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TerraTec Producer Phase 88

Por Guilherme Whitaker em 03/08/2005 22:51


TerraTec Producer Phase 88

Presente nos mercados de consumo, semi-profissional e profissional, a Terratec instalou-se firmemente, aliando a qualidade de seus produtos a preços bastante competitivos.
O sistema TerraTec Producer Phase 88 é composto de uma placa PCI com ligações internas e externas, à qual se liga uma interface com entradas e saídas. Essa interface, graças a seu formato e tamanho reduzido, pode ser instalada externamente ou numa das baías de 5 ¼” presentes no painel frontal das caixas dos PCs. Mas a placa não trabalha apenas com o Windows, já que também possui drivers que lhe permitem funcionar sem problemas e muito bem em OS X. É, assim, uma das possibilidades para adicionar hardware de qualidade a um sistema Macintosh.
A Phase 88 não é, no entanto, essa interface, já que possui ainda outra opção, a Phase 88 Rack (veja quadro). Com exceção da interface de áudio, todo o resto é igual no sistema, e podemos tomar para uma o que se disser em relação a outra. Há ainda a possibilidade de interligarmos várias placas para criarmos um sistema com mais entradas e saídas. Não resulta claro do manual se essa possibilidade se estende ao Macintosh também (o que impediria limitações de um driver que nesse momento existe, por exemplo, em programas como o Logic Pro).

Opções
Como apenas tínhamos uma à disposição para testar, não podíamos, como é óbvio, experimentar essa possibilidade. Outra opção que, segundo a TerraTec, existe é a possibilidade de ligarmos uma MIC 8, ficando assim com uma interface de áudio verdadeiramente profissional e com prés de superior qualidade. Mas aí o sistema deixa de ser tão econômico. De qualquer forma, registra-se aqui essa possibilidade – podemos ligar em cascata até quatro placas Phase 88 ou mesmo combinar placas diferentes da linha Producer (como a EWS 88 MT/D ou os sistemas MIC2+/MIC8+). Essa possibilidade permite combinar até 32 entradas e saídas simultâneas. Para funcionar devidamente um sistema como esse, as placas têm de ser interligadas internamente ou através de uma saída externa de Word-Clock. A primeira placa da cadeia funcionará como unidade de sincronismo e todas as outras irão sincronizar-se por ela. As especificações de sincronismo (tal como todas as outras) serão estabelecidas no painel de controle que faz parte do software instalado (seja em Mac OS, seja em Windows).

Funcionalidades
O painel de controle é uma aplicação relativamente simples e deverá permitir dispensar uma consulta do manual. Tem quatro seções, cada uma das quais se acessa a partir de um separador na parte superior do painel. Tirando o aspecto gráfico, pelo qual o sistema operacional é responsável em primeiro lugar, o painel de controle é basicamente o mesmo em ambos os sistemas. Podemos selecionar o nível de som a que a placa vai trabalhar, que pode ser de -10 dBu (o comum em áudio caseiro) ou +4 dBu (nível profissional). Esse último só deve ser usado se estivermos trabalhando com periféricos que possuam um nível de sinal suficientemente poderoso, ou seja, aparelhos de nível profissional. Independentemente do nível base, podemos compensar o nível de cada uma das fontes de áudio ligadas à interface através dos potenciômetros virtuais presentes no primeiro separador (Analog Inputs). Para ajudar, a TerraTec incluiu um LED (virtual também, claro) que indica se o sinal está provocando clipping. Uma vez que a sensibilidade desse LED é muito elevada, podemos tolerar que o sinal entre em clipping por uma fração de segundo, se o sinal contiver uma presença de inarmônicos muito grande (como acontece com o sinal do bombo, por exemplo). No entanto, precisamos ter sempre em atenção que, se o clipping for muito pronunciado ou de duração superior a alguns milissegundos, produz resultados terrivelmente desagradáveis e impossíveis de corrigir. A sensibilidade do indicador de clipping também é ajustável.
Melhor ainda do que isso é deixar o próprio software da placa tratar dos níveis. Existe uma opção de AutoGain que, após devidamente calibrada, se encarrega de ajustar os parâmetros para um nível de ganho ótimo. Para quem não quiser estar com atenção às entradas, essa opção será muito bem-vinda.

