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Por dentro da VI Mostra de Cinema Super8 de Campinas

Por Guilherme Whitaker em 05/11/2004 10:48


 

Por dentro da VI Mostra de Cinema Super8 de Campinas
Autor: Francisco Serra


 

Rio, sexta-feira, 30 de novembro de 2001, dez e meia da manhã, empacotado no trânsito carioca durante pré-produção de um novo super8, Psicose... Às 11 deveria estar na rodoviária Novo Rio pra pegar ônibus Rio-Sampa e de lá pra Campinas, com horário cronometrado pra chegar às 17h, sem contar engarrafamento marginal Tietê. Chego minutos antes da sessão das 8 (!?) da noite na VI Mostra de Cinema Super8 de Campinas, no Centro Cultural Evolução. Fui convidado pelos organizadores para ir, assistir, discutir os filmes e trocar experiências no campo da guerrilha cultural que é o cinema independente. Lucas Vega, organizador das 6 edições da Mostra de Campinas, me advertiu, “a mostra não tem grana, mas você pode ficar na casa de um dos realizadores”, comunhão cultural. Praticamente sem grana pra hospedagem e com duas passagens Rio-SP-Rio, fui e gostei do que vi.

A VI Mostra Super8, organizada por Lucas Vega, Alessandra Brum e Rodrigo Falcon, agitadores do cinema do espaço Evolução, apresentou 33 filmes de 10 cidades brasileiras produzidos e/ou finalizados em 2000/2001. Agitação cultural super8: TV , jornal, divulgação boca-a-boca, a mostra se articulava de certa forma com a programação itinerante Marginália 70: O Experimentalismo no Super8 Brasileiro, que iniciou-se esta semana (3 a 7 de dezembro) na cidade, com obras visuais em 8mm de artistas como Helio Oiticica e Lygia Pape, entre outros.

No Domingo, a Mostra Super 8 exibiu na Praça Antônio Pompeo os 5 melhores filmes eleitos pelo júri popular. Guilherme “Kid” Fogagnoli, diretor de Fogo no Pavio, melhor filme pelo júri, discursou sobre seu filme e a necessidade da cidade despertar para os problemas dos crimes políticulturais. Fogo..., é um curta musical com música homônima do rapper braziliense Gog, apresentando algo além da linguagem pop -alien dos clips da MTV. É uma história de “uma família real com problemas reais”, segundo “Kid”. Filmado em S. José, o bairro mais violento de Campinas, apresenta uma espécie de neorealismo brasileiro, principalmente nos planos da favela, com moradores locais. Fluxo , de Renata Timm (Porto Alegre) é uma colagem de imagens de filmes e desenhos infantis, com animação direta na película, no melhor estilo Norman McLaren. É sobretudo um filme sincero, como diz o título, nada mais que fluxaudiovisual. O bem humorado Mudança de Estratégia, de William Hinestrosa (SP), trata de uma produtora de cinema viciada em tabaco, que segue sugestões de amigos e muda seu vício do cigarro para uma droga anti-tabagista. Produção bem- humorada e com uma elaborada direção de atores. A Rosa, de BH, direção coletiva, é uma metáfora poética sobre um ser com fome de poesia. Filhos de Adão, também de BH, de Afonso Nunes, aborda um triângulo amoroso em devaneios surrealistas. Lúcifer (SP) de Patrícia Moran, é a leitura fílmica de um poema homônimo do poeta Chacal, que traz também cinepoesia metafórica : A única via é a marginal. Socorro, eu não quero morrer virgem, (Andy Cumming, Ribeirão Preto) é super8 experimental baseado numa estética carnavalesca e com trilha sonora eletrônica. O Piracicabano (Piracicaba), direção Thiago Altafini(!????!!!) é a surpresa documental: filme antiguíssimo reestaurado com locução de documentário dos tempos de ditadura, comemorando os 119 anos de uma escola que dá título ao filme(?!!). Dos filmes cariocas, Breve, de Pedro Bronz, bem recebido pelo público, surge como uma epopéia anarco-tropicalista com final carnavalesco, Superoyto, 2o melhor filme segundo o júri popular , realizado pelo autor deste artigo, trata da marginalização de um artista de um ponto de vista lisérgico/sociológico e Ctrl + c Ctrl + v do Kûarasy O-Berab, foi considerado por um espectador não identificado como uma obra de autores visionários, pois o sentido ou mensagem do filme será por muitos anos desconhecida.

A Mostra abrangeu este ano filmes finalizados em super8 e em vídeo, o que significou um maior número de trabalhos inscritos. Mas sua maior importância foi a difusão pública de produções independentes, na medida em que foram apresentadoos todos os filmes inscritos , sem preconceitos técnico-artísticos, sem seleções subjetivas., a excessão de 5 filmes de Bia Werther, que foram enviados mas não chegaram em tempo, o que causou uma programação cancelada.

A necessidade do cinema alternativo não se faz num único formato , não, se faz na agitação cinematográfica, se produzindo nos meios possíveis, segundo Fernando Lammana, um dos diretores presentes. Ainda estou certo de que o cinema pode revolucionar, transgredir, não na via paralela, mas na transversal...ou segundo o filme Lúcifer, A única via é a marginal...

Melhores filmes pelo júri popular:

1 - Fogo no Pavio,

2 - Superoyto,

3 - A Rosa,

4 - Fluxo ...

(Finalizados em vídeo),

1- Mudança de Estratégia,

2- Impressões de um olhar,

3 - Filhos de Adão...

(Finalizados em Super8).


Francisco Serra, chicoserra@zipmail.com.br.


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