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Mostra o seu que eu mostro o meu levou 160 pessoas ao MAM

Por Guilherme Whitaker em 08/12/2000 18:07


Mostra o seu que eu mostro o meu levou 160 pessoas ao MAM
Exibição de filmes, debates e dança fizeram a diferença


Teve de quase tudo um pouco.
Chuva, sol, toró, lua, risos, olhares, suspiros, bocejos, filmes e beijos...

Em seus 3 dias de evento, a Mostra o seu que eu mostro o meu exibiu 40 filmes em vários formatos, produções novas e antigas, de gente já tarimbada e ainda se tarimbando.

Nos filmes e nas mesas foram vistos e por vezes discutidos interessantes aspectos de nossa condição de animais pensantes a habitar um ethos cada vez mais tecnológico e ’sob controle’ por aqueles que detém o capital e/ou a informação.

Foi pensado sobre o futuro da Internet no Brasil e no mundo assim como algumas de suas ecologias possíveis. A exibição de filmes através da rede a anunciar que ’logo’ a TV e a Internet serão uma só coisa, máquina/ferramenta a entreter e informar especificamente sobre qualquer coisa. Que tais adaptações não se darão da noite para o dia, assim como Gutemberg não inventou a imprensa num dia e não foi na noite seguinte que sua aplicação fez-se efetiva e em larga escala. Com o chip, porém, a velocidade das transformações tecnológicas tem muito se acelerado. É natural que o seja. Mesmo assim ainda se trata de um processo lento (dependendo do lugar, lentíssimo...) e, afirmo, inevitável. A indústria (leia-se aqui ’as ciências’) não vai parar de querer melhorar as definições, as certezas, as velocidades.

A informática já mudou a cara do mundo e o fará cada vez mais, seja na medicina, seja nas engenharias ou nas comunicações... Cedo ou tarde (creio que será tarde) haverão quiosques com Internet onde hoje estão os orelhões, a informação e a comunicação estará acessível a todos (talvez de graça, mas quem quiser/puder pagar terá melhores serviços... como sempre...). A eficácia da política, da educação e da economia estarão cada vez mais a depender das máquinas, que no entanto não sobrevivem sem as assinaturas humanóides, assim tem sido desde muito mas não desde sempre, a responsabilidade é toda dos sócios da sociedade que se faz parte, seja em qualquer época, língua ou lugar. Uma pena que as ciências sociais e políticas (pelo menos Brasil) não tenham ainda se dado conta de que o bonde burrocrático passa cada vez mais lotado rumo ao seu ilusório e violento fim. O da política pela política, do lucro pelo lucro, da lei pela lei.

Na próxima década o Brasil deverá triplicar o número de usuários na Internet (que hoje são 6 milhões). A Internet será uma das responsáveis por muita coisa boa em nosso país (e de muita coisa má também, eis um paradoxo que jamais abandona aquilo que o humano cria), principalmente nas relações comerciais, empresariais e pessoais... Pela Internet as distâncias foram abolidas, pelo menos até que falte luz.

Voltando ao MAM, nas várias mesas que se seguiram aos filmes foi pensado, também, sobre as experiências de mostras de formatos específicos, ’menores’, como a mostra Curta Adoidado e a mostra do grupo Incinerasta.

Já na mesa de ’direção’ se pensou sobre os filmes autorais, sobre as diferenças e semelhanças entre Limite (de Mário Peixoto) e a obra de Humberto Mauro. Além de técnicas de cronograma, de orçamento e de produção. Também foram narradas muitas experiências no set, na producao de filmes e de aspectos técnicos na criação de roteiros e/ou na execução da fotografia de um filme.

Também se pensou sobre as novas tecnologias de finalização de filmes, aspecto cada vez mais importante de se pensar ainda na pré-produção, pois hoje se pode filmar em qualquer formato e finalizar em qualquer padrão ou suporte. É questão de saber o que se quer e de quanto se dispõe para gastar.

A produção do evento avisa que em janeiro haverá uma repescagem da mostra no espaço alternativo Cavídeo, na Cobal do Humaitá (RJ). As datas ainda estão sendo definidas e logo serão aqui divulgadas. A Cavídeo aproveita e avisa que está lançando uma fita de vídeo com uma seleção dos filmes exibidos.

Para maiores informações procurar Victor Klier, pelo telefone (21) 266-2239.


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