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Mostra CINEMA DE GARAGEM

Por Guilherme Whitaker em 30/07/2012 06:32


- MOSTRA DE FILMES: panorama da produção independente brasileira do novo século (século XXI): 25 longas e 44 curtas.

- LIVRO: o catálogo, distribuído gratuitamente, será composto de 12 artigos analisando várias características dessa cena, escrito por pesquisadores como Denílson Lopes (professor da UFRJ) e o crítico Carlos Alberto Mattos, entre outros.

- CICLO DE DEBATES: haverá cinco mesas de debate, discutindo os desafios da produção independente brasileira Contará com a presença de realizadores como Sérgio Borges (MG), Marina Meliande (RJ), Ricardo Pretti (RJ/CE), Marcelo Lordello (PE), e pesquisadores como Denílson Lopes e André Parente (professores da UFRJ), o crítico Carlos Alberto Mattos e o realizador e assessor internacional da ANCINE Eduardo Valente, entre outros.

- SESSÕES COMENTADAS: 5 filmes terão a presença dos realizadores, que conversarão com o público após a sessão, sobre o processo de produção dos seus filmes. São eles: A FUGA DA MULHER GORILA (Felipe Bragança e Marina Meliande), O CÉU SOBRE OS OMBROS (Sérgio Borges), ESTRADA PARA YTHACA (Alumbramento) e MEU NOME É DINDI (Bruno Safadi).


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- A Mostra CINEMA DE GARAGEM faz um panorama da produção independente
brasileira do novo século (século XXI), exibindo 25 longas e 44 curtas.

- A Mostra identifica os novos modos de produção, valorizando os filmes de baixo custo, produzido de forma colaborativa, por uma jovem geração, conhecida pela crítica como “novíssimo cinema brasileiro”.

- A Mostra tem por base o livro homônimo (CINEMA DE GARAGEM) de Dellani Lima e Marcelo Ikeda, publicado em 2011 na Mostra de Tiradentes. Os dois são os curadores da Mostra. Ambos se dividem entre as atividades de realizadores, curadores e críticos/pesquisadores.

- A produção “de garagem” contemporânea mostra que não se precisa de grandes orçamentos nem de editais públicos para realizar obras expressivas. Muitas dessas obras são realizadas por coletivos, fora do eixo Rio-São Paulo. Um exemplo é o Coletivo Alumbramento, e o longa ESTRADA PARA YTHACA, em que os quatro realizadores (Luiz e Ricardo Pretti, Guto Parente e Pedro Diógenes) se revezam em todas as funções de produção, sendo roteiristas, diretores, câmeras, técnicos de som, editores e até mesmo atores de seu próprio filme. Outro exemplo é o filme ESTADO DE SÍTIO, realizado por oito diretores mineiros, membros dos coletivos Sorvete Filmes e Filmes de Plástico, também sem funções definidas.

- Serão exibidos os principais filmes dessa geração de realizadores, como:
- A fuga da mulher gorila (primeiro longa de Felipe Bragança e Marina Meliande, que realizaram posteriormente A alegria, exibido no Festival de Cannes 2010);
- os dois filmes pernambucanos Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro) e Pacific (Marcelo Pedroso),
- o primeiro filme de Tiago Mata Machado (O Quadrado de Joana), realizador de Os Residentes, este último exibido no Festival de Berlim;
- longas do Coletivo Teia, de Belo Horizonte, como Aboio (primeiro longa de Marília Rocha, vencedor do É Tudo Verdade. Marílila realizou posteriormente Acácio e A falta que me faz) e O céu sobre os ombros (primeiro longa de Sérgio Borges, vencedor do Festival de Brasília 2010 e exibido no Festival de Rotterdam, entre outros);
- filmes de destaque do programa DOCTV, como Acidente (de Pablo Lobato e Cao Guimarães), Morro do Céu (do gaúcho Gustavo Spolidoro) e os cearenses Vilas Volantes (Alexandre Veras) e Sábado à Noite (Ivo Lopes Araújo), além de Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro).

- Do Rio de Janeiro, destaca-se a CAVIDEO. O produtor Cavi Borges produziu cerca de 10 longas-metragens sem recursos de editais públicos, como Riscado, de Gustavo Pizzi, vencedor de prêmios no Festival do Rio e em Gramado. Outro exemplo é o longa Strovengah – Amor Torto, de André Sampaio, exibido na Mostra de Tiradentes 2012, e que será exibido na Mostra Cinema de Garagem. Neste momento, Cavi finaliza mais dois longas: FAROESTE, de Abelardo de Carbalho, e CIDADE DE DEUS: 10 ANOS DEPOIS, de Cavi Borges e Luciano Vidigal.

