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Pontos de Cultura e Programadora Brasil remando na mesma direção

Por Guilherme Whitaker em 03/08/2007 12:33


Pontos de Cultura e Programadora Brasil
remando na mesma direção


União lança base para o fortalecimento dos circuitos não comerciais de difusão pública a fim de democratizar o acesso ao patrimônio audiovisual brasileiro, formando público com pensamento crítico.

A Programadora Brasil (veja site em www.programadorabrasil.org.br), iniciativa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura
(SAV), da Cinemateca Brasileira (por meio da Associação Amigos da Cinemateca) e do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), selecionou 126 títulos das últimas nove décadas e os compilou em 38 DVDs (ou "programas"). Os programas são distribuídos para o circuito não-comercial de exibição, especialmente para Pontos de Cultura, cineclubes, instituições escolares da rede pública e privada e outras entidades civis sem fins lucrativos, como o Cinusp Paulo Emílio, da Universidade de São Paulo, que exibe filmes da distribuidora desde o começo de julho. Em comum, o fato das obras serem todas nacionais, algumas históricas, outras em distribuição por diferentes empresas, mas todas fora do grande circuito, relegadas a especialistas ou às estantes.

Frederico Cardoso, coordenador geral do projeto, declara em vídeo na TV Cultura Viva (conheça em www.teia2007.com.br/noticias/6340134), que acredita na íntima relação entre os Pontos de Cultura e a Programadora Brasil. Já que o projeto nasce com a vocação de disseminar conteúdos que estariam abandonados em prateleiras, nada melhor do que contar com
a abrangência do Programa Cultura Viva. "Os Pontos de Cultura estão espalhados pelo Brasil todo, a programadora quer cobrir todo o
território" – constata Frederico.

O projeto foi concebido com triplo objetivo de servir de base para fortalecer os circuitos não comerciais de difusão pública, a fim de democratizar o acesso ao patrimônio audiovisual brasileiro, para formar público de cinema brasileiro e para fomentar o pensamento crítico em torno da produção nacional.

Para Frederico Cardoso, em coversa com esta reportagem, "os brasileiros passaram a conhecer cada vez menos seu audiovisual, fora o televisivo, muito por conta do desaparecimento das salas de cinema dos municípios fora das capitais e das salas de rua das grandes capitais. Ficamos com ingressos caros nas capitais e sem janelas de exibição no interior. Com a tecnologia digital, as salas alternativas já pipocam por aí. Faltava organização de acervo e sua disponibilização, além do fortalecimento das salas alternativas como circuito, de maneira que haja diálogo e interação".

Para instituir este circuito, o projeto conta com um vultuoso investimento, de R$ 1,2 milhão para as fases de implantação e lançamento, e um orçamento previsto de R$ 1,5 milhão para 2007, geridos por um Conselho Deliberativo, do qual participam Orlando
Senna, Secretário do Audiovisual do MINC, (leia entrevista em http://www.teia2007.com.br/noticias/6340136), Leopoldo Nunes, diretorda Ancine, José Araripe, diretor do CTAv, Carlos Magalhães, da Cinemateca Brasileira e Cardoso que é responsável também pela gestão executiva.

Pesam, por sua vez, além da pressão para estabelecer uma rede nacional de cineclubes que sustente a distribuição de filmes, dentro ou fora do projeto, o objetivo de ampliar o acervo com lançamentos regulares de novos programas e os conseqüentes investimentos em recuperação de filmes, crítica e divulgação. Para tal, o programa estabelece uma taxa, que inclui R$ 4 para o projeto, R$ 6 em direitos autorais e o custo de envio dos DVDs, variando de acordo com a quantidade de programas encomendados e em negociação com os Correios. Os 38 DVDs saem em torno de R$ 600, e o caráter da licença é temporário, de dois anos, após o que os DVDs devem ser devolvidos.

O projeto garante os direitos autorais previstos na Lei 9.610/98, como forma ainda de evitar a cessão a terceiros, a cópia ou a duplicação dos programas, a exibição em circuitos comerciais e a cobrança de ingressos.

Qual cinema brasileiro?
Os filmes na programação, por sua vez, obedeceram a critérios variados, escolhidos por uma equipe de curadoria. "Há filmes para
todos os gostos e a linha é essa, por mais que pareça solto demais. Não o é. A equipe de curadoria é formada por profissionais que atuam no setor audiovisual como críticos, realizadores, pesquisadores, de diferentes regiões do país, respeitando uma orientação de política pública do Ministério da Cultura". Entre os títulos indicados pela curadoria, há exemplares da cinematografia brasileira de todas as épocas, em todos os formatos, bitolas e gêneros e de todas as regiões do país.

O projeto prevê ainda mais três etapas de lançamentos, com um total de cerca de 250 títulos. As três seleções estarão sob coordenação de Francisco César Filho. O planejamento é para, em breve, alentar mais de 500 filmes que até três meses atrás estavam parados nas prateleiras.

"É surpreendente ver a riqueza que existe, em todos os suportes, em nossos filmes. Agora vamos trazer também algumas coisas em Super 8, como Edgar Navarro, e em Videoarte, desde a geração de 1970. Pretendemos incluir todas as bitolas, nosso sonho é ter até
Trapalhões, pois é preciso ter o popular, o culto, o clássico e o comercial", explica Nunes. De acordo com o representante da Ancine, várias distribuidoras tem contribuído para o projeto, com filmes que ainda estão em seu catálogo, como a Videofilmes, que cedeu os direitos de Terra Estrangeira para o projeto. O próprio Nunes "cutuca" um pouco mais, em busca da importância do projeto para a memória cinematográfica nacional: "Estas obras estavam paradas, encostadas. Se outras mídias se interessarem em divulgá-las, serão muito bem-vindas. Se outros se propuserem a fazer um trabalho semelhante, é muito bom. A gente quer mostrar que isso é viável, e que nosso cinema não pode ficar enterrado, sem ninguém saber que ele existe".

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