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Recife dá show e firma-se como o melhor festival nordestino

Por Guilherme Whitaker em 08/05/2001 12:17


Recife dá show e firma-se como o melhor festival nordestino
e o mais popular do Brasil

25 mil pessoas comparecem e Manifesto do Recife é aplaudido de pé


Recife é cada vez mais o festival de cinema mais popular do Brasil. Não que seja o de maior público, a questão aqui não é numérica mas qualitativa. O público de Recife responde muito mais viva e emocionalmente aos filmes do que em outros festivais famosos por serem internacionais ou por ficarem longe do nordeste. Dizem que em Brasília a coisa, o público, é bem semelhante ao recifense, com a diferença de que em Pernambuco algumas sessões são assistidas por mais de 3 mil pessoas, no belíssimo Cine-teatro Guararapes, façanha esta que nem Brasília nem qualquer outro festival brasileiro tem, sem esquecer as praias, Olinda, o tempero da comida local...

Em Recife a reação do público ocorre de forma correta (vaindo ou aplaudindo ou rindo ou chorando com um filme...), de forma errada (falando ao celular ou conversando alto durante uma sessão...) ou apenas estranhamente (aplaudindo tudo, mesmo traillers...), o que é no mínimo engraçado.

Além da impecável organização do evento em geral, a BMK produções está de parabéns por exibir filmes na praia gratuitamente, por realizar oficinas e seminários diversos, por agendar coletivas de imprensa com os realizadores de curta-metragem, por pagar transporte, hospedagem e alimentação aos convidados (sejam diretores, artistas e/ou jornalistas) e por estimular encontros nacionais como os do GEDIC, do Congresso Brasileiro de Cinema e do Fórum dos Festivais, realizados durante o evento. Ao custo de R$1.300.000,00 o evento fez muito mais do que outros festivais mais caros e com mais fama, recebendo um público total de 25 mil pessoas em seus 10 dias de festa e reflexão.

Durante o festival, que teve como tema ´Cinema Brasileiro - Uma Arte de Raça`, foi criado o Manifesto do Recife, carta que pede maior participação de artistas negros na produção cultural brasileira e que conta com total apoio do Curta o Curta.

Um grande elenco de estrelas (globais ou não) esteve presente no Festival, que aconteceu de 24 de abril a 01 de maio: Rodrigo Santoro , Ana Paula Arósio, Selton Melo, José Mayer, Tony Ramos, Marcos Palmeira, Silvia Buarque de Holanda, Dira Paes , Milton Gonçalves, Vladimir Carvalho, Roberto Bomtempo, Antônio Pitanga, Bené e muitos outros diretores, produtores, artistas e técnicos.

Por tudo isso e muito mais Recife hospeda o melhor festival de cinema do Nordeste e um dos mais bem organizados do Brasil. Lançar ou exibir um filme de curta ou longa duração em Recife é, antes de mais nada, uma grande emoção e, como tal, envolve riscos que, obviamente, nem todos assumem ou conseguem lidar com facilidade.

É também muito positivo o fato do festival prestigiar, com exibição e premiação, filmes feitos em 16mm, tanto na categoria ficção como em documentário. O lado negativo fica para o fato de muitos filmes em 35mm terem ficado de fora da seleção, talvez para que as grades competivivas de cada bitola ficasse com um tempo certo.Uma singela sugestão aqui oferecida é que se façam mostras ou troféus específicos para esta produção local e para os filmes ainda inéditos em outros festivais, para que filmes ´estrangeiros` não sejam prejudicados e para que os filmes exibidos sejam de fato os melhores filmes brasileiros em cada formato.


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