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O maior prêmio do Paracine vai para o público

Por Guilherme Whitaker em 09/11/2002 15:23


O maior prêmio do Paracine vai para o público 


Se o Paracine - I Festival de Cinema de Paraty, RJ - merecesse uma premiação, levaria fácil o título de "evento mais figuraça". Isto por vários motivos, mas sobretudo pelo público que foi à tenda armada na praça principal da cidade: grande parte dos freqüentadores nunca entraram em um cinema antes e simplesmente não sabiam como se comportar numa sala de projeção. Isto fez com que a participação popular fosse extremamente ativa, o que agradou os realizadores presentes. Ao todo, foram, segundo a organização, cerca de 15 mil espectadores. O Paracine ocorreu entre 31 de outubro e 2 de novembro e foi fundamentalmente um competição entre curtas-metragens. Houve também exibição de longas, alguns deles realizados em Paraty (como "Anchieta, José do Brasil" e "Como era gostoso o meu francês") e foram homenageados os cineastas Paulo Cesar Saraceni e Luis Carlos Lacerda (o "Bigode"), o ator Ney Latorraca (que não compareceu) e o produtor Sérgio Saraceni. No entanto, a grande novidade do Paracine foi ser um festival aberto a todas as bitolas, ou seja, filmes feitos em mini-DV e super-8 puderam competir de igual com os realizados em 35mm. Só houve uma divisão entre os filmes: ficção e documentário; o júri da primeira categoria foi formado por Rogério Sganzerla, Walter Lima Rocha, Paloma Rocha e Ruth Albuquerque; o segundo por Eryk Rocha, Marcelo Janot, Tetê Moraes, Adriana Dutra e Ivana Bentes.

O "grand finale"

A cerimônia de premiação, realizada no último dia, tentou captar o clima informal das exibições dos filmes; no entanto poucas vezes se viu algo tão amador e desorganizado. Apresentado pela atriz e produtora Ana Maria Nascimento, o encerramento foi uma sucessão de gafes e falhas que cansou os espectadores. Ana chamou convidados que não estavam para entregar os prêmios - e na ausência deles, convidou qualquer um para subir no palco -, fez piadas constrangedoras, disse que iria passar um pequeno programa sobre o produtor Sérgio Saraceni (o que não aconteceu), chamou o ator Tuca Andrada de "Tuca Andrade" etc. A coisa chegou a tal ponto que, no final, antes de serem anunciados os prêmios de público e do CTAV, houve uma debandada geral da platéia. Os grande vencedores do festival foram "O encontro" (de Marcos Jorge), na ficção, e "A margem da imagem" (de Evaldo Mocarzel), no documentário (veja a premiação completa no final da matéria). Porém, se houve um consenso entre os realizadores, todos aplaudiram a reação da platéia durante as sessões. "Eu queria agradecer a todos e ao público do festival, que foi sensacional", disse Marcos Jorge, ao receber o quinto prêmio de "O encontro". Outra realizadora premiada, Iziane Mascarenhas, autora de "O céu de Iracema", concordou com o diretor: "para muitas destas pessoas, foi a primeira vez que foram ao cinema e eles não tinham a cartilha de ´como se comportar no cinema´. No entanto, eles viam os filmes com profunda intimidade, com se estivessem em casa vendo TV. E o fato de ser uma tenda não tirou o astral de ser uma praça pública", avaliou. No entanto, as críticas ao festival não faltaram. "A qualidade da projeção dos vídeos foi terrível, se naturalmente a qualidade da imagem digital já é bem inferior à de um filme em 16mm ou 35mm, imagine com um projeção embaçada... é louvável a realização de uma competicação sem distinção de bitola mas seria bom tratar os vídeos com mais dignidade, aliás é ou seria apenas o mínimo, comentou Guilherme Whitaker, editor do Curta o Curta e produtor de um dos filmes em competição. "Muito engraçada e duvidosa esta auto-promoção realizada pelos organizadores", disse Maria Joana de Almeida, que mora no Rio e foi ao festival com algumas amigas que estudam cinema, referindo-se ao fato de Paulo Cesar Saraceni ser o marido de Ana Maria Nascimento, e Sérgio Saraceni cunhado dela. Mesmo o diferencial do Festival, a abrangência de todas as bitolas, foi questionado. "No final das contas, a gigantesca maioria dos premiados foi para filmes em 35mm. Então porque houve esta abertura de bitolas? Perdeu-se a oportunidade de criar novos critérios de premiação, como, por exemplo, dar um prêmio para uma melhor fotografia feita em DV", disse um espectador que preferiu ficar anônimo. Por Christian Caselli, christiancaselli@bol.com.br


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