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Sessão com destaques da Mostra do Filme Livre no Festival de Londrina

Por Guilherme Whitaker em 29/10/2007 19:50


Sessão com destaques da Mostra do Filme Livre

no Festival de Londrina


Dentro da proposta de chegar ao maior número possível de pessoas, a MFL fará uma sessão especial no Festival de Londrina, com alguns de seus curtas indicados aos prêmios na edição 2007.

A sessão em Londrina será no sábado, dia 3 as 18h, no Cine Com Tour - UEL, com os seguintes filmes:

Filmes da sessão da MFL em Londrina
(total da sessão: 57 minutos)

Estertor, de Diogo Dias de Andrade, Davi Moori e Victor Reis
SP | 2006 | 15’ | Mini-DV/Betacam
ESTE CURIOSO FILME talvez seja um dos mais sui generis surgidos nos festivais de 2006. É uma tarefa ingrata definir seu gênero (o que é ótimo), já que ele mistura, sem a menor cerimônia, o documental, ficção, surrealismo, misticismo, linguagem institucional de TV a cabo, “discussão de relação”, ciência, etc. E sem ser considerado experimental. Apesar dessa mistureba toda, Estertor consegue ter uma coesão orgânica estranhamente peculiar, já que entretém sem contar uma história específica, digo, com começo-meio-e-fim, não tendo nem ao menos um final mais conclusivo. Não temos a menor idéia do que aconteceu, no fim das coisas, com o “homem sem pulmão”. Aliás, o personagem do filme é chamado com esta alcunha pela falsa TV francesa que seus realizadores inventaram. Vê se pode: um “homem sem pulmão”. E muitos espectadores saem do cinema achando que viram um documentário. Mais um ponto pros diretores, que ainda são estudantes da Cásper Líbero (SP). (texto de CHRISTIAN CASELLI)

Eu Sou Como o Polvo, de Sávio Leite
MG | 2006 | 4’ | DVD
PARA QUEM ainda não sabe, Lourenço Mutarelli é um dos principais artistas brasileiros vivos. Primeiramente, destacou-se nos quadrinhos underground, sendo contemporâneo de gente como Angeli, Laerte, Glauco etc. Ao contrário destes, no entanto, não teve o reconhecimento imediato, talvez devido à sua seriedade e aos temas mórbidos que costuma tratar. Porém, seu traço cruel - uma espécie de Expressionismo da era do Grafite - aliado a histórias onde o grotesco toca quase literalmente em chagas do cotidiano, começou a lhe render prêmios e mais prêmios, além de uma guinada para a literatura. A ponto de já ter um livro adaptado para o longa-metragem, o excelente O Cheiro do Ralo, onde, para a surpresa de todos, revelou-se até mesmo um bom ator, fazendo papel de segurança (detalhe: Mutarelli é franzino, baixinho e careca). Retratar um personagem como Mutarelli já é meio caminho andado para tornar qualquer documentário, no mínimo, interessante. Mas o mineiro Sávio Leite teve a sacação de deixar seu filme à altura do seu “personagem”. Valendo-se de um recurso usado por Henri-Georges Clouzot, no filme O Mistério Picasso, Eu sou como o Polvo utiliza um plano-seqüência em alta velocidade, mostrando o próprio Mutarelli desenhando dois bizarros auto-retratos. Em off, um texto autobiográfico lido pelo próprio artista, de onde desabafa seu passado complicado e o quanto o desenho foi a sua salvação. Daí o título do curta, já que o polvo se vale da tinta para se esconder. (texto de CHRISTIAN CASELLI)

Sal Grosso, de André Amparo e Ana Cristina Murta.
RJ | 2006 | 6’ | Mini-DV/DVD
QUE TEM A ver churrasco na laje com a filosofia de Heidegger ? Este curta de André Amparo e Ana Cristina Murte mostra que tem tudo a ver... Filmes (Vídeos) como este provam que o cinema não acabou com a literatura, e que no final, só os artistas mandarão. Nada mais prosaico que um churrasquinho na laje. Marido, mulher, sogro (?), assando uma carne num domingo cinzento. Qual a filosofia mais apropriada para um encontro tão ordinário? Comentários sobre as manchetes do jornal O Dia, Extra, O Povo ou o pensamento de Nietzsche? A filosofia sônica de Jorge Mautner e ao fundo um piano...Depois deste filme, você nunca irá num churrasco como antes...
(texto de CHICO SERRA)

