Mostra do Filme Livre 2006 termina premiando 6 filmes ::  | Curta o Curta

Mostra do Filme Livre 2006 termina premiando 6 filmes

Por Guilherme Whitaker em 19/02/2006 19:44


MOSTRA DO FILME LIVRE 2006

CCBB e Casa França-Brasil



A MFL 2006 chegou ao fim neste domingo, tendo levado mais de 5 mil pessoas ao centro do Rio de Janeiro e na Noite Livre, festa que lotou o Parque Lage. As 3 salas no CCBB-RJ e a sala da Casa França-Brasil tiveram a chance de exibir 25 panoramas da atual produção de filmes livres brasileiros, entre outras sessões especiais. Andrea Tonacci participou de 3 bate-papos com o público, além de exibir seu novo longa-metragem "Serras da Desordem" na tão esperada quanto lotada Sessão Surpresa. 

A premiação da Mostra do Filme Livre foi coerente com o espírito da mostra: premiar filmes com um trabalho inventivo de linguagem que raramente poderiam ser vistos em outras mostras/festivais brasileiros. Também confirmou uma impressão geral no conjunto dos filmes: o melhor cinema vanguardista feito no Brasil hoje vem de BH. Apesar da ausência dos trabalhos de Dellani Lima na relação dos premiados, o cinema mineiro ficou com três entre as cinco categorias da mostra. Outro destaque na premiação foi a maciça participação dos documentários: todos os premiados em maior (O Espetáculo Democrático) ou menor grau (Nascente) tem uma nítida influência de um olhar documental. Resta a questão se isso comprova a força do gênero no país ou o esvaziamento dos filmes ficcionais. Por fim, a (merecidíssima) menção honrosa aos trabalhos radicais e anarquistas de Jorge Mourão.   Saiba os filmes premiados nesta quinta edição...

Nesta Quarta, 15-02, rolou a sessão do Nilson Primitivo, confira aqui uma entrevista INCLUSIVA de Nilsão pro Curta o Curta.

E depois rolou bate-papo com o Centro de Mídia Independente, focando o tema na questão da habitação e mais particularmente à ocupação Chiquinha Gonzaga, no Centro do Rio.

...aqui você acha algumas fotos da MFL. 

 Pelo quinto ano seguido o Centro Cultural Banco do Brasil patrocina a realização da Mostra do Filme Livre (MFL), evento focado na exibição (e no pensamento) da produção audiovisual independente de hoje e de ontem. O evento tem como principal atração a retrospectiva de toda a obra do cineasta paulista (na verdade, italiano baseado em São Paulo desde jovem) Andrea Tonacci. Também haverá retrospectivas do Centro de Mídia Independente (CMI), da produtora Cinema de Poesia e do realizador Nilson Primitivo. E o lançamento do Guia Brasileiro dos Festivais , e debates e sessões especiais e festa livre e prêmios...

Homenagem a Andrea Tonacci 
Um cinema camaleônico
 

Quarenta anos após sua estréia no cinema, com a realização do curta Olho Por Olho, Andrea Tonacci acaba de finalizar seu segundo longa-metragem de ficção, o esperado Serras da Desordem. Este, então, torna-se momento mais que oportuno para a realização de uma retrospectiva da obra desse diretor italiano-paulista-brasileiro que continua sendo pouco visto e ainda menos compreendido. Assim, com muito prazer a MFL 2006 fará uma completa retrospectiva deste grande cineasta, que virá ao Rio participar de debates com o público da MFL. 


Além do Tonacci, na MFL você vai conviver com
25 Panoramas Livres
São 16 panoramas na sala de Cinema e 9 panoramas na sala de vídeo em diversos horários. 211 filmes em cartaz. Em breve, aqui mesmo, toda a programação da MFL. 90% dos filmes feitos sem apoio estatal. Confira os selecionados AQUI.     

Retrospectiva CMI - Centro de Mídia Independente


O Centro de Mídia Independente (CMI) Brasil é uma rede anticapitalista de produtores e produtoras de mídia autônomos/as e voluntários/as. Com o objetivo de construir uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente, a ferramenta de publicação aberta do site www.midiaindependente.org procura garantir espaço para que qualquer pessoa, grupo (de afinidade política, de ação direta, de arte) e movimento social - que estejam em sintonia com esses objetivos - possam publicar sua própria versão dos fatos. Saiba bem mais em www.midiaindependente.org  .

