Programa Rumos de Cinema e Vídeo contempla 15 projetos documentais ::  | Curta o Curta

Programa Rumos de Cinema e Vídeo contempla 15 projetos documentais

Por Guilherme Whitaker em 05/07/2001 13:19


Programa Rumos de Cinema e Vídeo contempla
15 projetos documentais
Sete estados estão representados - Apoio às produções varia de 8 a 100 mil reais


(textos oficiais do evento)

Foi anunciada nesta terça-feira, 3 de julho, a lista dos projetos selecionados na terceira edição do programa Rumos Itaú Cultural Cinema e Vídeo – Apoio à Produção Audiovisual. As 15 propostas contempladas representam sete Estados – Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. São curtas, médias e longas-metragens que tratam de temáticas como a vida nas prisões paulistas, a arte de sambistas cariocas, o imaginário de moradores no interior de Minas, o cotidiano de mulheres indígenas no Amapá, o desenvolvimento de um trabalho artístico de vanguarda em Belo Horizonte e ritos de possessão em Brasília.

Neste ano, o programa recebeu um número recorde de inscrições. Foram 540 projetos de 18 estados brasileiros. A categoria Produção foi a mais requisitada (306 inscrições, ou 57% do total de inscritos). Mais detalhes sobre percentual e características das inscrições estão no boletim de imprensa Mídia 94, de 18 de junho, e podem ser acessados na Sala de Imprensa do Itaú Cultural Virtual (http://web.archive.org/web/20040329072850/http://www.itaucultural.org.br/imprensa, clicando em Brasil/Cinema).

O programa, criado em 1998, apóia a produção de documentários com temas relacionados a arte e cultura brasileiras, em três modalidades: Desenvolvimento de Projetos (apoio à pesquisa e formatação, no valor de até R$ 15 mil); Produção (realização, até R$ 100 mil); e Jovens Realizadores (para diretores com até 25 anos de idade, até R$ 8 mil).

Os projetos selecionados para produção foram Brasil 500 Séculos? (Marcos Jorge, PR), Me Erra! (Paola Barreto & Márcia Derraik, RJ), Na Garupa de Deus (Rogério Corrêa, SP), Nasceu o Bebê Diabo em São Paulo (Renata Druck, SP), O Prisioneiro da Grade de Ferro (Paulo Sacramento, SP) e 33 (Kiko Goifman, SP).

Na modalidade Desenvolvimento de Projeto, os contemplados foram Eu Vou de Volta (Camilo Santos Cavalcante, PE), Jardelina da Silva e Sua Assinatura do Mundo (Cristiane Mesquita, SP), Linha de Organdi (Glauber Filho, CE) e Tão Longe, Tão Perto (Inês Cardoso, SP).

Os escolhidos na categoria Jovens Realizadores foram E Agora, José? (Maya Da-Rin, RJ), Encomenda Ao Ganso (Pablo Lobato, MG), Outras Amazonas (Marina Weis, SP), Roda de Bamba (Ilana Feldman & Guilherme Coelho, RJ) e Tranca Abre (Paula de Siqueira Lopes & Ricardo Calaça, DF).

Os projetos inscritos foram analisados por uma comissão julgadora formada pelos cineastas Bruno Vianna (diretor do curta Geraldo Voador, RJ) e Francisco Cesar Filho (do documentário Rota ABC, SP) e pelos programadores Paulo Biscaia (Cinemateca de Curitiba), Alexandre Veras (Espaço Alpendre, Fortaleza) e Roberto Moreira Cruz (Itaú Cultural Belo Horizonte). A assinatura dos contratos com os realizadores dos projetos está prevista para 30 de julho.


SOBRE OS PROJETOS CONTEMPLADOS

Modalidade Produção
33, do mineiro radicado em São Paulo Kiko Goifman, é um documentário road-movie com dois núcleos temáticos centrais: no primeiro, o diretor procura sua mãe biológica que não conhece (Goifman é filho adotivo); no segundo, promove um mergulho no universo dos detetives profissionais. Deduções, técnicas e manias dos detetives estão presentes neste projeto necessariamente em aberto no qual a mãe biológica pode ou não ser encontrada. Autor de premiados documentários, como Teresa, Goifman produz atualmente o longa-metragem Morte Densa (co-dirigido com Jurandir Müller).

Brasil 500 Séculos?, do paranaense Marcos Jorge, utiliza modernos recursos de computação gráfica digital para discutir as conclusões mais recentes no que se refere aos vestígios visuais dos brasileiros. O projeto aborda ainda os limites entre a arte e a ciência na interpretação da sociedade brasileira, investigada desde suas origens rupestres até sua expressão contemporânea, como as pixações urbanas.

Na Garupa de Deus, do gaúcho radicado em São Paulo Rogério Corrêa, é uma reflexão sobre a vida urbana a partir do perfil das pessoas que tiram da motocicleta sua sobrevivência: os motoboys. Arriscando a vida no trânsito caótico, para atender à demanda dos habitantes estressados, muitos desses garotos gostam da sensação de perigo e aventura que dá desafiar a morte. Atual assessor de cinema e vídeo da Prefeitura de Santo André, Rogério Corrêa é diretor de curtas como Ícaro e Negra Noite.

Me Erra!, jargão usado pelos boxeadores da Academia Nobre Arte, que funciona há 12 anos no Morro do Cantagalo, na cidade do Rio de Janeiro, – uma pioneira iniciativa de boxe amador e trabalho comunitário – é o título do projeto dos cariocas Márcia Derraik e Paola Barreto. O documentário acompanha a rotina dos pugilistas nascidos e criados naquela favela e mostra de que maneira o boxe se insere em suas vidas, revelando assim aspectos da comunidade.

