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Veja como foi a sessão do Caselli em Portugal

Por Guilherme Whitaker em 15/12/2005 13:08



Caselli: o homem e o minto
por Bebeto Sabedoria (direto da Europa)


O cinema nacional é assim: iates, mansões, mulheres. Que nem naquele desenho do Pica-Pau. Os poucos privilegiados que ocupam o seleto grupo de cineastas brasileiros sabem o quanto é difícil resistir as tentações da vida mundana para ainda tirar onda de "malditos" e, assim, atrair os seus patrocinadores.


Caselli galã em noite de gala na Europa.

Com Christian Caselli não poderia ser diferente. Em sua sessão exclusiva para o Festival Luso Brasileiro de Cinema, de Santa Maria da Feira (Portugal), o artista saudou a comunidade local com a sua limosine particular, convocando os presentes a irem ao cinema. Charme, requinte e elegância nunca combinaram tanto em uma só pessoa; quase como um Cacá Diegues loiro e de olho verde.


Reichenbach e Caselli: "Cadê a Caras numa hora dessas?!", lamentou CC.

Ao saudar a querida platéia com sua platinada presença, Christian Caselli contou como foi complicado chegar no ponto em que chegou, "Foi uma luta árdua", revelou. "Afinal, cada filme da sessão custou meses e meses de trabalho, envolvendo cerca de 180 técnicos de todas as áreas e tendo um orçamento médio de 1milhão e 500 dólares. Mas nada que os editais do governo não resolvessem", afirmou o artista, numa homenagem a todas as empresas bem intencionadas e chiquérrimas que o apoiaram até agora. Caselli também deu dicas para melhor saborear a sessão, tal qual um raro vinho do Porto: "São obras sutis e delicadas. Tentem ler nas entrelinhas", disse, referindo-se a filmes como "Testículos", "Tiroteio do Esqueleto sem Cabeça" e "Baiestorf: Filmes de Sangueira e Mulher Pelada" (aliás, sendo que o personagem deste último, o cineasta Petter Baiestorf, também é um bom vivant da sétima arte nacional).


Ao final do certame, como era de se esperar, Caselli foi posto no Panteão dos grandes cineastas da Rua do Riachuelo (situada perto da Lapa, Rio de Janeiro), junto com o animador André Gavazza. Mas por nunca esquecer de sua origem humilde e que, assim como o ex-presidente FHC, sempre teve um pezinho na cozinha, Caselli foi definido pelo também cineasta e também multimilionário Paulo Tiefenthaler como o "Sueco de Madureira". Sendo assim, democrático e irreverente como sempre, declarou que sua limosine era "do povo, assim como o céu é do condor", lotando-a de populares. O curioso é que, para o cineasta, o povo é composto apenas por pessoas do sexo feminino. 
 
Saiba mais do festival AQUI.

Bebeto viajou a convite do festival. 
  


Caselli com a equipe, antes de encher a limo com a mulherada. 
"Faltou espaço para o meu ego", reclamou o cineasta brasileño.

 + sobre KZL...

O KZL é uma das figuras mais criativas que conheço. Com uma inteligência que se tem a capacidade de se redobrar sobre si mesma ele cria obras de surpreendente originalidade. (Nadam Guerra)

O Christian Caselli pra mim é um desses caras que a arte audiovisual precisa, diria imprescindivel mesmo. Com toda sua irreverência não se curva diante de estéticas pre-programadas, não limita sua arte ao território acadêmico, ao formado e aprisionado por continuistas e não criadores da própria linguagem. (Robson Lopes)

Isto não é um título, de Christian Caselli, a partir de uma homenagem explícita ao pintor surrealista René Magritte, o experimentalismo abre caminho para o humor escrachado do Autor com inegável eficácia formal, assim como abre caminho para as possibilidades estético-informacionais do que seria o entendimento da Comunicação audiovisual, hoje. Questiona-se a própria idéia de cinema ao se propor uma narrativa ágil que faz da "negação" em todos os níveis o grau zero de suas proposições "positivas", como se estivéssemos diante de uma escrita que, em sendo reflexo da própria surrealidade como proposta artística, poética e vivencial, apostando-se na concretude da mensagem fílmica repensada pelo Autor. O cinema experimental brasileiro, em sua formatação videográfica, conta com poucos realizadores visceralmente criativos. Como é o caso de Caselli nesta obra, que, num último toque de humor, não é produzida pela Petrobrás ou por qualquer outro órgão institucional. Afinal, isto não é um filme comum. (Moacy Cirne)                 


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