Retrospectiva Nilson Primitivo 
“Sou filho da Mulher Gorila. Escapei do incêndio num circo em Niterói...” Esta fantástica e improvável biografia apresenta o personagem-título de Mais Velho, filme de Nilson Primitivo inspirado num personagem real do Rio de Janeiro nos anos 80. Filmado em 2000, Mais Velho narra a trajetória malandra e mágica de um bandido que aterrorizou nos anos 80 alguns pontos do jogo do bicho, no Rio de Janeiro. À exemplo do Bandido da Luz Vermelha, de Sganzerla, o tal bandido carioca de Nilsão “não respeita a mulher alheia nem a propriedade privada.” Com fotografia e montagem inspiradas no cinema marginal, Nilson joga referências espirituais umbandísticas, palavreado do submundo do crime e das delegacias, morenas fatais, duelo de faroeste e embaralha tudo nesta antropofagia carioca neorealista. A poesia sonora colada com a luz explosiva fotografada em preto-e-branco recria uma estética caótica, precária, que faz lembrar os clássicos da boca do lixo dos anos 60 e 70. 

A partir de 2000, “Nilsão” passou a dirigir filmes experimentais, todos produzidos em 16mm, utilizando uma metodologia própria, muitas vezes “montando” o filme na câmera e revelando-o em condições precárias, de forma caseira. Na banda sonora, depoimentos que vagam entre a poesia e a crítica ao estado das coisas, além de crônicas anônimas sobre o amor, a dor, a morte e o sobrenatural.

Além de Mais Velho, Nilsão filmou em 16mm Exu do Amor (2001), tida como obra inaugural do maoísmo fantástico, além de uma crítica a institucionalização da arte, Idade da Pedra (2002), colagem e manifesto estético–poético: “Rede Globo, burguesia total, não vai meter a câmera na nossa cara, não! Abaixo a Rede Globo, abaixo os militares...”, depoimento reciclado do documentário Punk Molotov, de João Carlos Rodrigues, de 1984, período em que o regime militar agonizava. Reutilizando um manifesto anarco-punk no contexto da “retomada do cinema nacional”, Nilson coloca em questão o domínio do império global no cinema brasileiro, fase em evidência no atual panorama cultural. Com uma estética personalíssima, Nilson vomita em cima do monopólio do falecido Roberto Marinho, que gerou indiscutíveis receitas para a “indústria”, mas deixou marcado em nossas telas duvidosos padrões estéticos neoliberais. Depois filmou Duelo das Loiras, de 2003, uma anedota sado-masoquista nelsonrodrigueana misturada com faroeste. Dez pro Inferno, de 2004, filmado em P&B e também revelado em condições precárias, é um filme involuntariamente experimental, uma eutanásia audiovisual, que discorre sobre o fim da humanidade(fim do cinema?). O Craque do Futuro, de 2005, com sua mensagem esperançosa, surge como um interlúdio pacífico em sua violenta filmografia. Filmado no mesmo ano, Império das Pelúcias mescla uma anedota romântica delirante com uma espécie de show erótico-musical, no melhor estilo go go girls de Copacabana. Recentemente, Nilson me contou que tinha vontade de filmar uma adaptação de uma HQ, Macumba Joe, entidade cinematográfica que promete abalar os alicerces estéticos da atual produção carioca, entre o sagrado e o profano, o velho e o novo, o marginal e a chanchada.


Retrospectiva Produtora Cinema de Poesia 

Ao completar dois anos de existência, André Scucato e Cristina Pinheiro e seu Cinema de Poesia, vêm confirmar, através de uma retrospectiva de seus trabalhos na Mostra do Filme Livre, a consolidação de um caminho de notável nível de investigação formal e estilística. Através de um trabalho incessante e de grande obstinação (seus trabalhos foram todos feitos com recursos próprios e com o apoio de amigos, ou seja, sem nenhum tipo de recursos públicos ou de leis de incentivo), André Scucato e Cristina Pinheiro realizaram mais de 50 vídeos de curta duração em menos de dois anos, tendo sido exibidos e premiados em diversos festivais de vídeo nacionais e internacionais. Nesta retrospectiva, o espectador terá a oportunidade de ver esses trabalhos em conjunto, podendo constatar o desenvolvimento das idéias do Cinema de Poesia. 