- Entre os curtas, está OS MORTOS VIVOS, da carioca Anita da Silveira, recém-exibido no Festival de Cannes 2012. Entre curtas que foram exibidos em outras edições de Cannes, estão O SOL ALARANJADO, de Eduardo Valente (Prêmio do Cinefondation) e O LENÇOL BRANCO, de Marco Dutra e Juliana Rojas. Já A MAN. A ROAD. A RIVER, do mineiro Marcellvs L., venceu o tradicional Festival de Curtas de Oberhausen (Alemanha).


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Apresentação da Mostra:

Baseada no livro homônimo de Dellani Lima e Marcelo Ikeda, a Mostra Cinema de Garagem apresenta um panorama do cinema independente brasileiro do século XXI. Os curadores selecionaram 25 longas e 44 curtas, realizados a partir dos anos 2000, que são exemplos vitais das transformações – tecnológicas, estéticas, éticas e políticas – por que passa o cinema brasileiro de hoje.
São filmes de uma geração jovem feitos não visando sua inserção no mercado, como meros produtos da indústria cultural, mas que são primordialmente expressões das visões de mundo e de arte de seus realizadores. Filmes realizados em diversas regiões do país, com um modo de produção colaborativo, em que a organização das equipes de filmagem acontece de forma mais flexível. Filmes moldados a partir do próprio processo de filmagem e de edição do material filmado, mais do que previamente demarcados a partir de um roteiro e de uma decupagem prévios. Filmes que exploram as fronteiras entre os gêneros cinematográficos, entre a ficção, o documentário e o ensaio visual, dialogando com outras expressões artísticas (a performance, a dança, as artes visuais, o teatro, ...). Filmes que se abrem para outras formas de organização narrativa, como um “cinema de fluxo” permeado por relações sensoriais mais livres, menos esquemáticas.
Além dos filmes, a Mostra se complementa com um ciclo de debates, composto por cinco mesas em que críticos, pesquisadores e realizadores discutem algumas das características dessa cena e lançam desafios para essas produções. Compõe o ciclo a realização de cinco sessões comentadas, com conversas com o público sobre o processo de realização de cinco longas-metragens, com a presença dos próprios realizadores desses filmes. Por fim, o catálogo-livro da mostra contém 12 artigos, escritos por críticos, pesquisadores e artistas, que analisam aspectos centrais desse contexto de realização, ampliando o debate crítico.
Dessa forma, esperamos que a Mostra Cinema de Garagem seja uma oportunidade para que o público cinéfilo tenha acesso a filmes ainda pouco vistos, fornecendo elementos para um debate crítico sobre o estado das coisas do cinema brasileiro de hoje.

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Declarações dos curadores Marcelo Ikeda e Dellani Lima:


- “Muitos filmes brasileiros, apesar de receber vários elogios da crítica especializada e de prêmios em festivais nacionais e internacionais, ainda permanecem pouco conhecidos do público em geral. Diversos desses filmes não conseguem ser lançados comercialmente nos cinemas e, aqueles que conseguem, ficam poucas semanas em cartaz, em poucos cinemas. Isso acontece por conta de um circuito exibidor dominado por alguns poucos filmes, divulgados com uminvestimento maciço de marketing, numa campanha global! Filmes como RIO ou OS VINGADORES foram exibidos simultaneamente em mais de 1000 salas de cinema no país, ou seja, quase 50% do nosso circuito exibidor. Os filmes brasileiros que conseguem furar esse bloqueio são geralmente apoiados pela Globo Filmes, como E AÍ, COMEU?, SE EU FOSSE VOCÊ 2, etc. A esmagadora maioria dos filmes brasileiros não consegue seu espaço nos cinemas e nem na televisão, que não passa os filmes brasileiros. Essa Mostra busca provocar uma discussão sobre o cinema brasileiro contemporâneo, “jogando luz” sobre filmes brasileiros de uma geração jovem, de grande referência cinéfila, com grande expressividade de linguagem, mas que permanece subterrânea, sendo exibida apenas em festivais de cinema ou cineclubes.”, diz o curador da Mostra Marcelo Ikeda.

