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Tecnologia, baixo orçamento e criatividade juntos. É possível?

Por Guilherme Whitaker em 05/11/2004 10:48


 

Tecnologia, baixo orçamento e criatividade juntos. É possível?
Autor: Gustavo Spolidoro


Quando se fala em tecnologia no cinema, muitas vezes se pensa em projetos caros, softwares e máquinas inacessíveis, milhões de dólares em efeitos especiais. Claro que isto existe e é presente. Porém um outro lado da tecnologia veio para facilitar e baratear os custo das produções
cinematográficas
.

Dois exemplos recentes: os curtas FINAL, de Gustavo Spolidoro e BAH!, de Gustavo Brandau, captados em Digital e kinescopados para 16mm. Produzidos e financiados pela TGD Cinema e Vídeo, FINAL gastou aproximadamente R$ 1100,00 (ou U$ 455,00) em sua Kinescopia e BAH! U$ 325,00. Ou seja, valores que se igualam ao das produções em Super-8. Isto porque o serviço de Kinescopia da MAGNO SOUND/NY custa U$ 65,00 o minuto, incluindo o Negativo de Imagem, o Negativo de Som e 1 cópia 16mm do filme. É a mais barata que já encontrei (para 35mm custa U$ 200,00 o minuto), e também a mais desacreditada pelos "entendidos" das novas tecnologias. Porém, quem assistiu ao material, principalmente do filme BAH!, onde há um maior apuro fotográfico, se impressionou com a qualidade e com e nitidez das imagens, que em poucos momentos revelam tratar-se de uma captação em vídeo. E não pense que fizemos o filme após estudar meses a forma de captação, câmeras, CCDs, luz, etc. Os filmes foram feitos como qualquer trabalho para cinema (até mais carentes, como no caso de FINAL, propositadamente levado ao extremo, a fim de testar as possibilidades da Kinescopia).

A principal conclusão a que cheguei, vendo o material é: ilumine BEM e evite pontos muito escuros. O resto é folclore.

Porém, o mais importante de todo este trabalho foi a finalização. Isto porque o controle está praticamente todo nas nossas mãos. Ou seja, com o filme gravado, digitalizamos a imagem, e, no computador fizemos a edição, correção de cores, efeitos (aqui a criatividade é que conta), edição de som, mixagem e tudo o que diz respeito a finalização. CONTROLE TOTAL, sem depender de laboratórios, estúdios de som do centro do país, cronogramas, viagens e demais burocracias. Com o filme editado e sonorizado, passamos para uma fita BETA ANALÓGICA e a enviamos para a MAGNO. Quinze dias depois o filme estava de volta. Ou seja, da filmagem do FINAL, dia 18.05 até assistirmos a primeira cópia na Sala P.F. Gastal, dia 15.06, se passaram 28 dias, isto porque demorei uma semana para editar a imagem.

Isto significa poder realizar um filme em 16mm em até 20 dias, com controle sobre as etapas, barateamento de custo, facilidade de pós-produção, possibilidades de alteração nas imagens ao gosto do freguês e muito mais.

Me parece um ótimo caminho, inclusive, para os cursos e escolas de cinema que, ao invés de realizar 1 filme com R$ 15.000,00, levando 6 meses para finalizá-lo, podem fazer 10 de R$ 1500,00, levando 1 mês para aprontá-lo. Mais liberdade criativa, mais interação, mais prática.

E esta foi só a primeira experiência, pois, mesmo um filme captado em 16mm, pode ser telecinado e finalizado desta maneira, provavelmente com melhor
qualidade final de imagem do que os captados em Digital, visto a captação original ter sido feita em película.

As portas estão abertas. O próximo passo é experimentar mais, captando em Super-8 positivo e também em negativo, no processo que a MEGA Estúdios lançou.

Mais filmes e menos burocracia!!


Gustavo Spolidoro é - Diretor Cinematográfico e Coordenador do Núcleo de Cinema TGD
E-mail: gusguscinema@cpovo.net


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