Longas Livres 
As Cinzas de Deus, de Andre Semenza, MG, 2003, 73 min, 35mm
Um Homem Sem Mulher, de Luiz Pretti e Ricardo Pretti, RJ, 2005, 104 min, DVD
2001: uma odisséia à brasileira, de Mariana Vitarelli, RJ, 2005, 71 min, DVD
Sobre o Amor em Tempos Difíceis, de Dellani Lima, MG, 2004, 63 min, VHS, Hi-8 & Mini-DV/DVD
Cafuné, de Bruno Vianna, RJ, 2005, 92 min, DVCam/35mm 

Sessões Especiais

Olhar brasileiro - Uma singular sessão com curtas realizados fora do Brasil por brasileiros.

Sexuada  - Filmes de temática sexual.

Política - Filmes que colocam a politica em questão. 

Pilulas - Um grande sessão com 33 pequenos filmes de até 4 minutos de duração.

Retrô MFL - Desde 2003 a MFL presta uma homenagem a um grande cineasta livre. Nesta sessão o público terá a chance de ver e/ou rever dois filmes de cada um destes grandes nomes do cinema nacional, a saber: Fernando Spencer (PE), Elyseu Visconti (RJ) e Luiz Rosemberg Filho (RJ). Também compõem a sessão 3 curtas realizados pelos curadores da MFL sobre os homenageados.

Sessão Criança 1 e 2 - Em parceria com o CINEDUC, a MFL pela primeira vez realiza duas sessões com filmes livres para o público infantil. 

Curta o Curta  - O site Curta o Curta tem feito a promoção da MFL desde sua primeira edição, em 2002. Em 2006 o site fará uma sessão especial, com filmes especiais para um público especial.

Coisas Nossas 1, 2 e 3  
Três sessões com filmes convidados. 
A Primeira é com filmes realizados pelos curadores, pelo júri e por membros da equipe da MFL. CONFIRA AQUI
A segunda sessão apresenta filmes convidados. CONFIRA AQUI
A terceira é o lançamento de um longa carioca. CONFIRA AQUI.

À meia-noite com Christian Caselli às 19h 
Um panorama quase completo deste realizador que esteve na Europa mostrando sua original arte de fazer filmes legais com poucos recursos. Saiba mais AQUI.  Na MFL a sessão será nos dias11 e 18, às 19h.

Surpresa
Pela primeira vez a MFL fará uma única sessão surpresa, com a exibição de um longa inédito de um cineasta com extensa produção de filmes livres.  A sessão surpresa será no dia 11-02, as 19h, na sala de cinema do CCBB.

7 Debates
Na sala 26 – 4º, andar do CCBB – Entrada grátis com retirada de senhas meia hora antes de cada debate. Antes dos debates haverá sessão com filmes relacionados ao tema. Todos os debates são precedidos de sessões, que começam as 18:30.

ASCINE-RJ – Sobre a atual política audiovisual local.

Memorial – Em parceria com o Arquivo Nacional faremos o debate O QUE A MEMÓRIA DA TV TEM A VER COM FILME LIVRE?, com João Alegria, Clóvis Molinari e Andrea Tonacci.

Tonacci convida – Uma sessão especial com curtas especialmente escolhidos por Andrea Tonacci, com a presença de diversos diretores para um bate-papo após a sessão.  Dia 10-02.

Experiências – Andrea Tonacci - O encontro do diretor com o público da MFL.

Experiências – Nilson Primitivo & Produtora Cinema de Poesia . - Os diretores Nilson Primitivo, André Scucato e Cristina Pinheiro conversam com o público.

Experiências - CMI – Centro de Mídia Independente – Os integrantes do CMI conversam com o público sobre seu trabalho.

Mercado de Curtas – Manoel Rangel (Ancine), Marcus Mannarino (Curta o Curta) e Zita Carvalhosa (Kinoforum) conversam com o público sobre o atual e o futuro mercado cultural e comercial de curtas. Dia 16-02.