Mesa de mixagem?
O segundo separador tem como indicador Digital Mixer. Estávamos à espera de uma verdadeira mesa de mixagem digital (como as disponibilizadas pela Marion ou pela RME), mas a TerraTec foi mais modesta (muito modesta, em nossa opinião). De fato, a mesa não é uma verdadeira mesa de mixagem, já que as opções de endereçamento (routing) são muito limitadas. Podemos, por exemplo, gravar nas entradas 1 e 2 e monitorar o sinal de entrada juntamente com o que está já gravado em nosso software de escolha (por exemplo, o Cubase ou o Logic), bastando, para isso, selecionar, no TAB (separadores) Settings, a opção Digital Mixer para as saídas 1/2. No entanto, não será possível ouvir os instrumentos que tivermos nas entradas 3/4, 5/6 e 7/8, já que cada entrada está diretamente ligada a uma só saída (o tipo de endereçamento chamado Direct Out). A própria TerraTec remete para o software em uso, o qual, em princípio, permite a monitoração (seja direta, seja através do próprio programa, e já processada). Claro que isso é feito à custa de preciosos ciclos de CPU, e seria ótimo termos opções como a Cue Mixer da MOTU, em que uma verdadeira mesa de mixagem roda exclusivamente por causa do DSP incluído na própria placa. Mas estamos falando de outro campeonato. Seja como for, é possível ter monitoração de áudio do computador ao mesmo tempo, mas para o resto teremos sempre de possuir uma mesa de mixagem e ter a placa interligada com essa. No caso da Phase 88, que nem sequer possui prés para microfone, não será nada de especialmente grave (provavelmente quem adquirir um sistema desses possuirá uma pequena mesa de mixagem, do tipo Mackie 1202 ou 1402, na qual poderá efetuar os endereçamentos necessários); já no caso da Phase 88 Rack, o usuário poderia dispensar completamente a mesa de mixagem, não fora esse detalhe.
Além das entradas e saídas analógicas, temos ainda uma entrada e saída digital S/PDIF coaxial. Essa não está presente no módulo de interface, mas somente na própria placa, e por isso seu acesso não é tão fácil e conveniente quanto o das entradas e saídas analógicas. Essa entrada e saída são adicionais, então se pode considerar que a placa possui pelo menos dez entradas e saídas, embora se chame Phase 88 (o que poderia induzir oito/oito). Curiosamente, o painel do áudio/MIDI Setup do Mac OS X indica 12 entradas, mas não conseguimos descortinar as duas entradas extras que lá aparecem. Uma funcionalidade extremamente interessante da entrada e da saída digitais é o fato de essas poderem ter outras funcionalidades, além do áudio, principalmente como interface para formatos AC3 e DTS (formatos de som surround para filmes). Se isso vai ser útil ou não, fazer falta ou não, é algo que cada um tem de decidir. Uma coisa é certa – atrapalhar não atrapalha, e, se não for útil, pelo menos não se perdeu nada por causa disso.
Finalmente, o último separador do painel (Settings) é onde definimos a freqüência de amostragem com que vamos trabalhar e se a placa vai trabalhar com o próprio relógio ou sincronizada com uma fonte digital externa, bem como se vai trabalhar a -10 ou +4, e o já referido endereçamento do sinal, em que podemos designar as saídas da mesa de mixagem a uma saída estéreo e, nesse caso, essa saída já poderá ser utilizada simultaneamente por entradas físicas e pelo software (por exemplo, combinar Input 1/2 e WavePlay ½). É a única possibilidade de combinação que encontramos.

Drivers
A Phase 88 trabalha com um grande número de freqüências de amostragem, o que quer dizer que possui um cristal muito flexível. É possível selecionar desde 8.000 KHz até 96.000 KHz, passando por diversas posições intermediárias, quase todas subdivisões ou múltiplos de 44.100 e 48 mil. Assim, podemos ter 11.025, 22.050, 88.200 etc., mas também podemos ter 12 mil, 24 mil e 96 mil. Se isso é importante ou não, cabe a cada usuário decidir, mas é bom ter opções, mesmo quando não as usamos – nunca se sabe quando poderão vir a ser necessárias.
Os drivers escritos pela TerraTec são excelentes, quer sejam os ASIO ou WDM para Windows ou os drivers Core Audio para OS X. Estávamos com receio desses últimos, já que as empresas que chegam ao Macintosh vindas do Windows, por vezes, têm dificuldades em conseguir escrever drivers convincentes, mas a Core Audio API parece ser efetivamente um ambiente de programação bem estruturado, atendendo à quantidade de hardware com os bons drivers que têm aparecido ultimamente (M-Audio, RME, MOTU e agora TerraTec). Conseguimos tempos de latência na ordem dos 5 milissegundos, sem que se tenha observado uma carga diferente do habitual na CPU. Ficamos agradavelmente surpresos com a eficácia desses drivers e com a qualidade do som obtido. De fato, ao colocar a interface bastante longe do computador (o cabo de ligação da placa ao módulo tem 4 m de comprimento), eliminamos os riscos de interferência provocados pela proximidade do computador. Por outro lado, e porque a interface 88 AX é alimentada pelo próprio cabo (não necessita de alimentador próprio), também não temos cabos de corrente perto dos cabos de áudio. As ligações não são balanceadas (o módulo apenas possui oito entradas e oito saídas analógicas RCA, além da entrada e saída MIDI), mas isso não é problema desde que os cabos de áudio não sejam muito compridos nem atravessem zonas “críticas”, como cabos de corrente etc.

Conclusões
A linha Producer pretende ser uma linha profissional com preços que a colocam ao alcance da maioria das bolsas. A Phase 88 não será a placa mais barata do mercado, mas, para o que faz, é das que apresentam melhor relação preço/especificações. Quanto ao software, poderíamos ter um pouquinho mais (voltamos a mencionar a excelente mesa de mixagem presente, por exemplo, na Marian Marc X, também processada através de DSP incluído na própria placa), mas trata-se de uma excelente alternativa, sobretudo para Macintosh, para contrapor às sugestões da M-Audio (já que a RME e a MOTU estão já em outro nível de preços). Para quem precisar de espaço, o fato de podermos montar a interface numa baía disponível do PC é ainda uma opção a levar em consideração, embora aí o nível de relação sinal/ruído venha a ser, previsivelmente, inferior. Os drivers são excelentes e permitem um desempenho global do sistema de primeira linha, sem sobrecarga da CPU. De maneira geral, podemos dizer que ficamos agradavelmente surpresos com o desempenho global do sistema, apesar dos problemas já apontados.

Fonte: www.producaoprofissional.com.br 
Postado por:  Pedro Lobito - www.pedrolobito.com

 
 

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