Nasceu o Bebê Diabo em São Paulo, da paulista Renata Druck (autora de curtas experimentais como Bom Para Você), investiga o significado de três lendas urbanas paulistas: o Bebê Diabo, a Loira Fantasma e o Bando do Palhaço. Originadas em boatos, foram noticiadas pelo extinto jornal Notícias Populares, tendo sua repercussão ampliada significativamente. Na busca da origem de cada uma dessas lendas, o documentário revela um universo onde fantasia e realidade se confundem.

O Prisioneiro da Grade de Ferro, do paulista Paulo Sacramento, é um longa-metragem que retrata a realidade do sistema carcerário brasileiro, a partir de um curso de vídeo para detentos realizado na Casa de Detenção (do Complexo do Carandirú), a maior prisão existente na América Latina. Sacramento é montador (Causa Secreta, Tônica Dominante e curtas de José Roberto Torero) e diretor de polêmicos curtas como Ave e Juvenília.


Modalidade Desenvolvimento de Projeto
Eu Vou de Volta, do pernambucano Camilo Santos Cavalcante (do curta O Velho, O Mar e O Lago), é longa-metragem sobre o regresso de migrantes nordestinos à terra de origem. O realizador acompanha uma viagem de ônibus comum partindo do terminal rodoviário do Tietê em São Paulo até a pequena rodoviária de Arcoverde, na beira do Sertão de Pernambuco. São registrados os tipos humanos, os percalços da viagem, as expectativas e a reintegração com a terra natal.
Jardelina Silva e Sua Assinatura do Mundo, da mineira radicada em São Paulo Cristiane Mesquita, é uma investigação sobre a potência expressiva do vestuário através das radicais manifestações da ex-costureira Jardelina dos Santos que, aos 71 anos de idade, há mais de dez anos vem transformando sua biografia em roupas na cidade de Boa Vista do Paraíso (PR). As perforemances vestíveis de Jardelina acabam por interferir na vida da pequena cidade.

Linhas de Organdi, do cearense Glauber Filho (diretor do longa Oropa, França e Bahia, de 1999), visita a localidade Córrego dos Fernandes, no município de Aracati (CE), onde exite um grupo de 12 rendeiras, de várias gerações, que ainda conservam as tradições de seus antepassados. A peculiaridade é que a renda ali é feita de linhas de organdi, um derivado do algodão. Chama atenção o fato de que a presteza do ponto e o reflexo da alvura do organdi provoca com o temnpo a cegueira progressiva dessas mulheres.

Tão Longe, Tão Perto, da paulista Inês Cardoso (Desir Noir e Privacy Invasion, entre outros títulos), aborda o trajeto ferroviário entre Crato (PE) e Maceió (AL), rota construída pelos ingleses no início do século 20. O trabalho da premiada videomaker pretende observar o tempo do percurso, dos lugarejos criados ao longo da linha férrea e seus habitantes, captando as formas fragmentadas, as arquiteturas correspondentes a um nomadismo, e ainda guardando um caráter de instabilidade de seus protagonistas.


Modalidade Jovens Realizadores
E Agora, José?, da carioca Maya Da-Rin (22 anos) - filha dos cineastas Sandra Werneck e Sílvio Da-Rin, é um mergulho em uma região do interior do estado de Minas Gerais que só recentemente começa a sofer influências externas mais marcantes e onde a realizadora revela o linguajar próprio, a vocação filosófica e a particular visão de mundo de seus habitantes.

Encomenda ao Ganso é projeto do mineiro Pablo Lobato (24 anos), um dos realizadores do documentário Mira, selecionado para o festival de documentários É Tudo Verdade 2001. O cineasta faz uma proposta ao artista plástico underground Paulo Pessoa, conhecido em Belo Horizonte como Ganso, para que este crie uma obra com três espaços vazios e passa a acompanhar o processo criativo a partir daí desencadeado.

Outras Amazonas, da paulista Marina Weis (23 anos), é uma investigação sobre o que pensam as mulheres da área indígena dos Waiãpis, no Acre. O documentário propõe uma aproximação com o mundo íntimo dessas mulheres, com idades entre 15 e 70 anos, registrando seu cotidiano entre a floresta e a cidade de Macapá.

Roda de Bamba é assinado pelos cariocas Ilana Feldman (22 anos) e Guilherme Coelho (21) e registra duas rodas de samba formadas por compositores, músicos e intérpretes do Rio de Janeiro, que irão expor e compartilhar seus causos e imaginário. Deverão participar do documentário nomes ligados ao samba de raiz carioca, como Seu Jair do Cavaquinho, Surica, Walter Alfaiate, Paulão da Portela e Alfredinho. Roda de Bamba tem apoio da Universidade de Stanford (EUA).

Tranca Abre é um documentário sobre a possessão religiosa em Brasília. Segundo os realizadores brasilienses Paula de Siqueira Lopes e Ricardo Calaça, "existem milhares de brasileiros que entram em transe regularmente". O projeto propõe acompanhar a trajetória de vida de integrantes de cultos umbadistas, neo-pentencostais e do Vale do Amanhecer.

Comente aqui...


Você precisa digitar algo na caixa de texto.
Não foi possível enviar seu comentário.
Informe um e-mail válido.
Você precisa informar um nome.
Você precisa digitar algo na caixa de texto.

Jornal do Curta


[confira outras notícias]