Visões Periféricas no centro do Rio ::  | Curta o Curta

Visões Periféricas no centro do Rio

Por Guilherme Whitaker em 03/09/2008 12:29


Sorria, você está filmando. O mote da mostra traduz bem o espírito do evento. Graças ao barateamento dos custos de produção, cada vez mais pessoas fora dos grandes centros conseguem realizar seus próprios filmes. Totalmente excluída do grande circuito, essas obras de baixo orçamento também enfrentam dificuldades nos festivais de cinema tradicionais. É para dar visibilidade a elas que o Festival Visões Periféricas chega na sua segunda edição, com sessões até o dia 7 de setembro no Centro Cultral da Caixa do Rio de Janeiro.

A proposta é muito bem recebida pelo público. Do ano passado para cá, o aumento nas inscrições de filmes para o Visões Periféricas foi de praticamente 50%. Nesta edição, foram 250 curtas enviados por ONGs, coletivos ou iniciativas pessoais. Destes, 81 foram selecionados e enquadrados em mostras de meio ambiente, animação e outras. "Optamos por escolher os filmes que lançassem um olhar diferenciado sobre a periferia, fugindo das representações tradicionais", explica Marcio Blanco, um dos organizadores do festival.

Apresentador do programa "Bola e Arte" no site FizTV, CarlosCarlos participa do Visões Periféricas deste ano com o filme "Katmandu - por dentro do cotidiano". Segundo ele, é importante o espaço dado às produções feitas à margem, porém "as coisas deveriam se misturar mais, acabar com essa separação que há". "Não existe mudança sem mistura", diz.

Na abertura do festival, foi exibido o longa L.A.P.A de Cavi Borges e Emílio Domingos. O filme documenta a realidade dos cantores de hip-hop e a influência do bairro homônimo no desenvolvimento desta música no Rio de Janeiro. "Nós não somos da periferia, mas fazendo esse filme podemos perceber que as dificuldades enfrentadas por esse pessoal é bastante parecida com os problemas que passamos para fazer cinema", afirmou Cavi na ocasião.

Paralelamente aos filmes, muitas discussões sobre a produção periférica no Brasil. Não só nas mesas de debate mas principalmente através do Fórum de Experiências Populares em Audiovisual. Nascida na primeira edição do Visões Periféricas, a organização conta com participantes de diversas regiões e chega a seu terceiro encontro com algumas conquistas e muito trabalho pela frente. "Já conseguimos uma cadeira no conselho consultivo da secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura. Também foi lançado um edital voltado exclusivamente para os movimentos sociais. No entanto, precisamos ainda focar na nossa organização interna. É para isso que estamos aqui", comenta Marcio.

Além do Festival de Visões Periféricas, o Rio de Janeiro também receberá neste mês o Cine Cufa, com temática semelhante. A mostra ficará do dia 9 a 21 no Centro Cultural Banco do Brasil.



Rio de Janeiro – 03 a 07 de setembro

O Festival Audiovisual Visões Periféricas 2008 chega a sua segunda edição reunindo o que há de mais inovador na produção nacional de vídeos vinculados a escolas e oficinas de audiovisual em diversas periferias do país. Entre os dias 03 e 07 de setembro, serão exibidos 81 filmes, selecionados entre mais de 250 inscritos e divididos em quatro mostras temáticas (Cinema da Gema, Periferia Animada, Meio Ambiente e Fronteiras Imaginárias) e a competitiva Visorama.

Com a proposta de formar um painel representativo de uma diversidade cultural brasileira que pouco aparece na TV e no cinema, o Visões Periféricas exibe filmes produzidos a partir de ONGs, coletivos e iniciativas pessoais provenientes das cinco regiões do país. Desde a história de um concurso de literatura em uma comunidade popular em Belo Horizonte, passando pelo universo pornô do centro velho de São Paulo, até a trajetória da primeira mulher cacique do Brasil em Mato Grosso.

Em 2007, o Visões Periféricas exibiu 70 filmes para um público de aproximadamente 3.500 pessoas. Este ano, o aumento no número de vídeos inscritos em relação à primeira edição do festival, confirma a existência de um movimento crescente e em curso, que busca repensar as noções de cultura popular, educação, mercado e linguagem audiovisual e revela a necessidade de novos espaços para a promoção e a divulgação dessa produção.