Eventos Extras 

Lançamento NACIONAL
do
Guia Brasileiro dos Festivais 2006

Como em 2005, a MFL tem o prazer lançar no Rio a edição 2006 da mais importante publicação nacional relativa aos festivais de cinema e vídeo que acontecem regularmente no Brasil. Saiba mais em www.kinoforum.orgDia 16-02 das 17h às 20h no CCBB.
                      
Noite Livre - Festa Livre - Parque Lage
O Rio vai balançar ao som de diversas bandas e djs que ocuparão o Parque Lage, clássico cenário de tantas filmes de ontem e de hoje. Saiba mais durante o evento e pegue sua filipeta de desconto na entrada no site Curta o Curta. Também haverá projeções e instalações e performances e, para variar um pouco, a produção de um filme estará acontecendo durante a festa.  Dia 11-02 a partir das 20h.



Sessões Indicadas
Nestas sessões o público poderá ver, duma só vez, os filmes indicados para cada prêmio da MFL. 

A MFL é competitiva e oferecerá serviços audiovisuais para os destaques. São 5 categorias de premiação, a saber:

Filme Livre! Curtas – para filmes feitos sem apoio estatal
Filme Livre! Oficinando – Para filmes universitários ou de oficinas
Filme Livre! Século XX – Para filmes realizados no século passado
Filme Livre! Médias e Longas – para filmes feitos sem apoio estatal
Filme Livre! Caríssima Liberdade – para filmes realizados com apoio estatal

Os destaques da MFL ganharão o Troféu Filme Livre! e diversos serviços audiovisuais. Isso ajuda na realização dos próximos filmes dos realizadores independentes... Inclusive, na MFL 2006 vários curtas foram frutos dos prêmios ofertados em 2004 e 2005. Em breve, aqui mesmo, a lista completa dos prêmios.

Para o catálogo da MFL a curadoria escreve textos sobre cada um dos 33 filmes indicados. O Júri oficial da MFL, formado por Joel Pizzini, Paula Gaitan e Rosângela Sodré definirá, durante o evento, os filmes premiados. No domingo, dia 19-02, a partir das 18h, no CCBB, os destaques serão premiados e exibidos.


Alguns números da MFL

Espectadores desde 2002 = 10 mil pessoas.
Filmes exibidos desde 2002: 800 filmes, entre curtas, médias e longas.
Inscrições recebidas em 2006: 680, sendo 292 do RJ, 143 de SP, 57 de MG, 40 de RS e 29 de PE.
Formatos de exibição dos filmes: 82 em 16mm ou 35mm, 78 em Beta-SP ou VHS, 502 em DVD (75% do total).
Data das produções: 84% dos filmes realizados em 2004/2005. O filme mais antigo é de 1974.
Produções independentes (sem apoio estatal): 88% das inscrições e 90% dos selecionados. 

Saiba mais em  www.mostradofilmelivre.com

A Mostra do Filme Livre tem o patrocínio do Banco do Brasil e é uma realização do Centro Cultural Banco do Brasil




A Organização é da  WSET Multimídia



A MFL conta com o apoio Institucional do Arquivo Nacional, da Casa França-Brasil e do Parque Lage

         

A Promoção quem zela é 
                    


                                  
Tem o APOIO Cultural   da Apema 

                                 
                     21 25168894                                                            

      
E na premiação, tem os seguintes apoiadores
                                     
                         21 22861949                                                   21 25392704                                       21 25371656                


                                              
                       21 25270538                                               21 25692002                                           21 2539-1060    


Agradecimentos 

                          
                                                                                                                                            21 2237-0426


                                          

                                                                                                                                              
                     

                        Bistro do Paço

Agradecimentos especiais: Guilherme Lustosa, Leonardo Ramadinha e Paulo Halm.

A MFL acontece através do apoio de



             


Locais de exibição:
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, RJ, tels:
Ingresso: Cine-passe com validade de 30 dias ao custo de R$8,oo/4,oo

Casa França-Brasil 
Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro
Ingresso: R$3,oo/1,50 por sessão.

Confira mais da MFL no site da Mostra do Filme Livre 
21 25397016 - 97966985


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