No livro CINEMA DE GARAGEM, Ikeda fala desse modo de produção garagista como uma vocação. Esses filmes, mais do que uma ânsia de ocupar o mercado com uma grande bilheteria, são fruto de uma expressão pessoal, um desejo de criação artístico. “Quando falo no ‘cinema não como profissão, mas essencialmente como vocação’ me refiro uma lógica de produção que não seja meramente em produzir uma mercadoria que circula num mercado, mas essencialmente como um gesto de olhar o mundo. Fazer cinema, dessa forma, não seria meramente um ’ofício’, apreendido por meio do domínio de algumas técnicas, mas acima de tudo uma prática diária, cotidiana, ligado à essência do ser, indissociável ao próprio fato de vivermos. Enquanto piscamos os olhos, já estamos fazendo cinema, vendo cinema, vivendo o cinema. Fazer um filme desse modo não começa num ‘projeto’ e termina com o seu ‘lançamento no mercado’, mas simplesmente não tem começo nem fim, porque é algo que simplesmente nos atravessa.”

As transformações da tecnologia tiveram um papel importante na transformação desses modos de produção, especialmente o domínio da tecnologia digital e a formação de redes com a internet. Dellani Lima diz:
“As formas de produzir, de ver e de ouvir imagem e música mudaram profundamente nos últimos anos e ainda muitas outras transformações virão. Na última década, as pessoas tiveram a oportunidade de vivenciar intimamente as inúmeras transformações sociopolíticas, científicas e econômicas através de variados pontos de vista (artístico, mercadológico, jornalístico, íntimo e amadorístico) e de mídias (impressos, rádio, televisão, salas de cinema e Internet), tudo simultaneamente. Com a cinefilia de Internet, p2p, blogs, entre outros sítios de compartilhamento, possibilitou-se um campo maior de pesquisas e quereres. Os realizadores, como todos os artistas contemporâneos, buscam refletir e experimentar em suas produções esse grande escopo de saberes e de referências artísticas sem segui-los em todos os seus purismos. Por isso, há grande margem para o hibridismo, tanto de mídias como de estéticas. É importante frisar que não existe também nenhum conflito geracional: os artistas contemporâneos não buscam rótulos e também não ignoram as suas influências.”

Mais do que implementar modismos, a Mostra CINEMA DE GARAGEM pretende ser um convite para que o espectador se sinta estimulado a também produzir suas próprias obras, já que a produção é cada vez mais acessível. Como diz Dellani, “O fazer será sempre uma forma de se descobrir o mundo e a si mesmo e nem sempre precisa resultar em entretenimento ou obras de arte. Só existem dois caminhos: fazer ou não fazer. Sempre haverá algo autêntico, genuíno ou crítico, bem como algo desprezível, alienado ou mesmo sem nenhuma importância. Experimentar é a vida!”


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Currículo dos curadores:

MARCELO IKEDA
Professor do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Trabalhou na Agência Nacional do Cinema (ANCINE) entre 2002 e 2010. Coautor, com Dellani Lima, do livro Cinema de garagem: um inventário afetivo sobre o jovem cinema brasileiro do século XXI. Realizador de diversos curtas-metragens, como O posto (2005), É hoje (2007) e Carta de um jovem suicida (2008), entre diversos outros. Crítico de cinema, especialmente na internet, mantendo o blog www.cinecasulofilia.blogspot.com. Curador da Mostra do Filme Livre.

DELLANI LIMA
Dellani Lima nasceu em Campina Grande (PB), se formou em Dramaturgia e Realização em Cinema e TV pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Indústria Audiovisual do Ceará e, desde 2000, vive e trabalha em Belo Horizonte (MG). Realizador de extensa obra em vídeo, participando de importantes mostras e festivais no Brasil e no exterior, com diversos curtas e os longas O Céu Está Azul com Nuvens Vermelhas, O Sonho Segue Sua Boca e Sociedade dos Amigos do Crime. Foi curador da Mostra Indie, de BH e do programa ‘Horizontes Transversais’ da Mostra Vídeo do Itaú Cultural em BH e Belém (PA). É performer e fundador dos projetos de intervenção musical ‘Em Dias de Surto’ (2004), ‘E Disse que Era Economista’ (2007), ‘Madame Rrose Selavy’ (2009) e ‘Splishjam’ (2009). Coautor, com Marcelo Ikeda, do livro Cinema de garagem: um inventário afetivo sobre o jovem cinema brasileiro do século XXI.

 


SERVIÇO:

Cinema de Garagem

Data: de 24 de julho a 5 de agosto de 2012

Horário: Conferir a programação

Local: CAIXA Cultural Rio - Cinemas 1 e 2 - Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro (RJ).

Ingressos: R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia)

Classificação Indicativa: Conferir a programação

Programação: www.cinemadegaragem.com.br

 


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