da Fortuna”)
RJ, 2005, 2min13seg
O calor e sua dança na movimentação que mostra a força do sol.
Direção, Roteiro, Produção, Câmera e Edição: André Scucato e Cristina Pinheiro. Música: Scriabin.

Elevador Parte II
RJ, 2004, 3min15seg
Estudo poético na variação de um mesmo tema, um elevador.
Direção, Roteiro, Fotografia, Câmera e Edição: André Scucato. Música: João Gabriel Herculano.

A Torre - (Episódio da “Roda da Fortuna”)
RJ, 2005, 2min45seg
A sinquese do caos urbano.
Direção, Roteiro, Produção, Câmera e Edição: André Scucato e Cristina Pinheiro. Trilha Sonora Original: Alexandre Ellias e Flávia Costa.

Céu Alistrelado
RJ, 2005, 5min08seg
A história do universo contado pelas origens das estrelas, mostrando a poética como menor parte existente na formação dos mundos que, no nascimento, se despedaçam em flores.
Direção, Câmera e Edição: André Scucato. Produção: Cristina Pinheiro e André Scucato. Roteiro: Cristina Pinheiro. Musica: Rachmaninov.

Um Outro Verso do Espaço Virtual
RJ, 2005, 3min23seg
A virtual visão de um universo desfragmentado.
Direção, Roteiro e Produção: André Scucato e Cristina Pinheiro. Câmera e Edição: André Scucato.
Trilha Sonora Original: Alexandre Ellias e Flávia Costa.

Elevador Parte III
RJ, 2004, 5min20seg
Estudo poético na variação de um mesmo tema, um elevador.
Direção, Roteiro, Fotografia, Câmera e Edição: André Scucato. Música: João Gabriel Herculano.

A Força
(Episódio da “Roda da Fortuna”)
RJ, 2005, 2min55seg
O centro. A potência matemática do ser humano. Talhando o homem com um pedaço de carvão medimos sua resistência. Causa que não se pode oferecer resistência.
Direção, Roteiro, Produção, Câmera e Edição: André Scucato e Cristina Pinheiro. Música: Chanson Espanhole – Ravel.

O Dia em que o Diabo Desce do Céu e se Prostitui em Flor
RJ, 2005, 6min37seg
Dionisicamente o diabo despenca a terra, transformado em carne e tutano. Para continuar a sentir as sensações humanas e o gozo do prazer acaba por se prostituir em flor.
Direção, Câmera e Edição: André Scucato. Roteiro: Cristina Pinheiro. Produção: Cristina Pinheiro e André Scucato. Musica: Tannhauser – Derive. 

Conheça o Cinema de Poesia AQUI.


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