Atento a essa crescente demanda, o festival busca promover a formação de uma rede entre periferias iguais por sua condição, mas diferentes por suas experiências, na medida em que reúne produções de todo o país e ao promover mesas de debates sobre “Cultura Livre e Novas Tecnologias de Produção e Exibição Audiovisual” e “Metodologias de Ensino do Audiovisual em Espaços Populares”.

Para a organização do festival, a visão daqueles que se expressam e representam seu universo pela primeira vez por meio das lentes de uma câmera revela o potencial desses jovens realizadores em renovar a linguagem audiovisual, desmistificar a periferia e criar uma cultura que não se restrinja ao que é produzido apenas nos grandes centros urbanos. Assim, no contexto da popularização do acesso às novas tecnologias, o Visões Periféricas tem como objetivo provocar o questionamento sobre as diversidades e semelhanças das periferias do Brasil, buscando, assim, relativizar o conceito do que é centro e do que é margem.

O diretor do festival, Marcio Blanco, afirma que a geração de jovens que está à frente desse movimento está sintonizada com essas mudanças e explora as oportunidades do momento. “É uma geração que se reconhece cada vez mais como cidadã do mundo, independentemente de sua origem ser a favela de uma metrópole, uma aldeia indígena ou uma comunidade quilombola. As identidades que se revelam nas produções que compõem este festival mostram que não há nada mais universal do que as peculiaridades culturais de seus autores e locais de origem”, avalia.

Fortalecendo uma parceria iniciada na primeira edição do festival, os vídeos exibidos continuarão em cartaz em diversos pontos do Rio de Janeiro e Grande Rio durante o mês de setembro, em oito cineclubes que integram o circuito ASCINE-RJ.

O Visões Periféricas é realizado pela Imaginário Digital, instituição que tem como principal objetivo promover e assegurar o acesso de jovens para o uso das novas tecnologias em comunicação. O projeto foi selecionado pelo edital 2007 de ocupação dos espaços da CAIXA Cultural.

ABERTURA
03/09
19h - Exibição do filme L.A.P.A, de Cavi Borges e Emílio Domingos. (Brasil, 2008)
O filme de Cavi Borges e Emílio Domingos foi inspirado no tradicional e boêmio reduto de sambistas do Rio de Janeiro, a Lapa, hoje, considerada também um ponto de convergência da juventude com diversas manifestações da cultura popular, em especial o Rap e o Funk. O filme conta com participações de Marcelo D2, MC Aori e Black Alien.
Local: Caixa Cultural
Rua Almirante Barroso, 25 – Centro
Entrada franca

22h - Festa de abertura
Casa de Cultura Hombú
Com DJs Saens Peña e Arthur Miró, e VJ Simpla
Av. Mem de Sá, 33 (próximo aos Arcos da Lapa)
Ingressos: R$ 5,00 (sem convite)

SERVIÇO

Festival Audiovisual Visões Periféricas 2008
Local: CAIXA Cultural Rio
Endereço: Avenida Almirante Barroso, 25 – Centro (ao lado da estação Carioca do Metrô)
Tel: 2544-4080
Estréia: 03 de setembro
Temporada: até 07 de setembro
Horário: Conforme programação
Entrada franca
Classificação: 16 anos
Acesso para portadores de necessidades especiais
Site do espaço: www.caixa.gov.br/caixacultural

ASSESSORIA DE IMPRENSA:
Mariana Costa - 21 8139-4490 / 2224-4403
imprensa@imaginariodigital.org.br
Karine Mueller – 21 9852-0085 / 2553-0203
karine@imaginariodigital.org.br
www.visoesperifericas.org.br
www.caixa.gov.br/caixacultural

Comente aqui...


Você precisa digitar algo na caixa de texto.
Não foi possível enviar seu comentário.
Informe um e-mail válido.
Você precisa informar um nome.
Você precisa digitar algo na caixa de texto.

Jornal do Curta


[confira outras notícias]