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Rafael Conde

Por Guilherme Whitaker em 08/11/2004 16:16


Rafael Conde, cineasta das Minas Gerais, fala do fazer filmes


RAFAEL CONDE é mestre em Artes / Cinema pela Universidade de São Paulo. Além de diretor e produtor independente, é Professor de Cinema da Escola de Belas Artes da UFMG. Entre seus trabalhos em cinema destacam-se o longa SAMBA-CANÇÃO (Longa-metragem em fase de lançamento) e os filmes UAKTI - OFICINA INSTRUMENTAL (melhor filme e melhor montagem no 15o. Festival de Gramado,1987), MUSIKA (melhor direção no 22o. Festival de Brasília,1989), O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA (melhor direção, melhor roteiro e melhor ator (Ezequias Marques) na categoria média-metragem no 29o. Festival de Brasília, 1996), A HORA VAGABUNDA e FRANÇOISE. Todos os filmes participaram de diversos festivais de cinema no Brasil, tendo sido comercializados para diversos canais de televisão do mundo, como Nippon TV, Canal Plus da França, TV Espanhola, TV Cultura de São Paulo, Globosat, entre outros. Os trabalhos foram exibidos em festivais e mostras nos EUA, Holanda, França, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Argentina, Cuba, entre outros.


Curta o Curta - Por que voce faz cinema?

Rafael Conde - Para viver, me expressar, dialogar com o mundo. Sempre tive uma enorme vontade de contar histórias com imagens.

Curta o Curta - Por que no Brasil não se valoriza a exibição de longas nacionais? O que seria preciso para mudar este panorama?

Rafael Conde - Boa pergunta. Acho que o caminho é procurar circuitos alternativos como o universitário, secundarista e algumas salas com perfil segmentado também. A questão é complexa. Apesar das dificuldades do SAMBA-CANÇÃO, estou mais concentrado em fazer bons filmes. É um caminho.

CC - Samba Canção, seu primeiro longa, conta a história das dificuldades de um realizador em conseguir realizar seu primeiro filme. Até que ponto as suas dificuldades em realizá-lo confundem-se com as do realizador de seu filme?

RC - As dificuldades são comuns a todos nós realizadores brasileiros. Centrado no humor da chancada e na liberdade do cinema marginal.

CC - Apesar de ser um filmes com um apelo popular, o filme ainda não tem data de distribuição marcada. Como você vê os problemas de distribuição do filme e do cinema brasileiro?

RC -Já estou preparando SAMBA-CANÇÃO II – A Distribuição. A distribuição é um dos maiores problemas do cinema independente do mundo todo. Meu filme é um filme de baixo orçamento voltado para um público jovem e que gosta de cinema brasileiro. Depois de circular em festivais e mostras, estou estudando um esquema de exibição alternativo para ele.

CC - François, seu último curta, é um filme de produção simples, grande parte passado num corredor de uma estação rodoviária. No entanto, centra-se no trabalho dos atores, especialmente na performance da Debora Falabella. Você concorda q Françoise é um filme essencialmente centrado no papel dos atores? Como foi a preparação dos atores para o filme?

RC - Sim. Estava particularmente interessado no texto e nos atores. Pensei todo o trabalho de câmera e som para privilegiar o ator . A câmera vai se aproximando à medida que ficamos curiosos para conhecer aqueles estranhos. Da mesma forma, os ruídos do ambiente vão desaparecendo até o clímax do diálogo. A ênfase pode ser dada aos atores por causa da simplicidade da produção, 80% estúdio e o resto na locação da rodoviária. Assim pude ter uma captação de som melhor e mais tempo para os atores. Chamo atenção também para o trabalho do Fernando Ernesto como “o viajante”. Carlão Reichenbach gostou muito dele e comentou que o papel mais difícil é o dele. Calado, com as intenções só no olhar e nos gestos. (ganhou melhor ator em Brasília também). 

CC - Voce é professor de cinema em minas, como estão as produções audiovisuais por aí?

RC - Sinto que estamos num momento muito bom para produzir aqui. A vontade de fazer da moçada é grande e com a tecnologia digital o caminho ficou mais fácil. Não há como ignorar o trabalho da Associação Curta Minas, nossa ABD, que tem batalhado bastante para uma política consistente para o setor.

CC - Quais os filmes que mais te marcaram?

RC - Seria difícil listá-los. São muitos. Gosto do cinema novo, cinema marginal, cinema independente americano, Godard. Gostei muito do Lavoura Arcaica...

CC - Quais seus planos audiovisuais para 2003?

RC - Além da exibição do SAMBA, estou finalizando o meu curta RUA DA AMARGURA, preparando dois roteiros de longa, um deles com apoio do Festival de Rotterdam. Estou pensando em fazer outro curta no segundo semestre, vamos ver...


Rafael Conde: filmegraph@uol.com.br


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