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Sabedoria popular no CurtaDoc no Sesc TV

Por Guilherme Whitaker em 22/01/2010 12:18


Com o título Saberes Populares, os documentários selecionados para o CurtaDoc desta semana fazem um registro da ciência, dos costumes e das linguagens peculiares de três comunidades. Cada diretor examina, a seu modo, os efeitos de uma planta alucinógena, a sabedoria de profetas do clima e a vida de uma tribo que recupera o seu idioma original. O programa vai ao ar para todo o Brasil na terça-feira 26, às 21 horas, no SESCTV, com reapresentações até domingo.

Para comentar os filmes, a convidada é a professora de cinema Cláudia Mesquita da Universidade Federal de Santa Catarina, que avalia como o documentário tradicionalmente faz o papel de abordar o desconhecido. "A história do documentário tem muita relação com o interesse em registrar de alguma forma, capturar através do cinema, hábitos, aspectos, formas de vida estranhas e exóticas", diz a mediadora.

A Figueira do Inferno (2004), da produtora Telephone Colorido e distribuido pela Curta o Curta, é rodado no Nordeste brasileiro e faz uma anotação bem-humorada dos efeitos da Trombeta, Datura, Erva-do-diabo, Saia-branca, Copo-de-leite e da Zabumba, inúmeras nomenclaturas para a protagonista do documentário - a Figueira do Inferno. Trata-se de uma planta com propriedades altamente alucinógenas e também perigosas.

Em seguida é exibido Profetas da Chuva e da Esperança (2007), de Marcia Paraíso. Os protagonistas são os homens do sertão do Ceará capazes de prever o comportamento do clima. As previsões do tempo são feitas segundo a experiência de cada um dos personagens em observar e reconhecer os sinais da natureza. Os profetas não dizem somente se a chuva vai chegar - um alento no sertão -, mas também buscam na própria caatinga os remédios naturais para o tratamento das dores e doenças.

Em entrevista ao programa, a diretora Marcia Paraíso diz que o Brasil tem uma visão equivocada e desconhece o bioma da caatinga, que é o bioma do sertão. "A gente tem aquela referência de um lugar miserável, onde as pessoas morrem de fome, e não é bem assim. O sertão é muito rico. Há uma riqueza de biodiversidade pouco explorada. Há uma fauna grande no sertão. Eu quis retratar este sertão desconhecido, bonito, plástico".

Já o filme Uma escola Hunikui (2008), do projeto Vídeo nas Aldeais, com direcção de Vicent Carelli, Ernesto Ignacio de Carvalho, Zezinho Yube e Mari Côrrea, retrata uma escola indígena no Estado do Acre. Na primeira metade do século 20, quando os Hunikui trabalhavam nos seringais, eram proibidos de falar sua língua e de praticar suas festas. Somente a partir dos anos 60 e 70, quando antropólogos começaram a estudar a cultura Hunikui é que eles passaram a ser respeitados. Atualmente, os professores indígenas estão trabalhando para revitalizar a própria cultura.

A primeira etapa do CurtaDoc vai ao ar até julho, sempre com programas inéditos. Realizado pelo SESCTV com produção da Contraponto, o programa está exibindo 125 documentários selecionados de 520 filmes inscritos em www.curtadoc.tv. As inscrições continuam e o site será transformado em um banco de dados do documentário brasileiro em curta-metragem.

 

 

O QUÊ: Programa CurtaDoc

EPISÓDIO 14: Saberes Populares

QUANDO: 26 de janeiro, terça-feira, 21 horas.

REPRISES: quarta (27) à 1h e às 15h; quinta (28) às 9h; sábado (30) às 22h; e domingo (31) às 19h.

ONDE: SESCTV, canal 3 da Sky em todo o Brasil.

Outras operadoras, consulte: www.sesctv.org.br

 


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