Freqüência Hanói, de Daniel Lisboa e Diego Lisboa.
BA | 2006 | 9’ | Mini-DV/DVD
COMO EM A Sentinela (prêmio Oficinando da MFL de 2006), porém com um presidiário (lá era uma mulher presa), o curta narra, via celular, um pouco dos porquês da presença deste homem numa cadeia de Salvador. Aos poucos, vamos conhecendo mais sobre os motivos de sua prisão - não do fato que o prendeu, mas dos atos que fizeram com que, tão jovem, chegasse ali. As imagens não têm relação direta com o que se diz, permitindo associações diversas, tornando o filme um incessante mistério sobre o que virá a seguir. Ruídos variados, imagens em movimento mostrando um céu azul entrecortado por fios, cabos e postes que jamais denunciam onde estão. “Pra não ter que matar meu pai, tive que sair de casa e enfrentar o mundo...” De origem indígena, o protagonista despeja quilos de sabedoria popular que ajudam a entender os motivos de sua revolta: “o povo é governado e não orientado; apanhei muito, ao ponto de pedir pra morrer... levei tiro... o governo tomou do meu povo, por que eu não posso roubar do governo também?... ninguém nasce marginal”. Confinado junto com outros 1.300 detentos num lugar feito para 800, o filme é um recado sobre a famosa hipocrisia tupiniquim, que ignora o que há décadas já se mostrava um ovo de serpente: o estrago causado pela corrupção nos órgãos públicos, do mal e mau uso de verbas públicas para fins privados e coisas do gênero. “Aqui se vem pra se pagar o que se fez à sociedade. Mas ela nunca paga o que fez e o que faz com a gente: desvio de verba, de comida, de remédio, material escolar”, e por aí vamos, ou melhor, íamos, pois a bateria do celular está prestes a acabar, assim como o filme. (texto de GUIWHI SANTOS)

Circular, de Lucas Iannuzzi
SP | 2006 | 14’ | Mini-DV/DVD
CIRCULAR é um filme anti-capitalista em sua essência, mesmo (felizmente) não sendo nada panfletário. Seu diretor e protagonista, Lucas Iannuzzi, vai mostrando secamente o cotidiano de um balconista de McDonald (é o que se deduz) e, mesmo intercalando suas ações com verbetes de dicionário, mostra como tudo vai perdendo o sentido. O provocador entreato musical, ao som de “l-o-v-e”, de Nat King Cole, vai contra toda a tradição hollywoodiana de “entreato musical”, não só pelo o que é mostrado, como a total frieza dos planos, que quase nunca revelam a identidade do protagonista. Tudo aqui é coisa, porra nenhuma, massa amorfa de um marasmo constrangedor e peça da engrenagem viciada da sobrevivência. É o que fica configurado com o desfecho do filme e na morte nossa de cada dia. (texto CHRISTIAN CASELLI)

Anfitriões, de Bruno Tinoco Garotti
RJ | 2006 | 9’ | 35mm
DESDE A PRIMEIRA vez que vi Anfitriões, no Festival de São Paulo, fiquei impressionado com o clima soturno e enigmático que o curta alcança, sobretudo quando vi a sonâmbula soprano costureira (veja o filme...). Mas o que faz Anfitriões ser mais do que um mero filme de terror é uma inversão muito bem feita, uma espécie de surrealismo às avessas. Afinal, o absurdo aqui não são pesadelos nem delírios do inconsciente, mas sim um “herói” vítima do fruto dos sonhos de pessoas aparentemente inofensivas. Vítima também dos desejos escondidos aflorados no escuridão do sono. O horror aqui é bastante concreto, mas tão ou mais bizarro do que qualquer evento sobrenatural. (texto de CHRISTIAN CASELLI)

Noiva de Deus, de Leonardo Barcelos e Hélio Lauar
MG | 2006 | 13’ | mini-DV
No começo se diz, “Documento é monumento, realidade ficcional de uma memória verdade.” O olhar é desfocado, o som estranho, tudo se
repete como uma mente esquizofrênica não acostumada à lógica linear de se pensar e falar. A todo momento  a Ética é questionada: até que ponto é correto o filme caminhar na direção de mostrar os fatos como eles são/seriam ou de reinventá-los da forma como a protagonista os coloca. A direção e a edição do filme são postos em questão, um prato cheio para o espectador se deleitar com as tantas possibilidades de
caminho para o filme. Nele, de dentro de um hospital, L.G. conta de forma grotesca e fragmentada um  pouco de sua infeliz história de desprezo, sofrimento, amor(?),assassinato, ódio e loucura. Um filme que incomoda talvez por lidar, audiovisualmente e com coragem,
com um tema complexo. Um filme cheio de labirintos mentais

Confira tudo do festival de Londrina AQUI.


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