TELA BRASILIS exibe curta, longa e faz debate no MAM ::  | Curta o Curta

TELA BRASILIS exibe curta, longa e faz debate no MAM

Por Guilherme Whitaker em 22/01/2005 11:39




tela brasilis
Sessão de Janeiro


Nesta Quinta-feira, dia 27:

18:00 -   apresentação
18:30 -   curta: Fernando José, de Felipe Reynaud (2004) 
                longa: Roberto Carlos em ritmo de aventura, de Roberto Farias (1968)

Após a sessão, debate com o diretor Felipe Reynaud e o pesquisador Rodrigo Bouillet.

Na primeira sessão de 2005, o cineclube tela brasilis entra no ritmo da juventude iê-iê-iê, com os filmes Roberto Carlos em ritmo de aventura (Dir.: Roberto Farias, 1968) e Fernando José (Dir.: Felipe Reynaud, 2004).

Roberto Farias, assim como outros que dirigiram este tipo de filme, é egresso da Atlântida, onde pôde aprender uma certa estrutura narrativa de fácil apelo junto ao público, associada ao ritmo musical do momento. Dando prosseguimento a um certo filão cinematográfico eminentemente carioca que explorava a imagem e/ou a música dos novos ídolos da Jovem Guarda, Roberto Carlos em ritmo de aventura é o melhor exemplo do gênero. Movimentado, de números musicais que prenunciavam o videoclipe e metalingüístico, o filme faz parte de um processo de renovação de todo um modo de produção e linguagem nacional. O esgotamento da fórmula da chanchada implica no fechamento da Atlântida, em 1962, e a conseqüente dispensa dos atores veteranos (bem como sua forma de atuar); uma vez que entravam em cena intérpretes jovens, sob a influência da emergente cultura adolescente capitaneada pela ascensão do rock.

A filmografia comercial brasileira deste período não foi digna de registro pelos historiadores de cinema até hoje, o que implica no desconhecimento daquilo que talvez seja uma das fontes mais relevantes para um estudo do período. Deveria-se entender que quanto mais o cinema comercial se vale de “fórmulas muito codificadas ou apelativas” ou de outros meios para atrair audiência e, principalmente, se isto corresponder de fato a uma grande aceitação de público, maior deve ser o debate sobre ele, pois a ideologia da coletividade está, em princípio, expressa ali.

Recuperando este universo numa paródia-tributo, o curta Fernando José narra, numa atmosfera propositadamente kitsch, as aventuras do fictício ídolo pop dos anos 60 e agente secreto que dá nome ao filme, num jogo de referências que vêm a calhar no atual momento de revisões da própria historiografia do cinema brasileiro. 



Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo
Entrada franca


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